Havia, na minha infância (mas há quanto tempo é que isso foi? Bolas, parecem-me séculos e ao mesmo tempo o dia de ontem) um livro que se chamava "As meninas bem comportadas" ou as meninas qualquer coisa boa.
Estas meninas faziam asneiras mas no fim aprendiam a lição. Caíam ao lago, levavam estranhos para casa (que, claro, eram sempre pessoas de boas famílias e portanto nunca as raptavam), andavam ao estaladão... enfim!
O que me levou a recordar hoje, passados tantos anos, essas meninas e as suas peripécias? A conclusão de que as meninas bem comportadas eram, na verdade, meninas mal comportadas que aprendiam com os seus erros. E que, afinal, a autora daquele livro foi a origem de todo o meu mau comportamento que, na verdade, era só bom comportamento camuflado! E mais: quem me comprou o livro foram os meus pais, fonte, portanto, de qualquer asneira por eles repreendida.
Mas o mais importante de tudo? Confirma-se a regra: "As meninas boas vão para o céu. As más... para todo o lado!". É que aquelas pestinhas andavam sempre em festas chiques em salões, grandes passeios de coche, vestidos com lacinhos da última moda. E afinal, o que fazia as meninas boazinhas não era não fazerem asneiras mas o facto de aprenderem sempre uma lição com os seus erros.
Assim, as meninas boazinhas não são as que não saltam nas poças para não molhar as meias. São as que saltam, ficam encharcadas, constipam-se e depois aprendem. E pronto, é verdade que às vezes não aprendem à primeira, mas um dia vão aprender!
PS- é verdade, eu ainda salto nas poças...
Wednesday, July 11, 2007
Monday, July 09, 2007
A revolta do meu teclado
O meu portátil foi des-ene-ado, como em desmembrado, só que perdeu a tecla N. Foi um momento negro quando, pequenina, ela se soltou do imenso teclado e partiu, aventureira, em busca de novos caminhos. Queria Nuvens, Notas de música, Novelos desembaraçados... Pedi-lhe "fica!", esmaguei-a contra o seu espaço vazio, e ela, insistente "Não!Não!" e escapava-se sempre, por entre os meus dedos.
Pesadelo do bloguista, cronista, experiência de escritor, isto de teclar no espaço vazio onde se estica o corpo decepado do botão de borracha.
Esqueçamos a tecla N e o seu capricho de aventura. Esqueçamos que se encontra nalgum fundo de gaveta onde aguarda o momento em que será, novamente, presa ao seu teclado por alguém mais credenciado que eu. Quando os objectos ainda se encontram dentro da garantia, é melhor não mexer, avisaram-me. Larga o tubo de cola tudo, e deixa esse martelo onde estava. Está bem, deixemos o meu N vaguear nos sonhos, acreditar que é livre no fundo da sua gaveta, pensar, talvez, que está já em viagem, a caminho de algum sítio melhor.
Cansou-se de levar porrada, até entendo. Vida difícil esta de tecla, eternamente espancada pelos dedos pesados de alguém que se lembrou que queria escrever. O "G" também já não me responde bem. Tenho de o forçar, para que me responda. Em vez de fugir, remeteu-se ao silêncio. Carrego nele repetidamente até que cede. O meu G quer Gotas de chuva, Gritos no telhado, Grinaldas de flores e Gomas de banana.
Aos poucos elas vão-se revoltando, e, pelo sim pelo não, conservo o papel e a caneta para um desses dias sem nome.
Pesadelo do bloguista, cronista, experiência de escritor, isto de teclar no espaço vazio onde se estica o corpo decepado do botão de borracha.
Esqueçamos a tecla N e o seu capricho de aventura. Esqueçamos que se encontra nalgum fundo de gaveta onde aguarda o momento em que será, novamente, presa ao seu teclado por alguém mais credenciado que eu. Quando os objectos ainda se encontram dentro da garantia, é melhor não mexer, avisaram-me. Larga o tubo de cola tudo, e deixa esse martelo onde estava. Está bem, deixemos o meu N vaguear nos sonhos, acreditar que é livre no fundo da sua gaveta, pensar, talvez, que está já em viagem, a caminho de algum sítio melhor.
Cansou-se de levar porrada, até entendo. Vida difícil esta de tecla, eternamente espancada pelos dedos pesados de alguém que se lembrou que queria escrever. O "G" também já não me responde bem. Tenho de o forçar, para que me responda. Em vez de fugir, remeteu-se ao silêncio. Carrego nele repetidamente até que cede. O meu G quer Gotas de chuva, Gritos no telhado, Grinaldas de flores e Gomas de banana.
Aos poucos elas vão-se revoltando, e, pelo sim pelo não, conservo o papel e a caneta para um desses dias sem nome.
Saturday, July 07, 2007
Universos paralelos
O melhor de ir de férias nem é o sol, nem a praia, nem a piscina... Não, o melhor de ir de férias é entrar nesse universo paralelo em que todos os nossos problemas desaparecem. Os nomes são os mesmos, o aspecto é o mesmo, ainda que um bocadinho mais moreno, mas as vidas confundem-se. Deixamos as preocupações para trás, o trabalho que é preciso entregar, a nota que aguardamos daquela frequência que nos correu pessimamente, o corre-corre de cá para lá, a hora do almoço que ainda não está feito, aquela pessoa que sabemos que mente mas a quem continuamos a sorrir para evitar conflitos. Tudo desaparece. Tudo se esgota quando estamos longe, quando o que importa é apanhar o sol de frente e rir o mais que conseguirmos. Deixamos o telemóvel em casa e, por momentos, esquecemos que há gente para além daqueles que estendem a toalha à nossa volta, que há mundo do outro lado do muro que separa a nossa piscina do resto...
E no último dia de férias recebo aquela mensagem que me diz que mesmo sem saber o que dizia o Código de Hamurabi fiz bem em inventar porque tive 14 a teoria política e portanto não há exame para o qual estudar. E no dia em que chego faço o trabalho que é para entregar no dia seguinte e está tudo pronto a tempo. E ignoro aqueles que não são o que parecem porque a vida é mesmo assim, e quando estamos de férias tudo fica mais claro e percebemos que o importante mesmo são as pessoas que conhecemos e que estão lá para nós.
Sesimbra.... vamos voltar?
Sunday, July 01, 2007
Fantoches
Talvez as pazes mais difíceis sejam aquelas que fazemos connosco. Sim, talvez seja dentro de nós que se situa o reino onde é mais difícil alcançar a paz. Porque sabemos tudo, vemos tudo, somos tudo. Porque ao errarmos nos magoamos a nós, porque ao magoarmo-nos só nos podemos odiar a nós, e odiando-nos não aceitamos uma trégua com o nosso eu.
Cá dentro, somos um mundo em conflito. Um mundo que possui as armas mais poderosas de sempre, com capacidade de nos destruir por dentro. Haverá pior forma de destruição, que o corpo vazio, condenado à existência aparente, à dor da ausência, à ausência de dor?
O difícil não é perdoar os outros, é perdoarmo-nos. Nós, fantoches de prazer, sempre empenhados em fazer com que os outros nos aprovem, com que os outros nos valorizem. Demasiado empenhados para que nos lembremos de nos aprovarmos primeiro. Personalidades difusas, perdidas, vagueantes e inconscientes de si.
Para fazer a paz comigo, corto os fios que me conduzem. Solto-me do emaranhado de risos e sorrisos, palavras simpáticas e amáveis. Descoso a língua que trago presa, rasgo os pedaços de tecido colorido e brilhante, a flanela confortável, a seda macia.
Deixo esse palco de luzes e música, os espectadores que não sabem que todos eles se encontram, como eu, presos aos fios, os gestos medidos, as palavras planeadas.
Faço a paz comigo. Faço a paz com o mundo. E perdoo os fantoches que sem o saberem encenam mais um acto no palco da vida e me arranham com os seus fios que balançam ininterruptos.
Cá dentro, somos um mundo em conflito. Um mundo que possui as armas mais poderosas de sempre, com capacidade de nos destruir por dentro. Haverá pior forma de destruição, que o corpo vazio, condenado à existência aparente, à dor da ausência, à ausência de dor?
O difícil não é perdoar os outros, é perdoarmo-nos. Nós, fantoches de prazer, sempre empenhados em fazer com que os outros nos aprovem, com que os outros nos valorizem. Demasiado empenhados para que nos lembremos de nos aprovarmos primeiro. Personalidades difusas, perdidas, vagueantes e inconscientes de si.
Para fazer a paz comigo, corto os fios que me conduzem. Solto-me do emaranhado de risos e sorrisos, palavras simpáticas e amáveis. Descoso a língua que trago presa, rasgo os pedaços de tecido colorido e brilhante, a flanela confortável, a seda macia.
Deixo esse palco de luzes e música, os espectadores que não sabem que todos eles se encontram, como eu, presos aos fios, os gestos medidos, as palavras planeadas.
Faço a paz comigo. Faço a paz com o mundo. E perdoo os fantoches que sem o saberem encenam mais um acto no palco da vida e me arranham com os seus fios que balançam ininterruptos.
Os meus heróis
Na infância, os nossos pais são os nossos heróis. Os meus pais sabiam tudo, podiam tudo. O meu pai tinha força suficiente para me carregar nos ombros, ensinou-me a ver a ursa maior nas estrelas, fazia da história um conto fantástico. A minha mãe dava vida aos sonhos, brincava sentada connosco, ríamos até nos doer a barriga, tinha sempre a solução para os nossos problemas.
Na adolescência, os nosso pais são o diabo vestido. Não sabem nada, só querem o nosso mal, parecem empenhados em destruir qualquer vestígio de vida social que tenhamos.
E, de repente, crescemos. E os nossos pais são os nossos heróis outra vez. Mesmo sem saberem tudo, mesmo sem terem a solução para qualquer problema. Porque não haverá nunca ninguém que nos ame tão incondicionalmente, que nos coloque em primeiro lugar, que mova montanhas para sermos felizes. Os meus pais são os meus heróis. Por tudo o que fazem, por tudo o que dizem, mesmo quando não concordo com eles. Por se levantarem todos os dias de manhã para irem trabalhar, mesmo cansados, para nos poderem dar tudo o que precisamos. Por receberem tantas vezes a ingratidão e estarem sempre de braços abertos para me receber a mim. Por aceitarem que somos diferentes e nunca me terem imposto um caminho. Por me permitirem que cometa os meus erros, mesmo com medo que me magoe. Por quererem, pura e simplesmente, que eu seja feliz.
Os maiores heróis não são os de ferro, os imbatíveis, os insensíveis. Os maiores heróis são os de carne e osso, que sofrem, que choram, que sangram, que têm medo, e que, mesmo assim, fazem tudo por nós.
Na adolescência, os nosso pais são o diabo vestido. Não sabem nada, só querem o nosso mal, parecem empenhados em destruir qualquer vestígio de vida social que tenhamos.
E, de repente, crescemos. E os nossos pais são os nossos heróis outra vez. Mesmo sem saberem tudo, mesmo sem terem a solução para qualquer problema. Porque não haverá nunca ninguém que nos ame tão incondicionalmente, que nos coloque em primeiro lugar, que mova montanhas para sermos felizes. Os meus pais são os meus heróis. Por tudo o que fazem, por tudo o que dizem, mesmo quando não concordo com eles. Por se levantarem todos os dias de manhã para irem trabalhar, mesmo cansados, para nos poderem dar tudo o que precisamos. Por receberem tantas vezes a ingratidão e estarem sempre de braços abertos para me receber a mim. Por aceitarem que somos diferentes e nunca me terem imposto um caminho. Por me permitirem que cometa os meus erros, mesmo com medo que me magoe. Por quererem, pura e simplesmente, que eu seja feliz.
Os maiores heróis não são os de ferro, os imbatíveis, os insensíveis. Os maiores heróis são os de carne e osso, que sofrem, que choram, que sangram, que têm medo, e que, mesmo assim, fazem tudo por nós.
Sunday, June 17, 2007
Tens sonhos?
O tilintar da chave na fechadura que não abre. Teias de aranha que cobrem com o seu véu de noiva o recanto do olhar. Fios de tempo, segundos que se transformam em matéria. Mais um centímetro no cabelo, mais uma ruga no canto da boca. Bate; quem se sabe se abro? Se bateres com força, quem sabe se te ouço? Se insistires, quem sabe se não me levanto e vou até à porta? Espreito e espero em silêncio. Dizes-me o teu nome e deixas as chaves na fechadura. O silêncio. O peso do tempo. Se os meus ossos deixarem, eu estendo a mão até ti. Se o meu corpo permitir, sou gente no alvorecer. Se a minha alma quiser, abro as asas e fujo daqui. Prisioneira. Dessa porta que não abre, dessas teias que me cegam, desse nevoeiro de tule que nos faz duvidar.
Tarde demais. Se não estiveres, fui devagar. Os pés que se arrastaram pelo chão encerado. O meu reflexo turvo que desaparece à minha passagem. Magia. Pós de fada presos à pele. Tens sonhos? Vendo-te dois sonhos e uma utopia, em troca de uma dose de realidade negra. Os sonhos não têm prazo de validade, parece-me uma troca justa, e as utopias são sempre jovens. Consumo a tua dose de realidade em êxtase. Quero sentir os pés no chão. Quero acordar sem desespero. Tenho sonhos comigo para dar e vender. E sinto-a nas veias como um veneno dilacerante. E a realidade confunde-me as cores, e o mundo é negro e o meu corpo é vermelho. E, de repente, não tenho asas. E, de repente, sou só alguém. Perco-me nessas ruas iguais, nessa multidão desfigurada, em néons e ruídos. Escondo o sorriso e baixo a cabeça quando avanço. Posso fingir que está tudo bem enquanto a realidade me faz alucinar.
Tarde demais. Se não estiveres, fui devagar. Os pés que se arrastaram pelo chão encerado. O meu reflexo turvo que desaparece à minha passagem. Magia. Pós de fada presos à pele. Tens sonhos? Vendo-te dois sonhos e uma utopia, em troca de uma dose de realidade negra. Os sonhos não têm prazo de validade, parece-me uma troca justa, e as utopias são sempre jovens. Consumo a tua dose de realidade em êxtase. Quero sentir os pés no chão. Quero acordar sem desespero. Tenho sonhos comigo para dar e vender. E sinto-a nas veias como um veneno dilacerante. E a realidade confunde-me as cores, e o mundo é negro e o meu corpo é vermelho. E, de repente, não tenho asas. E, de repente, sou só alguém. Perco-me nessas ruas iguais, nessa multidão desfigurada, em néons e ruídos. Escondo o sorriso e baixo a cabeça quando avanço. Posso fingir que está tudo bem enquanto a realidade me faz alucinar.
Monday, June 04, 2007
Cansada
Cansei das formalidades. Das frases feitas, o sorriso amável, as respostas politicamente correctas. Cansei das botas em dias de chuva e do casaco quando está frio. Cansei do "obrigada" quando não há nada a agradecer, do "desculpa" quando estou certa, do silêncio quando quero gritar. Estou cansada de aceitar os defeitos e perdoar os erros que me magoam. Cansada de pensar se estarei certa ou errada em vez de fazer o que me apetece. Estou cansada duma vida congelada em maneiras e hipocrisia. Cansada de regras de educação que me obrigam a ser simpática com aqueles que me julgam sempre na minha ausência.
Cansei da nossa relação perfeita à superfície. Cansei dos arranhões que escondo, das palavras que engulo, dos sorrisos de etiqueta. Dos apertos de mão formais, dos beijinhos que trazem veneno, das palavras deixadas a pairar para quem as quiser apanhar.
Quero gritar. Quero rasgar o véu dourado com que cubrimos as noites e deixar a podridão ao vento. Para que todos sejam forçados a vê-la e a reconheçam.
E, depois, cada sorriso será genuíno, cada palavra mais que educação, cada abraço um gesto sincero.
Cansei da nossa relação perfeita à superfície. Cansei dos arranhões que escondo, das palavras que engulo, dos sorrisos de etiqueta. Dos apertos de mão formais, dos beijinhos que trazem veneno, das palavras deixadas a pairar para quem as quiser apanhar.
Quero gritar. Quero rasgar o véu dourado com que cubrimos as noites e deixar a podridão ao vento. Para que todos sejam forçados a vê-la e a reconheçam.
E, depois, cada sorriso será genuíno, cada palavra mais que educação, cada abraço um gesto sincero.
Thursday, May 24, 2007
Tenho um caniche!
Sabem como é quando saem do cabeleireiro com um penteado novo que, por milagre, não vos fez jurar nunca mais lá voltar? É um daqueles raros momentos em que não pensamos "Mas que merda é esta?!" e em que queremos andar a pé para todo o mundo poder admirar a nossa nova pelugem capilar...
Mas e quando chega a hora de o lavar pela primeira vez? De repente, eis que o cabelo se descontrola, pontas atiçam-se em todas as direcções, a escova começa a parecer minúscula ao pé da juba e então sim, gritam: MAS QUE MERDA É ESTA?!
SOS mundo, estou num momento desses! O meu lindo cabelo longo foi substituído por um penteado à lá caniche e eu só quero um gorro bonito para o esconder!
"Respira, respira... o cabelo cresce, nada de dramas...! SIM, E ATÉ LÁ? "Pões uns ganchinhos, umas fitinhas..." ARRRRGH (diálogo travado entre mim e o espelho)
Volto a lavar o cabelo, a penteá-lo, a prendê-lo com ganchos e ganchinhos. Encho-o com quilos de espuma na esperança de domar a juba há muito adormecida pelo peso dos meus velhos cabelos compridos.
"Há pessoas que nem sequer têm cabelo!", um argumento estúpido, mesmo vindo de um espelho... Tento concentrar-me nas velhinhas carecas mas de repente lembro-me que não conheço nenhuma velhinha careca. Lembro-me daquele árbitro que não tem pêlos e vejo se me consigo sentir melhor (é horrível, eu sei, tentar sentir-me melhor com o sofrimento dos outros, mas neste momento não estou em mim, caramba!) Sei que tenho uma afro que usei no carnaval, mas acho que, mesmo assim, o caniche é menos medonho visto de longe...
É inútil! Dedico-me a criar uma lista de aspectos positivos:
Mas e quando chega a hora de o lavar pela primeira vez? De repente, eis que o cabelo se descontrola, pontas atiçam-se em todas as direcções, a escova começa a parecer minúscula ao pé da juba e então sim, gritam: MAS QUE MERDA É ESTA?!
SOS mundo, estou num momento desses! O meu lindo cabelo longo foi substituído por um penteado à lá caniche e eu só quero um gorro bonito para o esconder!
"Respira, respira... o cabelo cresce, nada de dramas...! SIM, E ATÉ LÁ? "Pões uns ganchinhos, umas fitinhas..." ARRRRGH (diálogo travado entre mim e o espelho)
Volto a lavar o cabelo, a penteá-lo, a prendê-lo com ganchos e ganchinhos. Encho-o com quilos de espuma na esperança de domar a juba há muito adormecida pelo peso dos meus velhos cabelos compridos.
"Há pessoas que nem sequer têm cabelo!", um argumento estúpido, mesmo vindo de um espelho... Tento concentrar-me nas velhinhas carecas mas de repente lembro-me que não conheço nenhuma velhinha careca. Lembro-me daquele árbitro que não tem pêlos e vejo se me consigo sentir melhor (é horrível, eu sei, tentar sentir-me melhor com o sofrimento dos outros, mas neste momento não estou em mim, caramba!) Sei que tenho uma afro que usei no carnaval, mas acho que, mesmo assim, o caniche é menos medonho visto de longe...
É inútil! Dedico-me a criar uma lista de aspectos positivos:
- menos calor no verão
- menos trabalho a pentear
- menos.....
pronto, é curta mas existe, e já se sabe que isso do tamanho não interessa para nada! 
Monday, May 21, 2007
Laura Lopez Castro - No es por ser ni por estar
Tem tudo a ver comigo: a melodia, a letra, o vídeo, a voz dela, as estrelinhas e até o nome :P
Sunday, May 20, 2007
Janela
Gosto do mundo, visto da minha janela. Encosto-me a ela e olho. E sonho em ver tudo. Sonho que estas linhas me levam para lá da estação que vem inscrita no meu bilhete. Que tenho um passe para o mundo. Sem limites, prazos ou condições. E se o mundo fosse meu...

Sunday, May 13, 2007
Sonho
Tinha sede. Andava e nunca chegava. E cada passo mais perto era um passo mais longe de onde partira. E chegar onde se não tinha destino? A meta entrelaçada de sonhos que voa ao sabor do vento. Já não a vejo, cobriu-se do pó do tempo. Perdeu-se no meio da areia que me prende os pés. Queria chegar. Lá. Onde dizem que os sonhos se tornam reais. Onde podes ter asas e beber das flores. Abelha, borboleta, efémera. Efémeros os passos, os pés. Efémeras as pegadas que desparecem atrás de mim. Viro-me e nunca fui. Nunca lá estive.
Acordei. Era sonho. Não voltou. Ficou guardado nos fios da almofada, grãos de areia nos lençois, tu que não voltas mais.
Acordei. Era sonho. Não voltou. Ficou guardado nos fios da almofada, grãos de areia nos lençois, tu que não voltas mais.
Thursday, May 10, 2007
Irresponsabilidade boémia
Como um desabafo, a minha época parece-me errada. A época do cinzento, da correria, da falta de tudo: de tempo, de espaço, de atenção, de carinho.
Sei que não estou sozinha: talvez seja um mal da minha geração, este sentimento de não pertencer ao nosso tempo, de nostalgia por uma época que não vivemos nem conhecemos senão a partir dos livros e filmes, e da boca daqueles que estiveram mais perto dela. Há quem deseje os loucos anos 20, os rebeldes 60, o espírito dos 80. Sonhamos com brindes durante um concerto de jazz nos clubes de New Orleans, com vestidos até aos pés e pó de arroz debaixo dos leques do século XVIII, com as calças à boca de sino e as flores no cabelo enquanto gritamos palavras de revolução.
Estava a conduzir o meu carro do século XX (sim, ele ainda é do século passado, mas, "porém, ele move-se!") enquanto ouvia uma entrevista numa estação de rádio qualquer. Um fotógrafo dizia que sempre fora vadio. Uma palavra com uma conotação sempre tão negativa, ganhava uma outra força quando dita pela sua voz. Vida vadia, essa vida um pouco fora das normas sociais, sem horários nem compromissos habituais, em que partia com a câmara para onde fosse para fotografar o que quisesse. O sonho de uma irresponsabilidade boémia. E o escritor, debruçado sobre o papel sob a luz ténue de uma qualquer lâmpada, o cigarro pendente dos lábios, os óculos a descairem sobre a ponta do nariz. As frases a surgirem e a desaparecerem novamente sob uma chuva de riscos numa eterna procura da perfeição. O escritor que se disfarça com os nomes e os rostos das suas personagens e idealiza para elas um rumo, um mundo e um ser. Tão perto de ser Deus, força suprema, destino, sei lá, criando e destruindo vidas, gerindo as emoções e acções de pessoas de tinta e papel.
Quem me dera essa vida vadia, de sonhos e origamis...
Sei que não estou sozinha: talvez seja um mal da minha geração, este sentimento de não pertencer ao nosso tempo, de nostalgia por uma época que não vivemos nem conhecemos senão a partir dos livros e filmes, e da boca daqueles que estiveram mais perto dela. Há quem deseje os loucos anos 20, os rebeldes 60, o espírito dos 80. Sonhamos com brindes durante um concerto de jazz nos clubes de New Orleans, com vestidos até aos pés e pó de arroz debaixo dos leques do século XVIII, com as calças à boca de sino e as flores no cabelo enquanto gritamos palavras de revolução.
Estava a conduzir o meu carro do século XX (sim, ele ainda é do século passado, mas, "porém, ele move-se!") enquanto ouvia uma entrevista numa estação de rádio qualquer. Um fotógrafo dizia que sempre fora vadio. Uma palavra com uma conotação sempre tão negativa, ganhava uma outra força quando dita pela sua voz. Vida vadia, essa vida um pouco fora das normas sociais, sem horários nem compromissos habituais, em que partia com a câmara para onde fosse para fotografar o que quisesse. O sonho de uma irresponsabilidade boémia. E o escritor, debruçado sobre o papel sob a luz ténue de uma qualquer lâmpada, o cigarro pendente dos lábios, os óculos a descairem sobre a ponta do nariz. As frases a surgirem e a desaparecerem novamente sob uma chuva de riscos numa eterna procura da perfeição. O escritor que se disfarça com os nomes e os rostos das suas personagens e idealiza para elas um rumo, um mundo e um ser. Tão perto de ser Deus, força suprema, destino, sei lá, criando e destruindo vidas, gerindo as emoções e acções de pessoas de tinta e papel.
Quem me dera essa vida vadia, de sonhos e origamis...
Friday, May 04, 2007
Obrigatório MESMO
Cheguei lá por indicação no blog do Carlos Moura. Valeu a pena. Mais que isso, foi fundamental. Um trabalho que ganhou o Pulitzer e que nos recorda como a vida é preciosa e frágil, e que todos os dias devem ser vividos ao máximo... Carpe Diem. Vejam mesmo!
http://www.pulitzer.org/year/2007/feature-photography/works/index.html
http://www.pulitzer.org/year/2007/feature-photography/works/index.html
Jogo de vida

No meu 10º ou 11º ano fui apresentada a uma forma de (vi)ver que me mudou para sempre: a filosofia. Todos temos um pouco de filósofos em nós, quando decidimos compreender, ou tentar compreender, aquilo que, de momento, não compreendemos. Filosofia estética, metafísica, moral... que importa? Filosofia, amor ao conhecimento, procura eterna, eterna sede de saber. Foi nessa disciplina, Filosofia, como se todos os seus princípios se pudessem aprender em 2 ou 3 anos, que aprendi uma das maiores lições, que guardo até hoje: o mais importante não são as respostas, mas saber fazer as perguntas.
"Só sei que nada sei", dizia, paradoxalmente, Platão. A aceitação de que nunca poderemos saber tudo foi uma das mais difíceis, a da inevitabilidade da ignorância. Talvez tenha sido devido a essa certeza de que não podemos compreender tudo que a ideia de Destino teve tanta força na Grécia....
Destino.. ou sorte? Quantas vezes não nos confrontámos com esta questão, face aos acontecimentos que não conseguimos compreender? Enquanto uns defendem a ideia de um destino inviolável, há quem se bata pelo lado do acaso. Irónico, o facto de destino e sorte serem, na sua essência, sinónimos. Prefiro acreditar no livre arbítrio: se tudo estiver destinado, que resta ao homem senão seguir coordenadas já traçadas? Diz-me um defensor do destino: Mas foste tu que traçaste o teu destino, quando ainda não eras corpo, para que pudesses aprender alguma lição. Aceito o argumento, enquanto é coerente. Renego-o quando me pergunta se sei o que acontece quando não cumprimos o nosso destino:
é porque estava traçado não o cumprirmos e, assim sendo, não era o nosso destino... certo?
"Só sei que nada sei", dizia, paradoxalmente, Platão. A aceitação de que nunca poderemos saber tudo foi uma das mais difíceis, a da inevitabilidade da ignorância. Talvez tenha sido devido a essa certeza de que não podemos compreender tudo que a ideia de Destino teve tanta força na Grécia....
Destino.. ou sorte? Quantas vezes não nos confrontámos com esta questão, face aos acontecimentos que não conseguimos compreender? Enquanto uns defendem a ideia de um destino inviolável, há quem se bata pelo lado do acaso. Irónico, o facto de destino e sorte serem, na sua essência, sinónimos. Prefiro acreditar no livre arbítrio: se tudo estiver destinado, que resta ao homem senão seguir coordenadas já traçadas? Diz-me um defensor do destino: Mas foste tu que traçaste o teu destino, quando ainda não eras corpo, para que pudesses aprender alguma lição. Aceito o argumento, enquanto é coerente. Renego-o quando me pergunta se sei o que acontece quando não cumprimos o nosso destino:
é porque estava traçado não o cumprirmos e, assim sendo, não era o nosso destino... certo?
"It's choice - not chance - that determines your destiny", Jean Nidetch
Thursday, May 03, 2007
Monday, April 30, 2007
Dia de bola
Chegamos de cachecol verdinho ao pescoço, o café já a transbordar de gente. Uns aplaudem, outros nem por isso, mas o ambiente ainda está bom, o jogo não começou. Cervejas, muitas: na mesa, ao balcão, de pé, encostados à parede. Não bebo cerveja, limito-me a esfumaçar cigarros em fila indiana. KAMIKAZEEEE grita o próximo quando lhe faço explodir a cabeça. Ai, e o golo tão cedo e a alegria precoce... e o empate ali mesmo ao lado. Ouvem-se protestos de ambos os lados, verdes e vermelhos consideram-se roubados: só concordam quando se diz que o árbitro foi comprado. "Mais uma imperial" é a frase da tarde, talvez apenas equiparada pelos "Ai"s e "Ui"s que vão sendo gritados de mesa em mesa.
Final do jogo, abanamos a cabeça. "Podia ter sido melhor", comentam uns com os outros, que em caso de empate fica tudo entre amigos.
O café que abriu excepcionalmente para o derby começa a fechar as persianas. Sinal de que é hora de sairmos. Pagam-se contas, ri-se. Levo o meu cachecol na cabeça para me proteger da chuva.
"Paris, Paris...", comento, sentindo-me uma espécie de Grace Kelly.
Olho para trás e vejo um sorriso maléfico ao balcão: claro, o gajo do café é dragão....
Final do jogo, abanamos a cabeça. "Podia ter sido melhor", comentam uns com os outros, que em caso de empate fica tudo entre amigos.
O café que abriu excepcionalmente para o derby começa a fechar as persianas. Sinal de que é hora de sairmos. Pagam-se contas, ri-se. Levo o meu cachecol na cabeça para me proteger da chuva.
"Paris, Paris...", comento, sentindo-me uma espécie de Grace Kelly.
Olho para trás e vejo um sorriso maléfico ao balcão: claro, o gajo do café é dragão....
Sunday, April 29, 2007
Para ti, que não és tu, nem sei quem és.
Não te escrevo. Perdemos tempo demais com palavras e esquecemos quem éramos. Jurámos, prometemos, sonhámos e não construímos nada suficientemente sólido para mostrar, agora. Andámos às voltas, espirais, infinitos, anéis que nunca têm fim nem começo algum. Acabámos onde começámos, mas ficámos iguais? Olha para mim: quem está aqui? Nem eu sei quem sou! Quanto mais quem fui, e se quem fui é quem sou! Confundo-te, suponho. Imagino que sim. Seria mais fácil mostrar-te os números, as datas, a fórmula de nós a dividir pelo tempo e o resultado escrito a carvão no fim da página. Odeio matemática, sou uma pessoa de letras. E se me disseres que as letras também se encontram na matemática, abano a cabeça perante a tua incompreensão. Falo de sons, de sentidos, não de símbolos traçados a químico em algum canto de papel!
Ah, e som das ondas lá fora. Uma noite que começa a cair. Esticaste-te, querias a lua, lembras-te? Dizia-te que podias guardá-la, dei-ta uma vez. Moldura de prata, uma luz desfocada num fundo negro. Não percebeste, como podias? Era a minha lua. Não podia ser tua. Estará nalgum gaveta, perdida, entre estrelas, cometas, e borboletas de asas brancas.
Vimos as estrelas, adivinhávamos constelações com nomes que brotavam da nossa imaginação. A ursa maior, a única que sabíamos localizar nesse bordado de luz. Já não sei onde fica a ursa maior. Lembro-me de um quadrado, três estrelas na ponta, uma cauda encantada de serpente. Sons de flautas no deserto que um dia seremos. Confusão, confusão, confusão. Queres saber tudo mas não posso desvendar o que não sei. Um dia vais ficar boa? Um dia vais renascer, Fénix das cinzas, coberta do cinzento do tempo, rasgado por lágrimas salgadas? Acredito....se acreditares. "Mostras-me a tua fada?" "Só se me mostrares a tua primeiro!" E as fadas escondidas, fechadas em prisões de carne e osso, segredando palavras incompreensíveis. Eu acreditava e acho que tu também. Mesmo quando abria as mãos e tudo o que via eram as linhas que me traçavam um futuro. A cigana na praia, a falar de maldições, amores, tragédias. Falava de nomes numa voz que despareceu e que se tornou eco do silêncio. Queria esses nomes, rir deles, sonhar com eles. Confusão, confusão. Não sabes quem és, suponho. Imagino que assim seja. Nem eu sei quem és. Vejo-te numa confusão de memórias. Suponho que sejas o infinito de gente que passou por aqui. Que decidiu espreitar quando passei. Que se dignou a olhar quando sorri. Que teve vontade de ler quando escrevi.
Ah, e som das ondas lá fora. Uma noite que começa a cair. Esticaste-te, querias a lua, lembras-te? Dizia-te que podias guardá-la, dei-ta uma vez. Moldura de prata, uma luz desfocada num fundo negro. Não percebeste, como podias? Era a minha lua. Não podia ser tua. Estará nalgum gaveta, perdida, entre estrelas, cometas, e borboletas de asas brancas.
Vimos as estrelas, adivinhávamos constelações com nomes que brotavam da nossa imaginação. A ursa maior, a única que sabíamos localizar nesse bordado de luz. Já não sei onde fica a ursa maior. Lembro-me de um quadrado, três estrelas na ponta, uma cauda encantada de serpente. Sons de flautas no deserto que um dia seremos. Confusão, confusão, confusão. Queres saber tudo mas não posso desvendar o que não sei. Um dia vais ficar boa? Um dia vais renascer, Fénix das cinzas, coberta do cinzento do tempo, rasgado por lágrimas salgadas? Acredito....se acreditares. "Mostras-me a tua fada?" "Só se me mostrares a tua primeiro!" E as fadas escondidas, fechadas em prisões de carne e osso, segredando palavras incompreensíveis. Eu acreditava e acho que tu também. Mesmo quando abria as mãos e tudo o que via eram as linhas que me traçavam um futuro. A cigana na praia, a falar de maldições, amores, tragédias. Falava de nomes numa voz que despareceu e que se tornou eco do silêncio. Queria esses nomes, rir deles, sonhar com eles. Confusão, confusão. Não sabes quem és, suponho. Imagino que assim seja. Nem eu sei quem és. Vejo-te numa confusão de memórias. Suponho que sejas o infinito de gente que passou por aqui. Que decidiu espreitar quando passei. Que se dignou a olhar quando sorri. Que teve vontade de ler quando escrevi.
Thursday, April 26, 2007
A tua verdade
As pessoas medem-se nas situações difíceis. É nessas alturas que se provam os valores, os princípios e todas as ideologias aclamadas em mesas de café. É, então, nessas alturas, que se mede a verdadeira grandeza de cada pessoa.
Sempre optei por me centrar nos defeitos; não por algum pessimismo triste que habite dentro de mim, mas porque os defeitos, regra geral, não se fingem. Ninguém quer parecer pior que aquilo que é. Já as qualidades não me seduzem, voláteis e frágeis, prestes a partir a cada obstáculo.
Conheci-te, pela primeira vez, ontem. A desilusão de ti foi atenuada pela alegria de ver que ainda existem pessoas que conheço, verdadeiramente. Que ainda há pessoas que quando estão em situações difíceis não deixam para trás aquilo que defendem. Esse tipo de pessoas, que ficam contigo a noite toda, que abdicam de uns quantos risos para suportar umas quantas lágrimas, que te despertam para veres quão maravilhoso é viver.
Perguntaram-me ontem, curiosamente, se sou feliz. Do nada, de repente, sem imaginar a revolução que se passava dentro de mim. E tudo ficou mais claro:
"Sou feliz porque estou rodeada de pessoas que gosto e que gostam de mim"
Sempre optei por me centrar nos defeitos; não por algum pessimismo triste que habite dentro de mim, mas porque os defeitos, regra geral, não se fingem. Ninguém quer parecer pior que aquilo que é. Já as qualidades não me seduzem, voláteis e frágeis, prestes a partir a cada obstáculo.
Conheci-te, pela primeira vez, ontem. A desilusão de ti foi atenuada pela alegria de ver que ainda existem pessoas que conheço, verdadeiramente. Que ainda há pessoas que quando estão em situações difíceis não deixam para trás aquilo que defendem. Esse tipo de pessoas, que ficam contigo a noite toda, que abdicam de uns quantos risos para suportar umas quantas lágrimas, que te despertam para veres quão maravilhoso é viver.
Perguntaram-me ontem, curiosamente, se sou feliz. Do nada, de repente, sem imaginar a revolução que se passava dentro de mim. E tudo ficou mais claro:
"Sou feliz porque estou rodeada de pessoas que gosto e que gostam de mim"
Tuesday, April 24, 2007
Ding dong
Eu nunca me perco, simplesmente sigo um caminho diferente. Eu nunca me arrependo, só que às vezes desejo poder repetir as coisas de outra maneira. Eu nunca me zango, mas às vezes não me apetece falar contigo. Eu nunca minto, mas a verdade é relativa. Eu nunca tropeço nos meus pés, é o chão que me faz rasteiras. Eu nunca estou sozinha, estou só a disfrutar da minha companhia. Eu nunca choro, embora às vezes possa lacrimejar.
(Já repararam como nunca é uma palavra que soa tão ridícula? "Nunca!"... É quase tipo "pimbas" ou "ding dong"!")
(Já repararam como nunca é uma palavra que soa tão ridícula? "Nunca!"... É quase tipo "pimbas" ou "ding dong"!")
Sunday, April 22, 2007
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