Thursday, August 23, 2007
Vamos fazer a dança do sol?
Monday, August 20, 2007
Adoravel, vertiginosa e encantadoramente dolorosos saltos altos
Os saltos são, por excelência, o expoente máximo do feminino. Na vida real e na arte, lá estão eles, numa montra, a piscar-nos o olho, sedutores e vertiginosamente altos. Agulhas, plataformas, cunhas... é salto e é bom.
Lembram-se de como as protagonistas de "Sexo e a Cidade" suspiravam pelos seus JimmyChoos? Sapatos, altos, altíssimos de preferência, faziam as delícias das amigas de Nova Iorque e espicaçavam-nos a vontade de comprar uns.
Muitas mulheres têm, como eu, uma relação de amor-ódio com os saltos. Adoro vê-los nos pés, mas detesto usá-los e suspiro de alívio de cada vez que os descalço.
No Inverno, os saltos são palavra estranha para mim. São as poças de água, a lama, o corre-corre para evitar uma chuvada. Saltos, no Inverno, só mesmo plataformas, confortáveis e invisíveis debaixo das calças compridas.
Mas no Verão, lá estão, os meus saltos, lindos e polidos, a fazer sobressair o pé castanhinho do sol. E aí, é difícil resistir. Eles num canto, as havaianas no outro, travam combates sangrentos pela minha atenção. Geralmente, ganham as havaianas (suponho que os saltos se desequilibrem mais facilmente) mas, principalmente à noite, os saltos dão um ar de sua graça e saltam-me para os pés, ficando eu embevecida, a olhar para os saltinhos de senhorinha nos meus pés de miúda (35/36...).
Resumindo, os saltos não são sapatos. São muito mais que isso. Como dizia a Helen Hunt em "Bobby", depois de comprar uns sapatos de salto alto pretos "It's not about how they feel, but how they look" e eles pareciam, de facto, fantásticos. Saltos são tortura até ao momento em que se cria calo. Felizmente, como não os uso muito, continuam a ser uma tortura para mim. Antes uma noite de sofrimento que uns calos nos pés. É que os calos são só um dos problemas dos fantásticos saltos: dores na coluna, problemas de coluna quando formos mais velhas, calos, joanetes e sei lá mais o quê. Argumentos fracos hoje em dia, em que as pessoas pagam para ser retalhadas em nome da beleza. O Dr House, num espisódio, recusou uma assistente por ela usar saltos altos "Uma mulher que prefere trabalhar de saltos a andar confortável é uma mulher insegura"(algo assim). Fiquei tão orgulhosa por nunca levar saltos para a faculdade!
Sou só uma mulher segura que, de vez em quando, gosta de ver o mundo do topo dos seus saltos altos.
Sunday, August 19, 2007
Oh ser ou não ser, eis a questão!
O que torna, então, algumas pessoas permanentes e outras, pura e simplesmente, descartáveis, na minha memória? Apresentem-se dois sujeitos, A e B, durante os mesmos 5 minutos, numa mesma situação. O que tornará A mais ou menos recordável que B?
1. O aspecto físico. Eu sou adepta ferrenha da beleza interior, mas os olhos também vêem. E neste ponto, conta não só a beleza mas também a originalidade. Meninas com franjinhas à moda, óculos à moda, brincos à moda e colares à moda parecem todas mascaradas de igual e torna-se quase impossível decorar as caras delas. Por outro lado, um maluquinho com aspecto de Einstein não me passará despercebido!
2. De A a Z. Alguém que fale será, é natural, mais facilmente reconhecível que alguém que se limite a dizer "passas-me o cinzeiro?". Se bem que algumas pessoas sabem criar uma aura misteriosa à volta delas, com o seu silêncio e olhar inquieto, que nos faz decorar a cara delas para a descrevermos à polícia caso rebente alguma bomba perto.
A verdade é que ter uma memória selectiva, como todos temos, pode ditar situações que preferíamos evitar. Como quando conversamos durante meia hora com alguém a quem só podemos tratar por "tu", "miúda/miúdo" e outros nomes estrategicamente usados nestas situações em que o nosso interlocutor desapareceu da nossa memória.
Um plano bom mesmo, mas mesmo, era tirar fotografias com o telemóvel (bem discreto) às pessoas que se vão sentando na minha mesa, e rotulá-las com o nome e árvore amizadeológica (uma árvore que estabelecia os nossos laços, através das pessoas que conhecíamos, para termos sempre um tema de conversa que seria, claro está, o amigo em comum).
É chato não saber o nome das pessoas. É pior ainda não lhes reconhecer a cara. Mas mau mau é não saberes se alguém te conhece mesmo ou se não passa de um psicopata e ficares ali a sorrir, com cara de parva, enquanto lhe chamas "tu".
Por isso, se me virem estranhamente inclinada na vossa direcção, com o telemóvel na mão, sorriam :)
Friday, August 10, 2007
Isn't that ironic sir?
Acordo com o telemóvel a tocar ainda não são 10 horas. Sabem como é quando o telemóvel toca de manhã? O toque é sempre mais irritante, mais estrindente, parece feito de propósito para nos garantir que o dia não vai correr bem.
Feitas as contas, não prevejo insónias para hoje. Até porque estarei no meu cantinho sagrado, no meio do silêncio e do escuro que ninguém pode perturbar. As malas ainda não estão feitas e ouço reclamações no andar de baixo.
Deus, o destino, o acaso, sei lá, deve ser comediante. Deve ser um gajo com aquele humor muito british, carregado de ironias. Porque quando decides deitar fora o teu "kispo", ele decide fazer chover... (e aqui fica uma bela metáfora para quem a perceber).
Ironic (Alanis Morissette)
"An old man turned ninety-eight
He won the lottery and died the next day
It's a black fly in your Chardonnay
It's a death row pardon two minutes too late
Isn't it ironic ... don't you think
Chorus
It's like rain on your wedding day
It's a free ride when you've already paid
It's the good advice that you just didn't take
Who would've thought ... it figures
Mr. Play It Safe was afraid to fly
He packed his suitcase and kissed his kids good-bye
He waited his whole damn life to take that flight
And as the plane crashed down he thought
'Well isn't this nice...'
And isn't it ironic ... don't you think
Repeat Chorus
Well life has a funny way of sneaking up on you
When you think everything's okay and everything's going right
And life has a funny way of helping you out when
You think everything's gone wrong and everything blows up
In your face
It's a traffic jam when you're already late
It's a no-smoking sign on your cigarette break
It's like ten thousand spoons when all you need is a knife
It's meeting the man of my dreams
And then meeting his beautiful wife
And isn't it ironic... don't you think
A little too ironic... and yeah I really do think...
Repeat Chorus
Life has a funny way of sneaking up on you
Life has a funny, funny way of helping you out
Helping you out "
"A vida tem uma forma estranha de te ajudar"... Eu acredito que sim ;)
PS- Já toda a gente sabe que eu gosto mesmo de me molhar na chuva.
Insónia
Há as noites em que o passado bate à porta e se demora por aí. Hesitamos mas não dormimos. Formigueiro nos neurónios, uma comichão na alma. O futuro balança no topo de uma corda como uma artista de circo que se tenta equilibrar (e "ai se ele cai... vai-se partir" :P o sono não vem mas a noite vai longa e o cérebro vai acumulando funções que o tornam menos coerente).
Se escrever coisas sem nexo, o mundo perdoa-me. Sou só uma miúda com insónias. As pessoas com insónias não têm nexo. As pessoas sem nexo com insónias são disléxicas (hummmmmm....).
E esta miúda com insónias quer comprar um barco. Decidi este Verão que quero um barco. Não quero um iate nem nada disso. Quero só um barquinho com motor para poder perder-me por aí. Na verdade, o que eu quero mesmo é chegar às praias desertas. Pronto, confessei. E depois monto uma cabana deserta numa praia deserta e levo para lá uns desertores de vez em quando, daqueles que gostam mesmo de desertar e de estar em sítios desertos.
A minha vida na praia deserta seria feita à base de estórias à volta da fogueira. O que é complicado quando nunca se acendeu uma fogueira (pelo menos, não uma a sério, daquelas que os "escutas" fazem, todas giras. Será que eles as conseguem acender com duas pedras? Nota: conhecer algum escuteiro/escuteira e perguntar-lhe como é que se faz o truque.)
Depois das estórias íamos assar o peixe. O que também pode revelar-se um problema quando não se é propriamente um ser paciente, sendo que a pesca requer, acreditem que eu sei, MUITA paciência. E é preciso alguém arrancar as tripas do peixe, a não ser que um dos desertores tenha experiência no ramo da peixaria o que me facilitaria imenso a coisa. (nota 2: convencer um potencial desertor a passar uns tempos numa peixaria).
O melhor da coisa é que comíamos em folhas, que serviam de pratos, e assim nunca havia louça para lavar!
Bem, apresentando o pacote de férias, aceitam-se inscrições para desertores. Enviem o vosso C.V. completo, tendo em conta que se valoriza experiência na área da pirotecnia e o do peixe.
PS - acabo de me lembrar que este ano os escuteiros foram proibidos de acender fogueiras. O que é um acampamento sem fogueira pahhh? Agora a malta vai acampar e leva a lamparina de óleo? É uma vergonha, eu tou com os escutas.
PPS - compreendo que isso das fogueiras seja uma medida aparentemente boa para combater os fogos florestais. Mas os escuteiros são daqueles que até saltam em cima das brasas descalços, se for preciso, para garantir que não vai arder nada.
PPPS- dito isto, quero que saibam que nunca vi nenhum escuteiro saltar em cima de brasas e portanto não tentem fazer isso em casa. Deve ser preciso muito calo e toda a gente sabe que isso tá fora de moda. É isso e joanetes.
PPPPS - joanetes. Que horror de nome. Até parece que têm alguma coisa a ver com as "joanas". Eu conheço uma Joana. Mora cá em casa. No quarto ao lado do meu. É uma fixe e, garanto, não tem joanetes.
PPPPPPS- é incrível mas ainda não tenho sono. Os loureiros são óptimos para a comida mas ATENÇÃO: pelo que me chegou aos ouvidos o seu caule é cancerígeno e por isso não se pode abusar. Pelo sim, pelo não, e porque não gosto de mentir, vou confirmar no Google.
PPPPPPPS- não encontrei qualquer referência ao loureiro como sendo cancerígeno. Ou é falso ou o Google patrocina alguma marca de loureiros... No entanto encontrei muito boa gente com o apelido "Loureiro". Não conheço nenhum(a) Loureiro. Chato. Quem me passou a informação sobre o loureiro foi uma boa amiga, cujo segredo recebeu da mãe que provavelmente o terá aprendido com a avó. Se calhar é uma coisa "underground". Caso se venha a confirmar, depois não se esqueçam de me remeter as vossas contribuições. Afinal, quem avisa meu amigo é. Ou teu amigo é? É amigo do mundo e pronto!
PPPPPPPPS- bolas já levo 8 Ps. Já chega. A estas horas quem tiver chegado até aqui já conhece o segredo do loureiro e viu o seu esforço recompensado. Qualquer erro ou dificuldade de expressão deverá ser perdoada pelos olhos que se entortam perante o ecrã e as mãos mais hesitantes. E já não tenho unhas grandes. É diferente teclar assim. Parti 3 a jogar volei, e mandei as outras à vida. Uma pessoa não pode deixar de viver a vida por causa de umas unhas não acham? Assim, as minhas mãos ainda parecem mais pequenas. Mas MESMO pequenas. Tipo, mãos de anão da Branca de Neve. Ai, eu sou o Feliz. Ou Contente. Sou aquele que se ri de tudo.
Aposto que pensavam que vinha aí outro PS. AAHAHAH. Não: sou só eu. Porque o PS não sou eu... Eu nem sou dada a política.
E neste momento perguntam-se as únicas duas pessoas que chegaram a este ponto: "mas a miúda engoliu pilhas duracel?" e eu fico com um ar suspeito tipo: mas vocês andam a fazer algum tipo de publicidade à duracel? Eu só compro pilhas no chinês. Ou no senhor asiático. Porque aprendi hoje no cinema, num anúncio que passa antes do filme, que não se pode dizer "chinoca" nem "preto" nem "branco" nem "monhé" nem "brasuca" nem "de leste"................. Como se o racismo fosse isso.... Olhem, eu sou um bocadinho para a cor do leite com café, por causa do bronze. Sou B..PIIIIIIII (palavra proibida) mas não posso dizer porque senão sou racista. E tenho amigos mais coloridos e escurinhos, eles são P...PIIIIIIIII (palavra proibida), quer dizer são "de cor" porque mais ninguém tem cor, o resto é tudo gente transparente.... E quando eu for jantar ao restaurante da senhora asiática se estiver lá algum senhor daqueles países que se juntaram à União Europeia mais tarde tenho de lhe perguntar donde é que ele veio porque aparentemente eles não são "De L....PIIIIIII" (palavra proibida), isso é só para nos confundir as direcções.
Ah e o senhor que nos vendeu as flores no jantar de terça feira era indiano. Essa foi fácil.
Em vez de se preocuparem com as palavras preocupem-se mais com as condições de vida e com a integração das pessoas. Promovam uma maior circulação de informação sobre as diferentes culturas para que todos percebam que as diferenças não são assim tão grandes. Legalizem os imigrantes em vez de os chularem. Expliquem-lhes os direitos deles para que se possam defender. Mostrem ao mundo que as diferenças enriquecem e que a partilha de experiências nos torna maiores.
Isso sim, é importante. Por mim, chamem-me Bran...PIIIIIIII à vontade!
Para finalizar deixo aqui um poema muito bonito sobre Emigrantes e Imigrantes e sobre Imersão e Emersão. É que a estas horas convém ter uma ajudinha:
Emigra o bom português
Que vai viver em Paris;
Porém imigra o francês
Que vem prò nosso País.
Ninguém terá mais engulhos
Com esta regra ratona:
Imerge quem dá mergulhos
Emerge quem vem à tona.
Nunca mais ninguém duvida
Ante esta regra engraçada:
Com um E… temos saída,
Com um I… temos entrada.
I. Aguilar
Caixinha de surpresas
Não me digas "bom dia" quando me vires, pela manhã. Faz-me um desenho e destrói-o em pedaços de papel, para que o possa montar. Está bem, eu fecho os olhos. Mas tenho medo de abrir a mão. Juras que não é nada de mal?
Conduz do lado errado uma vez na vida, entra vestido no mar, come um gelado debaixo do guarda-chuva. Não posso abrir a mão, estou a agarrar o guarda-chuva e preciso de equilíbrio. Mas fecho os olhos se me avisares dos degraus.
Apanha o comboio sem reparares no destino, escolhe um filme sem conheceres o argumento, não me dês rosas, dá-me girassóis! E eu abro a mão e fecho os olhos, enquanto te ajudo a roubar uma flor num jardim.
E, se assim for, eu hei-de ser sempre aquela pessoa que te diz baixinho ao ouvido "Abre a mão e fecha os olhos".
Gatafunhos
Qual é o objectivo de um blog? Divulgar ensinamentos, moralismos, lições? Dizermos "Sim, eu existo, olhem para mim!"?
Escrevemos. Vamos debitando linhas impecavelmente traçadas pelo digital. Como eu disse um dia, de que me valeram os esforços no sentido de melhorar a minha caligrafia? De que me valeram os sermões da professora Dulce? "Tens de fazer os teus trabalhos mais apresentáveis. Escreves tudo esborratado, tudo sujo e riscado. Se calhar, é melhor comprares um caderno de linhas duplas para treinares uma letra mais bonitinha."
Suei. Tracei linhas sem fim, testei letras redondas, compridas, à máquina, letras curcundas e elegantes. Finalmente, uma caligrafia impecável, legível. E agora?
Gostava de encontrar a professora Dulce e mostrar-lhe a minha caligrafia perfeita. Calculada, treinada, melhorada com os anos.
Mas na pressa, ela não tem tempo de se mascarar. Voltam os gatafunhos, a letra arrastada, os altos e baixos de uma caneta demasiado lenta para o que quero escrever.
Eu sou assim, como a minha caligrafia. Com os anos fui tentando aperfeiçoar-me, com esforço. Fui tentando ser mais calma, mais ponderada, mais compreensível para os outros. Mas, no fundo, não passo da letra arrastada, apressada e ilegível duma mão que desenha estrelas no canto das páginas. E isso não se esconde.
"Mesmo os dias maus são dias"
É assim e sabe bem.
Sabe bem tirar a crosta duma ferida que sarou. É vício. É o sentimento de vitória perante a dor que já não dói. Apagou-se.
E o mundo girou outra vez debaixo dos meus pés e eu não o senti. Mas ele reflecte-se em cada expressão nova que ganho, nalguma ruga que um dia surgirá, numa borbulha que odiamos pela manhã, nos casacos que não podemos usar porque é Verão. E é bom saber que ele vai continuar a girar mesmo quando eu não tiver força para rodar a grande alavanca. Mesmo assim, ele vai continuar o seu percurso eliptíco, sem se deixar dormir mais cinco minutos, rabugento, debaixo dos lençóis.
"Mesmo os dias maus são dias". Um dia escrevi esta frase num papel qualquer amarrotado no fundo da carteira. Prendi-o num carro e deixei-o ficar lá.
Mesmo os dias maus são dias. E só os podemos viver porque estamos vivos. Tem lógica, não tem? O mau fica algo cinzento, quando pensamos que um dia não vamos poder ter dias maus porque já não vão haver dias. E dias e dias e dias que se repetem, uns atrás dos outros, até ao dia que já não chega.
Com esta lição, não custa tanto. Se tiver de chorar, que seja de estores abertos para poder ver a rua mexer-se, lá em baixo, e o mundo girar, outra vez.
Tuesday, August 07, 2007
Adiarei o meu regresso ainda que em mentira...
Pelas minhas paragens foram ficando pedaços de mim e roubei-lhes as imagens que poderei guardar para sempre comigo (ou até que o Alzheimer as leve....).
E quero partir. Quero voltar à estrada, às estações de serviço, às lutas pelos lugares à janela, às discussões pela música no rádio. Sim, quero voltar ao calor insuportável e ao desconforto nos bancos de trás. Quero voltar à linha do comboio que não acabava nunca e às sandes embaladas em papel celofane. Quero voltar às ovelhinhas que criam trânsito e aos passeios de barco pelo rio com mais ou menos energia.
Estas foram umas das melhores férias de sempre. Os destinos? Os dos costume. Então porque é que desta vez foi tão especial? Será que os lugares mudaram, ou mudei eu? Será que o regresso a casa já não é tão doce? Não sei. Mas quem me dera partir hoje, agora, já, e voltar aos caminhos do ontem que ainda se desenham na minha memória.
Wednesday, July 11, 2007
As meninas bem comportadas
Estas meninas faziam asneiras mas no fim aprendiam a lição. Caíam ao lago, levavam estranhos para casa (que, claro, eram sempre pessoas de boas famílias e portanto nunca as raptavam), andavam ao estaladão... enfim!
O que me levou a recordar hoje, passados tantos anos, essas meninas e as suas peripécias? A conclusão de que as meninas bem comportadas eram, na verdade, meninas mal comportadas que aprendiam com os seus erros. E que, afinal, a autora daquele livro foi a origem de todo o meu mau comportamento que, na verdade, era só bom comportamento camuflado! E mais: quem me comprou o livro foram os meus pais, fonte, portanto, de qualquer asneira por eles repreendida.
Mas o mais importante de tudo? Confirma-se a regra: "As meninas boas vão para o céu. As más... para todo o lado!". É que aquelas pestinhas andavam sempre em festas chiques em salões, grandes passeios de coche, vestidos com lacinhos da última moda. E afinal, o que fazia as meninas boazinhas não era não fazerem asneiras mas o facto de aprenderem sempre uma lição com os seus erros.
Assim, as meninas boazinhas não são as que não saltam nas poças para não molhar as meias. São as que saltam, ficam encharcadas, constipam-se e depois aprendem. E pronto, é verdade que às vezes não aprendem à primeira, mas um dia vão aprender!
PS- é verdade, eu ainda salto nas poças...
Monday, July 09, 2007
A revolta do meu teclado
Pesadelo do bloguista, cronista, experiência de escritor, isto de teclar no espaço vazio onde se estica o corpo decepado do botão de borracha.
Esqueçamos a tecla N e o seu capricho de aventura. Esqueçamos que se encontra nalgum fundo de gaveta onde aguarda o momento em que será, novamente, presa ao seu teclado por alguém mais credenciado que eu. Quando os objectos ainda se encontram dentro da garantia, é melhor não mexer, avisaram-me. Larga o tubo de cola tudo, e deixa esse martelo onde estava. Está bem, deixemos o meu N vaguear nos sonhos, acreditar que é livre no fundo da sua gaveta, pensar, talvez, que está já em viagem, a caminho de algum sítio melhor.
Cansou-se de levar porrada, até entendo. Vida difícil esta de tecla, eternamente espancada pelos dedos pesados de alguém que se lembrou que queria escrever. O "G" também já não me responde bem. Tenho de o forçar, para que me responda. Em vez de fugir, remeteu-se ao silêncio. Carrego nele repetidamente até que cede. O meu G quer Gotas de chuva, Gritos no telhado, Grinaldas de flores e Gomas de banana.
Aos poucos elas vão-se revoltando, e, pelo sim pelo não, conservo o papel e a caneta para um desses dias sem nome.
Saturday, July 07, 2007
Universos paralelos
Sunday, July 01, 2007
Fantoches
Cá dentro, somos um mundo em conflito. Um mundo que possui as armas mais poderosas de sempre, com capacidade de nos destruir por dentro. Haverá pior forma de destruição, que o corpo vazio, condenado à existência aparente, à dor da ausência, à ausência de dor?
O difícil não é perdoar os outros, é perdoarmo-nos. Nós, fantoches de prazer, sempre empenhados em fazer com que os outros nos aprovem, com que os outros nos valorizem. Demasiado empenhados para que nos lembremos de nos aprovarmos primeiro. Personalidades difusas, perdidas, vagueantes e inconscientes de si.
Para fazer a paz comigo, corto os fios que me conduzem. Solto-me do emaranhado de risos e sorrisos, palavras simpáticas e amáveis. Descoso a língua que trago presa, rasgo os pedaços de tecido colorido e brilhante, a flanela confortável, a seda macia.
Deixo esse palco de luzes e música, os espectadores que não sabem que todos eles se encontram, como eu, presos aos fios, os gestos medidos, as palavras planeadas.
Faço a paz comigo. Faço a paz com o mundo. E perdoo os fantoches que sem o saberem encenam mais um acto no palco da vida e me arranham com os seus fios que balançam ininterruptos.
Os meus heróis
Na adolescência, os nosso pais são o diabo vestido. Não sabem nada, só querem o nosso mal, parecem empenhados em destruir qualquer vestígio de vida social que tenhamos.
E, de repente, crescemos. E os nossos pais são os nossos heróis outra vez. Mesmo sem saberem tudo, mesmo sem terem a solução para qualquer problema. Porque não haverá nunca ninguém que nos ame tão incondicionalmente, que nos coloque em primeiro lugar, que mova montanhas para sermos felizes. Os meus pais são os meus heróis. Por tudo o que fazem, por tudo o que dizem, mesmo quando não concordo com eles. Por se levantarem todos os dias de manhã para irem trabalhar, mesmo cansados, para nos poderem dar tudo o que precisamos. Por receberem tantas vezes a ingratidão e estarem sempre de braços abertos para me receber a mim. Por aceitarem que somos diferentes e nunca me terem imposto um caminho. Por me permitirem que cometa os meus erros, mesmo com medo que me magoe. Por quererem, pura e simplesmente, que eu seja feliz.
Os maiores heróis não são os de ferro, os imbatíveis, os insensíveis. Os maiores heróis são os de carne e osso, que sofrem, que choram, que sangram, que têm medo, e que, mesmo assim, fazem tudo por nós.
Sunday, June 17, 2007
Tens sonhos?
Tarde demais. Se não estiveres, fui devagar. Os pés que se arrastaram pelo chão encerado. O meu reflexo turvo que desaparece à minha passagem. Magia. Pós de fada presos à pele. Tens sonhos? Vendo-te dois sonhos e uma utopia, em troca de uma dose de realidade negra. Os sonhos não têm prazo de validade, parece-me uma troca justa, e as utopias são sempre jovens. Consumo a tua dose de realidade em êxtase. Quero sentir os pés no chão. Quero acordar sem desespero. Tenho sonhos comigo para dar e vender. E sinto-a nas veias como um veneno dilacerante. E a realidade confunde-me as cores, e o mundo é negro e o meu corpo é vermelho. E, de repente, não tenho asas. E, de repente, sou só alguém. Perco-me nessas ruas iguais, nessa multidão desfigurada, em néons e ruídos. Escondo o sorriso e baixo a cabeça quando avanço. Posso fingir que está tudo bem enquanto a realidade me faz alucinar.
Monday, June 04, 2007
Cansada
Cansei da nossa relação perfeita à superfície. Cansei dos arranhões que escondo, das palavras que engulo, dos sorrisos de etiqueta. Dos apertos de mão formais, dos beijinhos que trazem veneno, das palavras deixadas a pairar para quem as quiser apanhar.
Quero gritar. Quero rasgar o véu dourado com que cubrimos as noites e deixar a podridão ao vento. Para que todos sejam forçados a vê-la e a reconheçam.
E, depois, cada sorriso será genuíno, cada palavra mais que educação, cada abraço um gesto sincero.
Thursday, May 24, 2007
Tenho um caniche!
Mas e quando chega a hora de o lavar pela primeira vez? De repente, eis que o cabelo se descontrola, pontas atiçam-se em todas as direcções, a escova começa a parecer minúscula ao pé da juba e então sim, gritam: MAS QUE MERDA É ESTA?!
SOS mundo, estou num momento desses! O meu lindo cabelo longo foi substituído por um penteado à lá caniche e eu só quero um gorro bonito para o esconder!
"Respira, respira... o cabelo cresce, nada de dramas...! SIM, E ATÉ LÁ? "Pões uns ganchinhos, umas fitinhas..." ARRRRGH (diálogo travado entre mim e o espelho)
Volto a lavar o cabelo, a penteá-lo, a prendê-lo com ganchos e ganchinhos. Encho-o com quilos de espuma na esperança de domar a juba há muito adormecida pelo peso dos meus velhos cabelos compridos.
"Há pessoas que nem sequer têm cabelo!", um argumento estúpido, mesmo vindo de um espelho... Tento concentrar-me nas velhinhas carecas mas de repente lembro-me que não conheço nenhuma velhinha careca. Lembro-me daquele árbitro que não tem pêlos e vejo se me consigo sentir melhor (é horrível, eu sei, tentar sentir-me melhor com o sofrimento dos outros, mas neste momento não estou em mim, caramba!) Sei que tenho uma afro que usei no carnaval, mas acho que, mesmo assim, o caniche é menos medonho visto de longe...
É inútil! Dedico-me a criar uma lista de aspectos positivos:
- menos calor no verão
- menos trabalho a pentear
- menos.....
pronto, é curta mas existe, e já se sabe que isso do tamanho não interessa para nada! 
Monday, May 21, 2007
Laura Lopez Castro - No es por ser ni por estar
Tem tudo a ver comigo: a melodia, a letra, o vídeo, a voz dela, as estrelinhas e até o nome :P
Sunday, May 20, 2007
Janela

Sunday, May 13, 2007
Sonho
Acordei. Era sonho. Não voltou. Ficou guardado nos fios da almofada, grãos de areia nos lençois, tu que não voltas mais.
Thursday, May 10, 2007
Irresponsabilidade boémia
Sei que não estou sozinha: talvez seja um mal da minha geração, este sentimento de não pertencer ao nosso tempo, de nostalgia por uma época que não vivemos nem conhecemos senão a partir dos livros e filmes, e da boca daqueles que estiveram mais perto dela. Há quem deseje os loucos anos 20, os rebeldes 60, o espírito dos 80. Sonhamos com brindes durante um concerto de jazz nos clubes de New Orleans, com vestidos até aos pés e pó de arroz debaixo dos leques do século XVIII, com as calças à boca de sino e as flores no cabelo enquanto gritamos palavras de revolução.
Estava a conduzir o meu carro do século XX (sim, ele ainda é do século passado, mas, "porém, ele move-se!") enquanto ouvia uma entrevista numa estação de rádio qualquer. Um fotógrafo dizia que sempre fora vadio. Uma palavra com uma conotação sempre tão negativa, ganhava uma outra força quando dita pela sua voz. Vida vadia, essa vida um pouco fora das normas sociais, sem horários nem compromissos habituais, em que partia com a câmara para onde fosse para fotografar o que quisesse. O sonho de uma irresponsabilidade boémia. E o escritor, debruçado sobre o papel sob a luz ténue de uma qualquer lâmpada, o cigarro pendente dos lábios, os óculos a descairem sobre a ponta do nariz. As frases a surgirem e a desaparecerem novamente sob uma chuva de riscos numa eterna procura da perfeição. O escritor que se disfarça com os nomes e os rostos das suas personagens e idealiza para elas um rumo, um mundo e um ser. Tão perto de ser Deus, força suprema, destino, sei lá, criando e destruindo vidas, gerindo as emoções e acções de pessoas de tinta e papel.
Quem me dera essa vida vadia, de sonhos e origamis...
Friday, May 04, 2007
Obrigatório MESMO
http://www.pulitzer.org/year/2007/feature-photography/works/index.html
Jogo de vida

"Só sei que nada sei", dizia, paradoxalmente, Platão. A aceitação de que nunca poderemos saber tudo foi uma das mais difíceis, a da inevitabilidade da ignorância. Talvez tenha sido devido a essa certeza de que não podemos compreender tudo que a ideia de Destino teve tanta força na Grécia....
Destino.. ou sorte? Quantas vezes não nos confrontámos com esta questão, face aos acontecimentos que não conseguimos compreender? Enquanto uns defendem a ideia de um destino inviolável, há quem se bata pelo lado do acaso. Irónico, o facto de destino e sorte serem, na sua essência, sinónimos. Prefiro acreditar no livre arbítrio: se tudo estiver destinado, que resta ao homem senão seguir coordenadas já traçadas? Diz-me um defensor do destino: Mas foste tu que traçaste o teu destino, quando ainda não eras corpo, para que pudesses aprender alguma lição. Aceito o argumento, enquanto é coerente. Renego-o quando me pergunta se sei o que acontece quando não cumprimos o nosso destino:
é porque estava traçado não o cumprirmos e, assim sendo, não era o nosso destino... certo?
Thursday, May 03, 2007
Monday, April 30, 2007
Dia de bola
Final do jogo, abanamos a cabeça. "Podia ter sido melhor", comentam uns com os outros, que em caso de empate fica tudo entre amigos.
O café que abriu excepcionalmente para o derby começa a fechar as persianas. Sinal de que é hora de sairmos. Pagam-se contas, ri-se. Levo o meu cachecol na cabeça para me proteger da chuva.
"Paris, Paris...", comento, sentindo-me uma espécie de Grace Kelly.
Olho para trás e vejo um sorriso maléfico ao balcão: claro, o gajo do café é dragão....
Sunday, April 29, 2007
Para ti, que não és tu, nem sei quem és.
Ah, e som das ondas lá fora. Uma noite que começa a cair. Esticaste-te, querias a lua, lembras-te? Dizia-te que podias guardá-la, dei-ta uma vez. Moldura de prata, uma luz desfocada num fundo negro. Não percebeste, como podias? Era a minha lua. Não podia ser tua. Estará nalgum gaveta, perdida, entre estrelas, cometas, e borboletas de asas brancas.
Vimos as estrelas, adivinhávamos constelações com nomes que brotavam da nossa imaginação. A ursa maior, a única que sabíamos localizar nesse bordado de luz. Já não sei onde fica a ursa maior. Lembro-me de um quadrado, três estrelas na ponta, uma cauda encantada de serpente. Sons de flautas no deserto que um dia seremos. Confusão, confusão, confusão. Queres saber tudo mas não posso desvendar o que não sei. Um dia vais ficar boa? Um dia vais renascer, Fénix das cinzas, coberta do cinzento do tempo, rasgado por lágrimas salgadas? Acredito....se acreditares. "Mostras-me a tua fada?" "Só se me mostrares a tua primeiro!" E as fadas escondidas, fechadas em prisões de carne e osso, segredando palavras incompreensíveis. Eu acreditava e acho que tu também. Mesmo quando abria as mãos e tudo o que via eram as linhas que me traçavam um futuro. A cigana na praia, a falar de maldições, amores, tragédias. Falava de nomes numa voz que despareceu e que se tornou eco do silêncio. Queria esses nomes, rir deles, sonhar com eles. Confusão, confusão. Não sabes quem és, suponho. Imagino que assim seja. Nem eu sei quem és. Vejo-te numa confusão de memórias. Suponho que sejas o infinito de gente que passou por aqui. Que decidiu espreitar quando passei. Que se dignou a olhar quando sorri. Que teve vontade de ler quando escrevi.
Thursday, April 26, 2007
A tua verdade
Sempre optei por me centrar nos defeitos; não por algum pessimismo triste que habite dentro de mim, mas porque os defeitos, regra geral, não se fingem. Ninguém quer parecer pior que aquilo que é. Já as qualidades não me seduzem, voláteis e frágeis, prestes a partir a cada obstáculo.
Conheci-te, pela primeira vez, ontem. A desilusão de ti foi atenuada pela alegria de ver que ainda existem pessoas que conheço, verdadeiramente. Que ainda há pessoas que quando estão em situações difíceis não deixam para trás aquilo que defendem. Esse tipo de pessoas, que ficam contigo a noite toda, que abdicam de uns quantos risos para suportar umas quantas lágrimas, que te despertam para veres quão maravilhoso é viver.
Perguntaram-me ontem, curiosamente, se sou feliz. Do nada, de repente, sem imaginar a revolução que se passava dentro de mim. E tudo ficou mais claro:
"Sou feliz porque estou rodeada de pessoas que gosto e que gostam de mim"
Tuesday, April 24, 2007
Ding dong
(Já repararam como nunca é uma palavra que soa tão ridícula? "Nunca!"... É quase tipo "pimbas" ou "ding dong"!")
Sunday, April 22, 2007
E se (os teus ses e reticências)
E se...? E se pudesse ser?E se pudesses ter aquilo que queres? E se a vida parasse, por segundos, para o teres?
E se...?
Ses que trazem consequências. Ses condenados a ser meros ses, até ao dia. Até ao dia em que tens coragem de transformar ses em acções e te dispões a aceitar as consequências do se.
Até lá, sonhas com ses. Esses ses que te atraem e amedrontam, inevitáveis como abismos.
E se um dia tiveres coragem de dar asas aos teus ses?
Saturday, April 21, 2007
Esse vício que é viver
Cambaleante, retorno ao veículo onde a minha amiga se exalta com a novidade. Planeamos uma manif frente ao Palácio de Belém, eu e ela, com a certeza de que seremos ouvidas: afinal, conseguimos fazer estragos por 6.
Desistimos pouco tempo depois, quando acendo o primeiro cigarro.
Vício
Vício de tabaco. Vício de rir. Vício de ouvir. Vício de falar. Vício de escrever. Vício de viver. Ando viciada nesta vida. Viciada nos que me fazem bem. Viciada numa filha a quem chamo alternadamente feijão verde ou rebento de soja. Ela diz que é uma menina, furiosa. Eu rio-me. Vício de dormir quando vejo Baby TV, que, na minha opinião, deve passar mensagens subliminares para adormecer os pais: é tiro e queda! Vício de água, sempre com a garrafinha atrás, às vezes a abrir-se na mala e a destruir os meus poucos pertences ("Não tenho nada, mas tenho tenho tudo!!!"). Vício de pastilha elástica e Lollypop de caramelo. Vício de verniz vermelho. Vício de canetas que me borram as mãos, ainda que não borrem as mãos dos outros. Vício de agenda com notinhas nunca lidas a tempo. Vício de telemóveis que interrompem o banho. Vício de banho de espuma com um livro na mão. Vício de tolhas fofinhas e cheirosas. Vício de sol e de chuva, de praia e de neve. Vício de fazer sku em sacos de plástico. Vício de cobrir a cabeça com algas e tirar fotografias. Vício de carioca de limão e conversa. Vício de abraço, de beijo, de aperto de mão segundo as regras de etiqueta. Vício de vícios, enfim.
Friday, April 20, 2007
Shall we sing in the rain?
Thursday, April 19, 2007
Obsessão Compulsão - HIP HIP HURRA!
Toda a gente tinha neuroses menos eu, que chatice! E, de repente, voilá, tenho uma obsessão compulsão... nada mau, hein? ;)
Lia uma revista de medicina (o que por si só deveria chegar para provar que algo não estava bem nesta cabecinha), quando me deparei com uma lista de obsessões-compulsões frequentes. E lá estava ela, toda bonita, com letrinhas a itálico e tudo, a sorrir para mim. Senti logo uma ligação instantânea, como aqueles pudins que se preparam em 2 minutos, e abracei a revista em êxtase.
Diagnóstico: a minha obsessão prende-se com a exigência de perfeição nas palavras. Não aguento dar erros e muito dificilmente consigo suportar ver os outros a errarem no português. Tenho a mania de corrigir toda a gente, o que já me valeu alguns comentários menos agradáveis, mas também não faz mal, porque hoje sei que isso é uma neurose, ou uma psicose segundo a minha irmã psicóloga, que me disse que não me preocupasse: afinal, só se torna problemático quando afecta o nosso desempenho na vida social. Assim sendo, não há com o que me preocupar.... certo? E quando me chamarem chata já tenho desculpa: "É uma obsessão compulsão... sorry!"
Entre a Rosa e o Jaquim, um acordeão...
Só que nunca aqui me tinha debruçado sobre esse espécime que é o fantástico tocador de acordeão, que decide tocar nos nossos ouvidos quando estamos quase a dormir. Já repararam bem nas caras das pessoas à vossa volta quando o homem surge munido do seu instrumento? A frase até soa mal, mas factos são factos e devem ser ditos, portanto! A verdade é que aquele homem já faz parte do metro, como os bancos raquíticos e os varões cheios de dedadas pegajosas. E o pessoal já está mais ou menos habituado à sua presença... Lá vem ele, cheio de fé, a tocar e a cantarolar um folclore super animado, e toda a gente lhe vira a cara, reviram os olhos... Incrível como algumas pessoas até parecem nem dar por ele!
Nas minhas primeiras visitas ao metro de Lisboa ainda deixei a perninha saltitar ao som do acordeão: erro crasso. Mal o homem notou na minha perna decidiu tocar ao meu lado, cantar para mim, e passado um bocado já não me apetecia assim tanto abanar a perna, mas sim fugir, fugir, FUGIR!
Eles nem são assim tão maus, e até há por aí uma dupla que toca as bandas sonoras mais populares, como o Titanic. Na verdade, não sei se tocam mais alguma coisa para além do Titanic, e sendo ainda mais sincera, passada meia hora tive inveja do Jack, no meio do oceano, agarrado à madeirinha no mais profundo silêncio... Sim, ele estava morto, por isso acho que, mesmo com acordeão, permaneço em vantagem... Já a Rose talvez tenha tido uma noite mais agradável, excepto quando o Jack congelado foi ao fundo (Já repararam como, em português, o Titanic ia parecer algo saloio? A Rosa a gritar para o Jaquim: Jaquim! Jaquim! E o Jaquim a ir ao fundo, no Tejo....hummm).
Pensamento positivo: Onde há um homem a tocar acordeão, não há um homem a vender pensos! Juntos, seriam uma combinação ainda mais explosiva que a mistura homem-robot do Robocop!!!
Wednesday, April 18, 2007
Nas nossas mãos
Mas, agora, se visse o Sr. Pereira, e me sentasse de novo ao volante, com ele ao lado, queria perguntar-lhe:
"Sr. Pereira, o que é que, na mão do homem, não pode ser usado como arma?"
Veja o que me vai na mente!
Num dia de sol perfeito, perfeito, perfeito...tinham de marcar a porcaria de um exame!
PS - crianças, a escola é muito boa! Sim, sim, eu gosto muito!... (conversa típica para a minha filha)
Sunday, April 15, 2007
Confusão mental (piloto automático)
Quero escrever e o botão de apagar sempre activo, as letras que enchem e desaparecem do ecrã. Antes a caneta, para deixar vestígios dessas palavras idas! Que nos resta senão a memória? Não sei se já escrevi sobre isso... não me lembro. Sei que já queria escrever sobre isso, talvez me repita então. O que nos resta, no fim da vida, senão a memória do que já foi? Senão a certeza do que vivemos? Não quero apagar estas palavras, pôr-lhes fim talvez, mas não exterminar qualquer vestígio da sua existência.
Existi, um dia! Fui, um dia. "Ego fui quod tu es, tu eris quod ego sum"- Fui o que és, serás o que sou, diziam os túmulos. Esquece a minha existência e condena a tua própria vida ao esquecimento.
Imortalidade, fotografias, filmes... Pedaços de vida guardados como tesouros. Eu, ontem. Eu, hoje, um agora que não se consegue agarrar nunca. Eu, carne, sangue, osso, Eu, espírito, alma, vontade. Um sorriso congelado numa fotografia. Mil lágrimas que nunca serão preservadas em álbum nenhum. Vidas perfeitas, registadas, recordadas, dizem-nos "Foste feliz. Vê quantas vezes sorriste, quantos momentos de pura felicidade viveste", manipulas a tua própria memória numa tentativa desesperada de achar que foste feliz sempre. Serás feliz para sempre. Arroz sobre os noivos que se separam meses depois. Fotos do casamento, fotos do segundo casamento... ausência de recortes do intervalo. Faz pose para a câmara, congela esse momento que te fotografa a alma, sorri sempre e engana o mundo, engana os outros, engana-te a ti mesma.
Mas só poderás ser verdadeiramente feliz se te lembrares que, um dia, não tiveste vontade de sorrir.
Nature Boy - Nat King Cole
A very strange enchanted boy
They say he wandered very far, very far
Over land and sea
A little shy and sad of eye
But very wise was he
And then one day
A magic day he passed my way
And while we spoke of many things
Fools and kings
This he said to me
"The greatest thing you'll ever learn
Is just to love and be loved in return"
"The greatest thing you'll ever learn
Is just to love and be loved in return"
O amor também se aprende...
Ready to go
Thursday, April 12, 2007
Nunca?
Piquinhos nos pés
Brincadeirinha.... óbvio!
Wednesday, April 11, 2007
Combinando o pic-nic
Kris: Picnic? Para o almoço?
Lolly: Não, para o jantar. Eu já almocei, cachopa. O meu dia hoje começou logo às 8h da manhã quando me dirigi, contente e responsável, para a minha faculdade, sentindo uma felicidade imensa quando lá cheguei! É tão bom andar de transportes durante uma hora e depois ficar mais duas horas fechada no auditório a ouvir discursos!
Kris:Sim, eu também fico muito feliz! Mas sabes, à noite tem estado frescote!
Lolly: Ora bolas, levamos as mantas! E acendemos uma fogueira! Ou não...se calhar é melhor esquecer a parte da fogueira.
Kris: E vamos comer a nossa merenda onde? Ai, temos de nos despachar a decidir para ir já fazer os rissóis!
Lolly: Ai mulher, tens razão! Que tal a praia? Ou estará muito movimentada?
Kris: Deve estar lá uma amálgama de massa! Além de que é muito iluminado e depois querem comer os nossos rissóis!
Lolly: Tens razão. É melhor não. E na mata?
Kris: Mas que mata?
Lolly: Em Monsanto. Ou na Serra de Sintra. Ou nos bungalows de Alfragide?
Kris: Não. Não vou para esses sítios sem classe.
Lolly: Pois, tens razão. Gente como nós não vai a esses lugares. Vamos pensar. Põe-te na posição de lótus e faz zuuuummmmm
(..................)
Lolly: Então? Não conheces nenhum sítio?
Kris: Conhecer, até conheço. Mas parece-me perigoso ir lá de noite, a meio da semana.
Lolly: Ui! Isso não! Queremos um sítio ameno onde pequenas borboletas possam esvoaçar.
Kris: Borboletas de noite?
Lolly: Podem ser traças!
Kris: Geralmente esses sítios são criados para bonitos domingos solarengos e não para noites de quarta feira ventosas.
Lolly: Não, mas o meu dedo mindinho diz-me que hoje vai estar bom tempo!
Kris: Está bem, convenceste-me. Se há algo em que confio, é no teu dedo midinho! Então vou fritar os rissóis, e depois combinamos o sítio.
Lolly: E eu vou buscar a toalha de xadrez! Até logo!
(Qualquer semelhança com a realidade não se trata de coincidência. Qualquer pequena discrepância com a conversa que teve lugar na realidade, é mera coincidência!)
Tuesday, April 10, 2007
Saudades de ontem
O tempo que te roubou de mim, quando, se calhar, ainda não era o teu tempo. Sei que o meu tempo não estava de acordo, mas o tempo dos homens não quis saber disso.
"Sete anos?!", pergunto, estupefacta, ao papel que me confronta, pendurado na parede. Faço as contas, refaço-as, e o resultado é inegável, porque eles dizem que os números não mentem nunca. Mostram-me as fórmulas, e os dados. Mostram-me fotografias em que o meu corpo era diferente, duma altura em que não me lembro de ser assim, onde tu (ainda) estavas presente. "Vês, o tempo passou". Mas eu não o senti. O sol nasceu e pôs-se 2555 vezes desde a última vez que te vi. 61320 horas separam o momento em que me despedi de ti e o agora em que escrevo. Mas eu não as senti passar.
E parece que ainda ontem corria para ti, para te abraçar... Por isso, tenho saudades, mas de ontem.
Sunday, April 08, 2007
O regresso da filha pródiga!!!
O regresso a casa é sempre uma mistura de emoções contraditórias: temos saudades daquilo e daqueles que ficaram para trás mas ao mesmo tempo sentimo-nos contentes por estar de volta ao lar. Encontramos os mesmos papéis amarrotados no mesmo canto em que os deixámos, a roupa ainda amarrotada no armário da última vez que nos vestimos e trocámos de roupa 300 vezes, as mesmas vozes familiares e os passos na escada que sabemos reconhecer antes de chegarem.
As férias da Páscoa não seriam passadas em casa - decisão tomada sem direito a revogação. Uns dias em Sesimbra e depois a velhinha Nave Redonda, à nossa espera.
A Nave Redonda é uma aldeia na Guarda, que até há bem pouco tempo nem aparecia nos mapas. Entre a placa que indica o início e a que marca o fim da Nave Redonda, conseguimos conduzir durante 2 minutos, isto se apanharmos algum trânsito, o que na Nave Redonda significa sermos interpelados por um rebanho ou um tractor. Quis a sorte que, desta vez, fosse um rebanho:

A Nave Redonda é "aquele pedacinho de mundo onde não há tempo", gosto de dizer, porque parece que, de facto, a chamada evolução não passou por ali. Continua de pé o mesmo café, os moradores são cada vez menos, todos ligados por algum laço familiar, as velhinhas de preto, sentadas nos bancos de pedra à sombra, viram a cabeça para ver os carros que passam nos caminhos mal alcatroados...

Mesmo assim, muito mudou na Nave Redonda. Já não jogamos à bola na estrada, porque agora os carros já surgem com mais frequência... Sim, dantes a estrada era o sítio onde brincávamos. E, no Verão, o alcatrão colava-se às nossas solas, tal era o calor e a qualidade das estradas!
Um outro aspecto interessante da Nave Redonda é o seu cheiro natural característico a bosta de vaca. Mas uma pessoa habitua-se, tal como se habitua a nadar no rio com os peixes, a fugir dos cães raivosos que andam por ali com os rebanhos e a cumprimentar toda a gente, seja quem for. Será que as pessoas da cidade imaginam o que isso é?
Garanto-vos que estar lá, é estar mais perto daquilo a que chamam o paraíso. E, para finalizar, deixo aqui uma foto da famelga, que entre ais e uis, chouriços assados e peixinhos do rio, jogos de volley e idas a Espanha, lá conseguiu sobreviver, mais uma vez ;)

Sunday, April 01, 2007
Recordações
Nikita, as malas!
Eu levo sempre bagagem suficiente; digo suficiente porque nunca levo tudo o que queria (o meu armário inteiro), mas a minha medida ultrapassa sempre aquilo que seria desejável aos olhos do meu pai, mestre de arrumação que consegue sempre encaixar 15 malas onde eu conseguiria enfiar 5. "São só 3 dias!", frase mais que típica saída da boca masculina, seja na versão pai, namorado ou amigo. Reviramos os olhos, eles não percebem nada disto, enquanto atiramos o necéssaire, saco dos sapatos, mala especialmente reservada a casacos, pasta armada de todo o material eléctrico necessário (carregadores, adaptadores, máquina fotográfica, portátil..), malão de viagem com os trapinhos e ainda um saquinho pequeno com todo o tipo de bolachinhas, água, sumos, petiscos que são fundamentais numa viagem, ainda que essa possa ter a duração de apenas 45 minutos (nunca se sabe o que pode acontecer se falharmos uma saída!).
A pior parte de viajar é, sem dúvida, o momento de refazer as malas para regressar. Roupa espalhada pelo quarto, procurar se não ficou nenhuma meia perdida debaixo da cama, explorar todas as gavetas e cantinhos recônditos onde possa haver alguma peça esquecida. E é quando estamos quase a chegar a casa que nos lembramos: "esqueci-me da única coisa que não podia esquecer!!! OH NÃO!", seja que coisa for, porque nesse momento torna-se, automaticamente, a coisa mais importante da nossa bagagem.
O facto é que estou a 2 parágrafos de ir fazer as malas para 4 noites. A lista do NÃO ESQUECER tornou-se quase ilegível, com palavras que vão surgindo de minuto a minuto, e o material eléctrico está, obviamente, desarrumado, com o portátil ainda a uso.
Felizmente, temos uma bagageira inteirinha para duas meninas, incluindo os bancos de trás que vão vazios, e ainda a bagageira de um carro masculino, o que significa imenso espaço livre para uma eventual mala que sobre. Esperam-se olhos revirantes, queixas e resmungos, porque, no fundo, eles não gostam de pensar que somos mais prevenidas que eles.
Mas eles bem gostam de comer uma bolachinha pelo caminho, mesmo que a início se mostrem desinteressados. Basta mastigar vigorosamente e fazer "Ah!" no fim.
Até ao meu regresso :)*******
PS - foto do porta-bagagens brevemente disponível
Friday, March 30, 2007
Quando o Poetry em RAP era mais que rimas
Ex-Factor
Não há quem não os tenha, ou, pelo menos, são raríssimos aqueles que acertaram (ou julgaram acertar) à primeira. Os "exs" são como os tijolos que usámos para chegar ao telhado, ou os degraus da escada que subimos para poder atingir o sol... (hoje estou muito dada a obras..) É com as relações falhadas que aprendemos e, só por isso, valem a pena as crises de choro, os momentos de "OH MUNDO CRUEL", as noites em que temos a certeza que nunca mais vamos ser felizes e as tardes passadas a olhar para a chávena de café vazia a tentar ler as borras e descobrir se algum dia haverá retorno. Com o tempo, olhamos para trás e não conseguimos deixar de sentir ternura por aqueles momentos, de pura ingenuidade, em que achámos que o nosso mundo se resumia àquela pessoa. E surge mais uma lição e, de um momento para o outro, somos pessoas maiores.
Só que os "Exs" não existem apenas para nos ensinar, mas também, em muitos casos, para nos aterrorizar a vida. Quantos de nós não "fugiram" já de um ex, encontrado por acaso, para não termos de falar com ele/ela? (Vá, sejamos sinceros!). Se há aqueles que nos sabem deixar de cabeça erguida, também existem os outros que prometem fazer a nossa vida um inferno e a quem a rejeição transforma em pessoas extremamente assustadoras. Ou extremamente chatas e melosas, também pode acontecer. Vi há pouco tempo "A minha super Ex", com a Uma Thurman, e o meu pensamento-síntese em relação ao filme foi "Eu conheço pessoas que sem super poderes nenhuns conseguiam ser ainda piores!".
Claro que, às vezes, também podemos ser nós a desempenhar o papel do ex psico... acontece, são coisas da vida. Se, por acaso, se sentirem tentados a adoptar esse tipo de comportamento, por favor batam com a cabeça 3 vezes na parede enquanto gritam "NÃO ME VOU DEIXAR DOMINAR POR ISTO!! SAI SATANÁS!". Acreditem que, mais tarde, um eventual galo na cabeça será bem menos penoso que a recordação das figuras tristes que podiam ter feito.
E tenho dito!
Thursday, March 29, 2007
I said I'd be back, baby!
Foram quatro dias sem tempo, daqueles em que o relógio parece estar sempre errado, e os ponteiros constantemente adiantados. Dias sem pressas nem confusão, daqueles que fazem falta de vez em quando, mas que nem todos, infelizmente, podem ter. Responsabilidades, sobrevivência, horrores da vida adulta.
Friday, March 23, 2007
Palavras que passam
Tirem-me as encostas do Douro, o Tejo e o Alentejo;
Tirem-me a calçada dos passeios, os azulejos da parede;
Tirem-me tudo isto, mas não me tirem o gosto,
porque se eu ainda for capaz de saborear com todos o bacalhau a nadar no azeite,
serei capaz de dizer, se não me tirarem a fala:
-Estou em Portugal!"
(anúncio do azeite Galo)
Wednesday, March 21, 2007
À noite...
Confesso.
Monday, March 19, 2007
Aos que ousam
Admiro aqueles que sorriem, mesmo quando o mundo os faz duvidar.
Admiro aqueles que sonham, mesmo quando a noite já vai longe.
Admiro aqueles que insistem, mesmo quando os outros gritam que é impossível.
Admiro aqueles que lutam com palavras, mesmo quando os outros os desafiam com armas.
Admiro aqueles que sabem ouvir, mesmo quando têm muito a dizer.
Admiro aqueles que constroem castelos de areia, mesmo sabendo que a maré os levará.
Admiro aqueles que procuram, mesmo quando julgam saber o caminho.
Admiro aqueles que vivem, mesmo quando o mundo os pressiona a sobreviver.
Admiro os que partem relógios, fazem arte do lixo e cantam poesia. Admiro os amarelos, os azuis, os vermelhos e os verdes que se destacam do cinzento. Admiro os que procuram a liberdade em cada momento da vida, que criam a sua própria língua, que desenham palavras nos blocos de notas.
São os que ousam esticar as asas e rasgar os céus.
Friday, March 16, 2007
Eu quero. Ou melhor, eu exijo!
Quero um tapete mágico para poder voar por aí, e ir assustar as pessoas batendo às janelas.
Quero um submarino para poder procurar a Atlântida.
Quero uma pá automática para poder cavar um buraco depressa quando encontro alguém de quem não gosto.
Quero um arco-íris portátil para trazer na mala nos dias mais tristes.
Quero uma máquina de fazer algodão doce, para subornar a minha irmã sempre que for preciso.
Quero um telecomando universal incorporado na ponta do dedo, para não ter de andar sempre à procura dele.
Quero uma escada rolante de bolso, para quando vou passear pelas montanhas.
Quero uma cabrinha chamada Heidi para a levar comigo nesses tais passeios pelas montanhas.
Quero uma caixa com todos os perfumes que existem no mundo, para poder cheirar os sítios que nunca irei conhecer.
Eu quero, eu quero, eu quero!! (bato com os calcanhares três vezes, mas nada acontece. Lá está, era bom ter paciência...)
URGENTE - CARTA À CEGONHA
Mas eu não gosto de puzzles, não gosto de tarefas que incluam linhas e agulhas, não gosto de amuos, não gosto de esperar pelos outros, não gosto de cozinhar em lume baixo nem de matar tempo.
Por isso, querida cegonha, se me estás a ler, atira uma boa dose de paciência cá para baixo, para ver se ainda vou a tempo de a apanhar. Ou então cria uma doença qualquer, pacienciozite, que eu vou já para os transportes públicos pôr-me debaixo dos espirros...
É que, ultimamente, ando mesmo a precisar!
Wednesday, March 14, 2007
LOL

"Querida, antes sofrida que mal vestida!" Jamais, Salomé!
Tuesday, March 13, 2007
De bem com o mundo
Nem sequer me importei quando o carro ao meu lado tentou passar o STOP e atirar-me para fora da estrada, porque, afinal, o meu carrinho está mesmo a precisar de tapar uns riscos na pintura. Mesmo quando olharam para mim como se eu fosse maluca, só porque ia aos berros a cantar HOW COME YOU DON'T CALL ME da Sra Keys, sorri.
Estou de bem com o mundo, hoje...
Monday, March 12, 2007
A magia das palavras
Moldo as palavras como um pedaço de barro e esmago-as sobre a bancada, uma e outra vez. Aperto-as e estico-as, dou-lhes forma, idealizo um local perfeito para elas e deixo-as secar sem nunca as prender a um objecto.
Vivo escrava das palavras, das ideias, e conquisto-as para mim, a ferro e a sangue. Embebedo-me nas palavras e sonho com utopias, com magia, com sons esvoaçantes e conceitos afiados.
Já te disse que as palavras são os passos, as pessoas, os processos. Já te disse que as palavras são os medos, os momentos e a verdade. Porque mesmo a mentira é dita em palavras e as palavras nunca mentem.
Saudades dos raios UV!
Enfim, estava calor e, depois de meses a levar com os casacos, os guarda-chuvas (um ódio de estimação, como sabem os que costumam ler este humilde blog), os cachecóis, as luvas, os gorros, os pompons para tapar as orelhas e toda uma panóplia de objectos contra o frio, era impossível não aproveitar!
Corri para o terraço onde depressa o sol quentinho se transformou em sol fervente e comecei a ver tudo negro à minha volta, e por isso tive de rastejar até uma sombra de modo a não cair sobre o portátil, sofrendo de insolação e talvez até de choque eléctrico! (mas mantive as pernas ao sol, claro!)
Só que amante do calor que se preze não se limita ao seu pedacinho de pedra sob o sol: era preciso a areia no meio dos dedos dos pés, a emoção de evitar as canas afiadas, espetadas na areia, o cheiro a mar entranhado no cabelo. É claro que, quando se mora a 5 minutos da praia e se demora quase meia hora a chegar, devido ao tráfego, já não se está tão optimista e só se quer um espaço para enfiar o carro e atirar os chinelos ao ar para se poder dizer que se pisou areia. Com sorte, arranjámos um lugar perfeito, mesmo ao pé da praia, e lá fomos nós, com um sorriso de orelha a orelha, de chinelinho e top para a praia. Mas ousados mesmo eram aqueles que secavam ao vento nas suas toalhas, depois de um belo banho de mar... Não, eles não secavam ao sol, era ao vento mesmo. Mas estava calor, e eles aproveitaram! Tal e qual o bom turista inglês, que anda sempre com camisa de flores mesmo quando eu tapo o nariz enregelado com o cachecol. É pessoal rijo! Não é um ventinho que lhes vai estragar o dia!
Voltei feliz para casa, com os pés, entretanto gelados, cheios de areia, e espalhei-a o mais que pude pela casa. Aspirar já não foi tão divertido, mas, por segundos, consegui imaginar que já era Verão... aiai...
Thursday, March 08, 2007
And today, my name is...
Há aqueles que, revoltados, se queixam da $* da vida, do tempo, das aulas, do trabalho. Que se sentem revoltados com os amigos, com os outros e com eles mesmos.
Também existe sempre alguém que deixa uma parte de uma música, provavelmente porque ela não lhe sai da cabeça, e a trauteava ainda quando entrou na net, pronto a "teclar".
Invariavelmente, as declarações apaixonadas, juras de amor eterno que, muitas vezes, passados alguns meses, acabam iguais ao primeiro caso, com queixas acerca da $* da vida.
E depois, surgem aqueles que só escrevem o nome. Mais nada. Devem ser felizes, esses...
O messenger é um bom indicador do mundo lá de fora, o mundo em que as pessoas são mais que palavras e têm vidas mais ou menos $&#*%....
É estúpido
O mundo está cheio de gestos estúpidos que fazemos na tentativa de evitar a estupidez. É estúpido levar com a bola na testa. Mas mais estúpido ainda seria ficar parada, não?
Ernesto, no meu sono.
Foi quando o Sô Ernesto, o homem sem braços nem cabeça, me invadiu o sono, que comecei a ficar algo irritada. Mas com que direito vêm estas personagens interromper o nosso merecido descanso?
Chega uma rapariga estafada, veste o seu pijama de coelhinhos e fecha os olhos, confiante de que no dia seguinte acordará uma mulher nova, cheia de energia e boa disposição.... quando, de repente, lá está ele, o Ernesto, encostado à nossa janela, para nos assombrar mais um bocadinho.
"Ernesto", pedi eu, amavelmente, "Não podias ir chatear outra pessoa? É que estou muito cansada, hoje não tenho paciência para te inventar umas falas"
Ele abana o tronco num gesto ofendido (porque sem cabeça nem braços é difícil, imaginam, expressar o seu desagrado), abre a janela e salta lá para fora.
Pobre Ernesto, provavelmente só queria alguém com quem falar, com quem discutir conceitos filosóficos e a história do Mundo... Da próxima vez, convido-o para se sentar ao pé de mim e peço-lhe que me conte a sua história. Afinal, o Ernesto também merece um amigo!
Mulheres fantásticas
Lenda ou realidade, visto que esta é uma história contestada por alguns, a verdade é que as mulheres foram, durante séculos, vítimas duma sociedade que as colocava na base da hierarquia.
E foi graças aos sonhos, à luta e à esperança das nossas antepassadas, foi por elas não se conformarem e desejarem um mundo melhor para elas e para nós, que hoje podemos disfrutar de uma vida com menos restrições e limitações.
Este não é mais um dia dedicado ao comércio, até porque as prendas, neste dia, são escassas. Este é, sim, essencialmente, o dia de lembrarmos os sacrifícios que foram feitos e de os valorizarmos, respeitando-nos enquanto mulheres e seres humanos, todos os dias da nossa vida.
A todas as grandes mulheres, que dão ao mundo um pouco mais de brilho e beleza, às que já passaram e até às que ainda estão por vir, dou os meus parabéns.
É uma honra ser mulher neste mundo.
Saturday, March 03, 2007
À primeira vista
Nos olhos dela viam-se as chamas e o sangue derramado pelas guerras, homens feridos e cambaleantes, crianças estendidas que nunca iriam crescer.
O horror do passado, do presente e do futuro cruzavam-se, rápidos, na escuridão que habitava o seu olhar.
Com óculos escuros, aprendeu a esconder o seu segredo, para que os homens não tentassem descobrir o seu futuro. Nem perante o espelho os retirava, receando assistir a tamanha dor.
E quando morreu e foi velada, tirando-lhe os óculos, a multidão gritou: como que um espelho, os seus olhos mostravam o seu corpo inerte, rodeado do espanto de quem a sepultou.
Sou parte de ti
Eu sou a força, o sonho, e a coragem.
Eu sou a determinação, a luta e o perdão.
Eu sou os monumentos que eles ergueram
e as causas em que acreditaram.
Eu sou os momentos em que sofreram
e as alturas em que ganharam.
Eu sou as pedras que eles pisaram
e os dias que viveram.
Eu sou as músicas que cantaram
e as cartas que escreveram.
Eu sou o dia depois, o que não puderam ver
eu sou os planos rabiscados à espera de viver.
Eu sou os risos que não se podem guardar
e as feridas que não podem sarar.
Eu sou as vidas que nunca conheci,
e sou aquela que é parte de ti...
Friday, March 02, 2007
My dear Ray...
Cheira-me que, se de facto existe algo como a reencarnação, eu devo ter sido em tempos uma daquelas meninas...
Come on Jack, hit the road...
Um brinde perfeito
Não o consegues ouvir?


