Thursday, September 02, 2010

Thursday, August 26, 2010

Depois de quase um ano, tudo o que tenho para levar comigo é um par de canetas, uma agenda e os contactos acumulados neste período. E aquele dramatismo da caixa de cartão com a planta, a moldura, o aquários dos peixes, a garrafa de vodka que costumava estar escondida na última gaveta? Que piada é que tem uma pessoa ir-se embora assim, conseguindo mexer as duas mãos perfeitamente, sem precisar de alguém que lhe abra a porta enquanto num complexo exercício de malabarismo circense tenta não aterrar com a cara no chão? Que grande seca...

Ahahahaha

http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1203459

esta miúda tinha a mania que lhe pagavam para dizer poesia na rádio lol


Que saudades dela!

Wednesday, August 25, 2010

TicTacToe

Já entreguei aquele que oficialmente será o meu último texto por estas paragens. O evento deu-se com muito pouca pompa e nenhuma circunstância ontem, pelas 16h (mais coisa menos coisa), e desde aí que me arrasto pela internet simulando um ar muito ocupado. Agora só tenho de descobrir o que fazer com estas últimas dezasseis horas em solo corporativo.

Tuesday, August 24, 2010

72h

Dentro de aproximadamente 72h vou banir o despertador. Vou acordar quando quiser. Vou enterrar os pés na areia e comer melancia deitada na toalha. Vou ler as páginas acumuladas na mesa de cabeceira. Vou desenhar tatuagens a esferográfica de centenas de cores nos tornozelos. Vou inventar receitas e gastar horas em conversas sobre nada, no café. Vou deixar o cabelo continuar a crescer e, se calhar, mudar-lhe a cor. Vou dormir à tarde e não vou sentir remorsos por isso. E quando estiver cheia, cheia, cheia, regresso. Mas até lá, vou ser feliz.

Friday, August 06, 2010

As pessoas trabalhadoras vão-me desculpar

até porque eu bem sei que dói e que custa e que quando estes seres de férias se põem a gritar e aos pulinhos uma pessoa até reza baixinho a ver se torcem um pé.

Mas faltam oficialmente 20 minutos para eu entrar de férias e tenhos os dedinhos dos pés discretamente aos pulinhos debaixo da secretrária.

So long!!
Há um ano atrás eu estava na merda. Não, não estava na porcaria, não estava chateada, não estava assim para o desanimada. Estava mesmo na merda, como só uma pessoa enterrada na merda até à ponta dos cabelos sabe que o está.
De um dia para o outro. Foi assim mesmo que me "dispensaram". E eu chorei, chorei e chorei. Porque nunca mais ia ser feliz. Porque era o trabalho da minha vida (convém dizer que foi o primeiro). E com a crise ia ficar desempregada para sempre e/ou pesar fruta no Continente. Fiquei despedaçada. Destroçada. Perdi peso (o que foi maravilhoso) e adiei o meu plano de deixar de fumar.
Um ano depois olho com incredulidade para o calendário: passou um ano e eu sobrevivi. E voltei a rir, e não trabalho no Continente e recuperei o peso (maldito!) e já sou uma pessoa dada a dietas novamente.
Continuo a achar que foi um dos trabalhos da minha vida. Ainda sinto aquele formigueiro nos pés de quem sobreviveu à força de viagens traçadas em letras e muitos quilómetros na estrada. Tenho saudades de não saber onde vou estar daqui a uma semana. Mas também percebi que sou muito mais que isso. Que eu era aquelas viagens. Que eu era aquelas palavras. Que era eu quem encontrava naquelas tardes de exílio onde procurava adjectivos perfeitos. E que não tarda nada volto a encontrar-me por aí.

Thursday, August 05, 2010

E num acesso de futilidade...

...confesso que a melhor notícia do dia foi saber que a Zara vai começar a vender online a partir do dia 2 de Setembro!!

weeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee! :)

Tuesday, August 03, 2010

snif snif snif...





Podia lá uma mulher nunca ter ido à Primark? Essa maravilha dos temos modernos, com calças de ganga a 2€ (juravam-me a pés juntos), tops a 50 cêntimos e todo um mundo de prateleiras cobertas de sapatos lindos que não ultrapassavam a casa dos 10€. Andavam as amigas em alvoroço, comentando aquele novo armazém de sonho e eu, como uma habitante da mais remota aldeia, limitava-me a imaginar como seria, afinal, aquele mundo de brilhantes e purpurinas a preço da chuva.
Infelizmente, devia ter-me ficado pelo sonho.
Porque as coisas até podem ser giras, mas para as conseguir agarrar temos de entrar em duelo mortal, primeiro, com as outras 500 pessoas que lá andam perdidas, como nós. Porque os sapatos estão na zona de decoração (e têm tamanhos esquisitos - o 36 não serve, o 37 cai-me dos pés) e há tops pendurados ao pé das carteiras. Porque a ideia de armazém/open space é um bocado confusa e - admito, eu tenho uma percepção espacial terrível - dei por mim a passar pelo mesmo sítio 3 vezes.
E por isso, resumindo e concluindo, lamento, do fundo do meu coração, mas por mais barata que seja a Primark não me conquistou. Fico à espera que abra uma nova loja, mais pequena, com pouca gente e com setinhas a dirigir-me o caminho, em breve, e prometo que serei uma cliente mais feliz! (E façam lá sapatinhos com tamanhos decentes faz favor!!)

Thursday, July 29, 2010

Vamos ser tão felizes juntas!! (sim que este telemóvel é OBVIAMENTE uma ela!!)


#$%&/)(%#" (ou A Lição)

Não voltarás a escrever no teu blog quando o verniz está a secar

(terceira tentativa duma saga que se adivinha longa...)

Ser menina é...

ir à Phonehouse, demorar 45 minutos a ponderar os prós e contras de dois modelos, e acabar por trazer o mais caro e com características mais fracas porque "é mais bonito e cor-de-rosa"...

Como disse (repetida e embaraçosamente) o vendedor que me atendeu: "é uma questão de estática".

Thursday, July 22, 2010

(in)sensatez

Se calhar devia estar cheia de medo. Claro que sim, claro que devia: quem é que não receia o não saber? O terminar de uma época e o começo de outra? O adeus a um emprego e o erguer as mangas e chafurdar em CVs, portfolios e cartas de recomendações? Já estive com medo, é verdade. Mas, então, o medo foi-se fazendo ansiedade, a incerteza tornou-se curiosidade, a ignorância uma excitação. Ter um mundo de possibilidades todo à frente. Não fazer a mínima ideia do que se quer ser mas ter uma vontade imensa de experimentar. Arriscar. Vou contando os dias no calendário e rezando para que não se quebre este encanto. Que ninguém me avance com propostas convencionais e confortáveis. Porque aí, volto a ter medo. Um medo imenso de me conformar.

Thursday, May 27, 2010

Mãezilla

Como é que uma mãe é capaz de organizar uma festinha de anos sem se tornar numa espécie de Godzilla em versão ligeiramente mais assustadora? As possibilidades escasseiam: ora faço fora, gasto uma carrada de dinheiro que me custou o suor, o sangue e as lágrimas (e não me digam que escrever não faz suar, que faz!) para os miúdos andarem duas horas a pular e a comer sandes com pão do lidl (nada contra o lidl) enquanto dois estranhos evitam que eles se matem nos insufláveis; ora faço em casa e enlouqueço entre copinhos, toalhas, grinaldas, guardanapos e pão do lidl (encaremos isto como publicidade gratuita, sim?); ora não faço nada e conquisto o eterno ódio da minha filha, a exclusão do clube das mães-trabalhadoras-que-até-se-esforçam-para-não-traumatizar-os-putos, e condeno-me o resto da vida por ter sido tão fraca.

Apostando nos meus talentos como organizadora de eventos (nota para mim mesma: acrescentar esta capacidade às secção de "aptidões inúteis" no CV), decidi fazer a festa "em casa" - que é como quem diz na casa da avó. Piscina, jardim, muita terra para se rebolarem e serem felizes! Até agora, conseguimos definir dois itens da festa: o número de convidados e... pipocas.

Mas vamos dando actualizações: escolha do tema da festa, dicas do faça-você-mesmo (ando a ver se construo um castelo com caixotes de cartão... sim, sofram comigo), possíveis internamentos devido a esgotamentos nervosos... Enfim, todo um mundo!

Beijinhos, abraços e confetis,
Mãezilla

Thursday, April 29, 2010

Guia Prático das Frases Feitas by Juventude Popular

Já nem sei bem como dei com ele. Era para começar um artigo? Sim, era isso, numa busca feliz pelo Google, daquelas que eu tanto gosto de fazer.
Basicamente, é uma compilação das frases feitas a evitar pela mocidade da Juventude Popular e, garanto-vos, é qualquer coisa a que ninguém deve ficar indiferente. Muito menos os jornalistas, cujo trabalho passa, tantas vezes, por lidar com clichés destes.

Ora segue um exemplo:
“ISSO É RELATIVO” – Outra das modas mais eficazes tem sido o uso desta ideia e, sobretudo, os equívocos causados pela utilização incorrecta da palavra “relativo”. Com efeito, em primeira análise, esta significa que se refere ao que tenha relação com alguém ou alguma coisa. Mas não é esse o sentido primordial da sua constante invocação. Na verdade, o rótulo de “relativo” aposto a todas as situações, circunstâncias e problemas, significa, tão só, que se pretende exorcizar tudo o que seja absoluto e, de preferência, apelidá-lo de dogmático ou obscurantista (...) De facto, dá jeito que tudo seja relativo. Não compromete, não limita, nem obriga. A frase “O consumo da droga é um mal, faz mal e pode matar.” é disso um bom exemplo. Os nossos folclóricos amigos do Bloco de Esquerda seriam, decerto, os primeiros a explicar o carácter relativo desta afirmação. Que até nem é bem assim. Que há drogas duras e outras leves. Que umas até nem fazem mal. Que o mal, esse, também é relativo. E, de um momento para o outro, um facto fundado em pesquisas, estatísticas e evidências práticas tornar-se-ia um assunto discutível"

(O bold é meu. As gargalhadas também.)

Sigamos...

“ESTÁ CIENTIFICAMENTE PROVADO QUE” – Forma curiosa de discutir problemas políticos é, seguramente, o recorrente recurso à expressão “está cientificamente provado que”... Esta expressão, na esteira de “magister dixit”, significa que quem alega um facto ou teoria e não se quer maçar com a prova dos mesmos, informa o seu interlocutor que já alguém se deu anteriormente a essa maçada e, curiosamente, pendeu para o seu lado.

Mas esperem lá... não foram eles os mesmos que escreveram:

"E, de um momento para o outro, um facto fundado em pesquisas, estatísticas e evidências práticas tornar-se-ia um assunto discutível."

(bold meu. gargalhadas minhas. Outra vez)

Leiam, leiam: http://juventudepopular.org/formacao/formacaopolitica/guia_pratico_das_frases_feitas.doc

Wednesday, April 21, 2010

Danos colaterais

"Mamã, ensinas-me a dança do vento*? E a do sol e da chuva?"

(a cria, depois de mais um episódio de Achas Que Sabes Dançar?)



*para quem não está habituado a decifrar estas coisas, entenda-se "dança do ventre"

Thursday, April 01, 2010

Quando partilhávamos palavras, era como se o mundo ruisse, em desassossego. Como se toda a inocência depositada sobre os lábios fosse suficiente para travar o contínuo girar da Terra e fazê-la quebrar-se sobre si mesma.
Quando partilhávamos palavras, tudo o resto era nada. Todos os outros desapareciam, cobertos pela banalidade, todos os sons emudeciam, como se nada fosse mais doce que os nossos "um dia". Deitavas palavras ao ar como quem atira pétalas de um malmequer, e eu seguia-as com os olhos até se perderem para sempre dentro de mim.
Caminhávamos juntos, devagar, com a sabedoria daqueles que já aprenderam que a vida passa demasiado depressa para que nos tentemos adiantar a ela, esculpindo cada sombra com o olhar, aprendendo novas línguas: a das flores, a do vento, a da chuva, a do tempo.
E depois dizias-me que tivesse cuidado, mas sempre incitando-me com os olhos a dar mais um passo, a vencer o medo dos espinhos, a aprender a segurar a terra com as mãos.
E nós gritávamos "És o melhor avô do mundo!", de olhos fechados, sentido o vento levantar-nos os cabelos enquanto o chão passava, veloz, sob os nossos pés.
Escutavas cada concerto com paciência, lias cada frase com um sorriso de orgulho, aplaudias cada novo talento como se fôssemos capazes de tudo. Guardavas cartões e desenhos como tesouros, no bolso da camisa, dobrados em quatro. Acreditavas que éramos capazes de tudo, não era, avô? E se alguém me ensinou a sonhar, foste tu. Agora, eu também acredito.

Sunday, March 28, 2010

Hora pelo Planeta

Durante uma hora cozinhei (a gás) à luz das velas, brindei com poncha no escuro e consegui não matar nenhuma das minhas amigas acidentalmente com os talheres. Estou pronta para ir viver na selva - ou pelo menos para sobreviver caso não tenha dinheiro para a conta da electricidade!

Insanity Alert! (memorabilia II)

Fui abandonada ontem, pelas 9h00, hora local, pela minha família mais próxima. Para trás, só eu, o gato e a minha irmã. São cinco dias sem a piquena - o que, em anos de mãe, equivale mais ou menos a um ano. Fiquei tão desorientada que só me lembrei de ir arrumar os armários da casa-de-banho! (Eu!!) E depois de hora e meia a verificar vernizes, ordenar frasquinhos de perfume, seleccionar pulseiras e reunir maquilhagem, a minha irmã entrou na casa de banho e gritou: "Mas o que é isto? Está horrível!"

Pronto, não fui criada para a arrumação. Não está no meu ser. É melhor ficar pelo sofá...

Sunday, March 21, 2010

Memorabilia

Sim, eu assumo: eu sou uma confusão. Não é só o meu quarto, o meu carro ou a minha secretária em qualquer redacção onde eu finque o pézinho durante mais de uma semana. Não, não há nenhuma conspiração internacional de vilões que, durante a noite, remexem nas minhas coisas instaurando o caos - admitamos, finalmente.
Os nativos de gémeos, dizem, são meio confusos por natureza. Eu, filha de um gémeo e mãe de uma gémea, sou totalmente confusa por natureza. Não é só desorganizada, que eu até consigo encontrar um fiozinho de arrumação (pronto, raramente) no meio do meu caos. A minha cabeça parece sempre uma casa depois de uma festa: copos espalhados por todo o lado, cinzeiros aqui e ali, post its esquecidos ao acaso debaixo das almofadas.
A treta do signo já não funciona como desculpa, cá em casa. Ainda tentei convencer toda a gente de que a culpa não era minha, que não posso evitar porque sou uma criança índigo, mas também ninguém levou a coisa muito a sério. E aquilo de que da confusão nasce o génio... esqueçam, também não engana ninguém.
Assim sendo, restou-me assumir o meu problema: eu sou o meu próprio caos. Mas (porque nestas coisas de admitir problemas convém sempre haver um "mas") a culpa não é minha. A culpa é do meu coraçãozinho lamechas que se apega tanto a um cinzeirinho foleiro oferecido por uma velhinha no Alentejo como a um gatinho bebé e orfão.
Olá, eu sou a Laura e sou viciada em memórias.
Pronto, está dito.
É o cinzeiro horroroso dado pela velhinha, é o azulejo piroso oferecido em Santa Luzia, são os copinhos de shot roubados em jantares inesquecíveis no restaurante chinês, o falso vaso egípcio montado e pintado quando tinha 10 anos e sonhava ser a nova Indiana Jones... E o coração lamechas lá vai acumulando o lixo como se fossem tesouros.
Olá, eu sou a Laura e hoje deitei fora quase todo o lixo que ocupava o meu quarto. Pronto, a cómoda do meu quarto - um passinho de cada vez que isto não é assim zás trás e estás curada!
E não é que me sinto muito melhor?

(Não fui capaz de deitar fora o vaso egípcio, mas coloquei-o longe do meu ângulo de visão, em cima do roupeiro. Conta pelo menos meio ponto, não?)

Saturday, March 20, 2010

Grandes frases ou Thank God for LOL parte 2

"Se toda a vez que eu fechar os olhos ganhar um beijo teu fecharei os olhos internamente"*



... e como é que ela faz isto? Com aquela técnica de dormir com os olhos abertos que eu ainda não consegui descobrir? Será uma coisa mística relacionada com o terceiro olho? Não sei, mas parece-me que esta rapariga fez a descoberta científica do ano. Se calhar era caso de chamar os senhores que atribuem o prémio Nobel...

* frase real, escrita por uma pessoa real, no seu nick do msn

Friday, March 19, 2010

Amores adolescentes

Dizem que não há amor como o primeiro. E, se calhar, porque ele é o último. O único em que acreditas com todos os centímetros da tua pele, o único em que tens um coração novinho em folha, polido e brilhante como um carrinho de brincar acabado de comprar, o único em que dizer "amo-te" não vem acompanhado de suores frios e equações matemáticas acerca da probabilidade de nos virmos a arrepender amargamente de termos aberto a boca.
Grandes debates precederam este post. Do que é o amor, do que é a paixão e se um pode existir sem o outro. E ele dizia que o amor se existe então é para sempre. Tem de ser para sempre. E eu dizia que não, que para ser real não tem de ser eterno. E ela exaltava a paixão, o formigueiro na barriga, o sorrisinho parvo, o telemóvel virado para baixo como se isso fizesse chegar as mensagens e os telefonemas.
E então, a conduzir para o trabalho, a pentear o cabelo, na hora do almoço - quando foi? - eu pensei: "Se calhar, só os amores adolescentes são verdadeiros". Sim, os ingénuos, os inexperientes, os descarados. Aqueles em que sabemos que vamos ficar juntos para sempre. Aqueles em que deixamos que ouçam todas as palavras que nos chegam aos lábios. Aqueles que, quando acabaram, nos fizeram chorar durante dias, semanas a fio, achando que o mundo ia desabar e levar-nos com ele - e quase queríamos que isso acontecesse porque a vida já não fazia sentido.
Depois do primeiro amor já não estamos novinhos em folha, é um facto. Mas o coração continua no mesmo lugar de sempre.
E só nos resta mesmo aprender a amar, até porque não temos grande escolha - seja para sempre ou não.

"The greatest thing you'll ever learn is to love and be loved in return"

Thank God for LOL

Se há "palavra" útil, ainda que ausente do dicionário - pelo menos por enquanto - é o LOL. Porque serve sempre, qualquer que seja a situação. Serve para quando estamos completamente ausentes de uma conversa ("hmmm... ah, lol!") e para quando não percebemos bem o assunto ("os protões? lol!").
Serve para dizer aceitar um convite ("lol", i.e.: estava a ver que nunca mais perguntavas!) e para fugir a sete pés ("lol", i.e.:deves estar louco para pensar que vou a algum lado contigo!).
Serve para concordar ("lol", i.e: pois, tens razão, é óbvio, nem vale a pena acrescentar mais nada à tua brilhante observação para além de uma sonora gargalhada de concordância) e para discordar ("lol", i.e: és tão parvo, mas tão parvo, que, quando ouço essa tua observação ridícula só me consigo rir de ti).
Basicamente, o LOL veio facilitar-nos a vida como nenhuma outra "palavra" antes. Porque nos permite dizer exactamente o que pensamos e deixar aos outros a tarefa de nos compreenderem - ou não. E de nunca mais nos falarem - ou não.
Seja como for, Thank God for LOL.

E aposto que, se Ele existe, também está lá em cima a dizer lol...

Wednesday, March 17, 2010

By the Sea




MRS. LOVETT:
(she kisses Todd)
Ooh, Mr. Todd! (kiss)
I'm so happy! (kiss)
I could (kiss)
Eat you up, I really could!
You know what I'd like to do, Mr. Todd? (kiss)
What I dream (kiss)
If the business stays as good?
Where I'd really like to go,
In a year or so?
Don't you want to know?

TODD: (spoken) Of course.

LOVETT: Do you really want to know?

TODD: (spoken) Yes, I do.

LOVETT: By the sea, Mr. Todd, that's the life I covet,
By the sea, Mr. Todd, ooh, I know you'd love it!
You and me, Mr. T, we could be alone
In a house wot we'd almost own,
Down by the sea!

TODD: Anything you say...

LOVETT: Wouldn't that be smashing?

LOVETT:
Think how snug it'll be underneath our flannel
When it's just you and me and the English Channel!
In our cozy retreat kept all neat and tidy,
We'll have chums over ev'ry Friday!
By the sea!
Don'tcha love the weather?
By the sea!
We'll grow old together!
By the seaside,
Hoo, hoo!
By the beautiful sea!

It'll be so quiet,
That who'll come by it,
Except a seagull
Hoo, hoo!
We shouldn't try it,
Though, 'til it's legal for two-hoo!
But a seaside wedding could be devised,
Me rumpled bedding legitimized!
Me eyelids'll flutter,
I'll turn into butter,
The moment I mutter I do-hoo!

Down by the sea
Married nice and proper!
By the sea,
Bring along your chopper!
To the seaside,
Hoo, hoo!
By the beautiful sea!

Tuesday, March 16, 2010

Em que altura da nossa vida passamos a achar que "porque sim" não é resposta?

Friday, March 05, 2010

2 anos

Ontem não me lembrei. Às vezes esqueço-me que morreste, é verdade. Da mesma forma que há dias em que, de repente, a conduzir para casa, a arrumar a roupa amontoada sobre a cama, me lembro de ti. Penso no que serias agora. Imagino o que farias. Tento descobrir como seria se nos encontrássemos agora, assim por acaso - "olha, também estás aqui?". Sei que me ias chamar Laurinda, eu ia revirar os olhos, provavelmente bater-te ao de leve, dizer "então kókó, já estás a abusar...", rir-me.
Nunca mais me vais chamar Laurinda, e eu nunca mais te vou revirar os olhos. Nunca mais nos vamos encontrar às escondidas, atrás do pavilhão, para um cigarro. Não te vou mostrar fotos da minha filha, mas se calhar, onde quer que estejas, consegues ver-nos. Espero que sim, espero mesmo que sim.
Tenho saudades tuas, Moko. Tantas que sinto a garganta apertada. Tantas que quase acredito que, de repente, vais aparecer por aí a rir e provar-nos que estas coisas não nos acontecem.
Queria tanto que estivesses aqui.

Tuesday, March 02, 2010

Me&FB

O Facebook veio mudar o mundo, já toda a gente sabe. Prova disso, é o número de facebookers, o despedimento "facebookis causis" (n sei, pareceu-me bem), ou a quantidade astronómica de recadinhos que o facebook me vai enviando ao longo do dia com as milhentas actualizações dos meus amigos. Que, neste caso, são mesmo amigos, ou pelo menos conhecidos - sou da velha guarda, nada de aceitar convites de estranhos!
E se por vezes é o companheiro ideal nas loongas horas de monotonia laboral, outras é simplesmente assustador. Como quando descobrimos os nossos amiguinhos do tempo de escola transformados em homens que nos fariam atravessar a rua e marcar o 112 discretamente no telemóvel em caso de ataque súbito. Sim, foi assustador encontrar o pequeno X, que na escolinha fez o papel de príncipe encantado que me acordava com um beijinho na testa (nada de sem vergonhices!) na peça da Branca de Neve, parecido com um toxicodependente do ido Casal Ventoso.

Como postava ainda há pouco um amigo do facebook: "What happens in Vegas... stays on Facebook, Twitter and Youtube". É preciso dizer mais?

Once upon a time

she smoked the whole world and kissed it away

Friday, February 26, 2010

Rituais

Rituais.
É aquela coisa de chegar à redacção, limpar os óculos, pôr os óculos com uma mão enquanto ligo o pc com a outra, teclar a password com dois dedos, enquanto procuro o pacote das bolachinhas na mala XXL com outros dois dedos e estalar o pescoço antes de sentar na cadeira que me deixa as pernas a balançar para trás e para frente.
Abrir o mail, abrir o outro mail, abrir o terceiro endereço de email. Ler os mails de uma e de outra e ainda da outra conta por uma ordem que vai dos potencialmente mais interessantes aos óbvia e tragicamente entediantes.
Ler um blog, dois blogs, três blogs. Escrever cem caracteres, duzentos caracteres, trezentos caracteres.
Chegar a casa e devorar o almoço de olhos fixos no último episódio da Betty Feia, das Donas de Casa Desesperadas ou do Serviço de Urgência.
Voltar e tentar encontrar um lugar onde estacionar o bólide, numa distância estratégica da porta da esplanada - calcular ângulos, raios, diâmetros.
Telefones a tocar, gente a gritar, impressoras a cuspir papel. Tardes que passam tão rápidas que nem damos por elas, ou às vezes horas que insistem em demorar-se, inúteis, nos ponteiros virtuais do ecrã.

E, às vezes, não fazer nada disto. Ignorar os emails, não responder a telefonemas, rabiscar caretas no papel em vez de escrever. Também é para isso que existem os rituais.

Friday, February 12, 2010

violência doméstica no holmes place

"Olha para essa barriga: parece que vais dar à luz! E sabes que acabas sempre por gostar..."

Se, no último anúncio do Holmes Place, fosse um homem a dizer isto a uma mulher, e não o contrário, já toda a gente falava de violência psicológica e de certeza que já tinham colocado umas boas dezenas de soutiens a arder à porta dos ginásios.

Mas, assim, confesso que até me dá vontade de arranjar um marido só para o mandar para o Holmes Place: "Barrigudo pah! Não tens vergonha de andar assim na rua? Que é isto? Maminhas? Vai já tratar disto! Ou precisas que te compre uma combinação?"

Ai, que lindo é o amor...

Filosofias

Parece que o Nietzsche (coitadinho, com este nome imagino a infância terrível que n deve ter tido...) disse: "Sem o caos dentro de si ninguém pode dar à luz uma estrela dançante".

É ÓBVIO que o Sr. N. nunca teve um filho.... Porque quem é que no seu perfeito juízo gostaria de dar à luz uma estrela dançante?? Uma bola em chamas a saltitar de um lado para o outro a sair... pronto, a sair?!

hoje estou de luto pela filosofia

Thursday, February 04, 2010

De todas as vezes que me dizes que sonho demasiado alto

só me fazes querer lutar mais e melhor para ser quem sonho.

Wednesday, February 03, 2010

Lembram-se?

Sebastião: Se você quer a coisa bem feita
tem que fazer pessoalmente.
Primeiro temos que criar o clima.
Percusão,cordas,sopros,palavras.
Aí está ela, aprendendo a namorar

Nada nada vai falar,
Mas embora não a ouça
Dentro de você uma voz vai dizer agora
"Beije a moça"
É verdade, gosta dela como vê

Talvez ela de você
Nem pergunte a ela
Pois não vai falar, só vai demonstrar
Se você a beijar

Sha la la la la la la
Vai não vai, olha o rapaz não vai
Não vai beijar a moça
Sha la la la la la la
Essa não, ele não tenta não
E vai perder a moça

Erick: Eu não me sinto bem
sem saber seu nome
Quem sabe eu adivinho
Será Mildrit.
Já sei que não
Que tal Diana,Raquel?

Sebastião: Ariel, o nome dela é Ariel

Erick: Ariel? Ariel
É um belo nome nome Ariel

Esta é a hora
Flutuando na lagoa
Veja só que hora boa, não perca esta chance
Ela não falou, ela não vai falar
Se você não a beijar
Sha la la la la la la

Vai com fé, que agora vai dar pé
É só você beijar
Sha la la la la la la
Vai em frente, não desaponte a gente
Você tem que beijar
Sha la la la la la la

Pegue a mão, escute essa canção
E beije logo a moça
Sha la la la la la la
Pra ser feliz, faça o que a gente diz
E beije logo a moça

Beija, beija
Beije a moça
Beije a moça
Beije a moça, beije a moça...


(e acaba por não beijar lol)

O tamanho conta!


O homem mais alto do mundo (246.5 cm), Sultan Kosen e o homem mais baixo do mundo (74.61 cm), He Pingping encontraram-se. Os dois juntos, na Turquia.
Mas a Sábado também acrescenta que o sr. He Pingping (será que este é o verdadeiro apelido dele? parece demasiado perfeito para ser real!) enfrenta agora um novo concorrente. Wu Kang, de 22 anos e 68 centímetros, recusou um tratamento hormonal que o poderia fazer crescer mais 12 centímetros... tudo porque quer alcançar o título até agora detido pelo Sr. Pingping.
Anda uma rapariga a fazer malabarismos em cima dos saltos altos para quê?

Para hoje, chuva.

Tenciono lançar um novo programa de meteorologia, baseado no estado do meu cabelo. É certinho que quando invisto meia hora do meu tempo a esticar a juba, chove.

Para amanhã, sol, senhoras e senhores. E muitos caracóis.

Tuesday, February 02, 2010

Ainda sobre a colecção de Arik Levy (ver dois posts abaixo)

For example, “Pussy” can open more or less wide and “Dick”’s upper portion can come down. “Ass” can commune with “Pussy”, while “Dick” is on the floor.

.....
lol

Exaplinim, Sr. Richers*

Toda a minha infância foi marcada de frases aparentemente sem sentido. É por isso que apareço nos vídeos caseiros a cantar parvoíces como "Barbie e o seeeeu comedor"(ainda hoje não sei o que a Barbie tinha, mas tenho quase a certeza de que não seria um comedor), ou "Lá fora há uma vaca em chamas" (o que apesar do efeito visual fantástico é, no mínimo, bizarro).
Lembrava-me bem daquela frase que antecedia sempre as grandes séries pós-almoço, como o Kit ou o Esquadrão Classe A. Mas, na minha memória, tudo o que ficara era "Versão brasileira, Exaplinim".
Hoje, graças ao google, ao youtube e aos MMS (pronto, Miguel*, tu também ajudaste um bocadinho), consegui descobrir que Exaplinim era, na verdade, Herbert Richers, o dono de uma empresa de dobragens brasileira que faleceu o ano passado. Dobrou centenas de séries, filmes e novelas e a frase "Versão brasileira, Herbert Richers" é uma das mais conhecidas no Brasil. Para mim, continuará a ser "Versão brasileira Exaplinim", mas foi maravilhoso conseguir voltar a ouvir aquela voz e conhecer a história por detrás dela.

"Vamos kitxi?"

*na ausência de colunas no local de trabalho, vi-me forçada a pedir ao Miguel que me telefonasse, e colocasse o telefone dele junto às colunas do seu pc, para poder ouvir a mítica frase e confirmar que era, mesmo, a minha exaplinim. Ele enviou-me um MMS com som e ficou tudo esclarecido. Salvé oh Mimi!
Nos meus - ultimamente imensos - tempos livres, gosto de deambular por alguns sites onde sei que me aguardam sempre boas novidades.

O Dezeen é um deles, e se comecei a lê-lo mais por obrigação, agora é um prazer ir espreitando as últimas do mundo da arquitectura e do design. Às vezes, encontram-se pequenas "pérolas" - e eu posso ser realmente chata quando se trata de divulgar "pérolas". Outras, nem por isso. Mas acabo sempre por achar qualquer coisa que me faz rir. Ora vejam:



Dick, Pussy & Ass by Arik Levy


French designer Arik Levy is exhibiting a collection of three cabinets called Dick, Pussy & Ass at Galerie SLOTT in Paris.
The collection of furniture is made up of geometric boxes, which can be rearranged to create stylised images of sexual organs.
posso ser uma nulidade artística, mas não é, definitivamente, o tipo de coisa que colocaria na minha sala... Quer dizer, quem é que quer ir arrumar a loiça num pénis, limpar o pó ao rabo ou convidar a avó a pousar o casaco ali em cima da pussy?... :S

Casais de todo o país, concorrei!

O Fontana Park lançou um passatempo no Facebook em que oferece uma noite com refeição afrodisíaca no Dia dos Namorados. Não fosse eu uma moça solteira e já lá estava a minha participação! Mas, assim sendo, posso alimentar a concorrência e espalhar a palavra. Vejam lá se depois se lembram de mim no dia das amigas, siiiim?



Passatempo Facebook!
O Fontana Park Hotel criou ainda um passatempo “Love Valentine” em que desafia os seus fãs no Facebook a partilharem a sua faceta romântica com uma foto apaixonada na sua página. A foto publicada que reunir mais “Gosto” terá direito a uma estadia com refeição afrodisíaca no Dia dos Namorados no Fontana Park Hotel. Para o casal vitorioso esta será uma experiência única num dia especial. O passatempo irá decorrer até dia 11 de Fevereiro e o vencedor será dado a conhecer dia 12 de Fevereiro.
Esta é mais oportunidade que o Fontana Park Hotel quer dar aos seus amigos para desfrutarem de momentos únicos nesta unidade hoteleira exclusiva.


Monday, February 01, 2010

No mundo ideal...

  • eu teria sempre tempo para assistir um episódio qualquer do início ao fim, enquanto mordiscava as torradas do pequeno-almoço
  • conseguiria sempre escolher o "outfit du jour" à primeira - e, consequentemente, o meu quarto não pareceria ter sido atacado por ursos
  • o meu cabelo pareceria sempre saído de uma capa de revista ao despertar, com aquele jeitinho tipo "desleixado-giro" que em mim parece só desleixado
  • nunca ninguém sairia de casa ao mesmo tempo que eu, deixando todas as estradas livres para que pudesse conduzir, feliz e contente, aos zigue-zagues para o trabalho
  • a minha filha acordaria sempre com um sorriso angelical e um grande abracinho para me dar, em vez de rosnar debaixo dos lençóis sempre que a tento acordar - à distância, com um pau
  • nunca mais teria de escrever sobre sanitas. Ou torneiras.
  • nevaria pelo menos uma vez por ano em Lisboa - e a neve seria igualzinha a farrapos de algodão doce
  • seria capaz de usar saltos altos um dia inteiro sem parecer a prima direita do Quasimodo
  • A Mango, Zara e Stradivarius lutariam entre si para me conseguirem como representante e eu acabaria por permitir que todas me vestissem de graça.
  • O fim de semana teria 3 dias pelo menos - 4 também não está completamente fora de questão!

(continua....)

Friday, January 29, 2010

Toms Drag


legenda: lindo, lindo, lindo, lindo, lindo!!
Descobri a colecção do Tom Hoffmann na Bairro Arte (http://bairroarte.blogspot.com/) e estou receptiva a todos os embrulhos que me queiram enviar com as coisinhas deste senhor.
Há sapos com coroas, cães que são porta-jóias, girafas que ficavam lindas com as minhas malinhas lá encavalitadas... tudo com um ar muito drag!

Thursday, January 28, 2010

O dia em que me tornei potencial dadora de medula

Enfermeira: "Está a ouvir-nos? - como é que ela se chama? - Sente-se bem? Consegue ouvir-nos?"

Vozinha interior: Se calhar ainda tenho tempo de fugir. Mas não, não posso. É o meu dever enquanto ser humano!

Pessoa dentro da sala: "Eu... eu nem me apercebi que tinha desmaiado"

Vá, também gostava que fizessem o mesmo por mim, pela minha família, pela minha filha!

Enf: "Será que consegue aguentar depois a recolha?"

A recolha? Mas é assim tão mau?

"São duas horas ligada a uma máquina que lhe tira o sangue e o volta a colocar, depois de retiradas as células necessárias"

O QUÊ?? ABORT ABORT!!

"Ah, mas há uma opção com anestesia geral, não é?" ( a desmaiada, meia desperta)

Ufaaa....

"Sim, mas com essa tem de ficar hospitalizada durante 24 horas"

OH MERDA! SIMULA UM DESMAIO, ATIRA-TE PARA O LADO, FOGE, FOGE!

Já para mim: "Tem a certeza do que está a fazer? É que se desistir depois de encontrarmos um receptor compatível, essa pessoa pode morrer"

(Engulo em seco)

Eu mesma: "Claro, claro, não vinha aqui se não quisesse ajudar" OH MEU DEUS, OH MEU DEUS, O QUE É QUE ESTOU A FAZER?




12 ml de sangue a menos:

"Parabéns, espero que tenhas a sorte de conseguir salvar a vida de alguém :)", envia a minha irmã, inscrita no banco de dadores há 3 anos.

Cala-te medo. Hoje sinto-me a Supermulher ;)

Wednesday, January 27, 2010

Pacotinho de açúcar

Um dia despeço-me e, passados os 30 dias de pré-aviso que tenho de dar à empresa, passo o dia inteirinho na praia, esteja sol, chuva, neve ou granizo.

Mas hoje ainda não é o dia.

O "terceiro olho"

Procurava eu um método para aprender a dormir de olhos abertos (esta nova experiência de trabalhar a full-time tem sido, no mínimo, desesperante), quando o meu novo melhor amigo Google (salvé!salvé!) me enviou para o Fórum "Viagem Astral".

Acho que não vai ser aqui que vou encontrar a minha solução, mas vale mesmo a pena ler:

"A um tempo atraz eu estava com muita dificuldade de dormir no onibus (e de escrever também, mas continuemos), eu passava a viagem inteira para a faculdade de olhos fechados tentando dormir, as vezes eles pareciam estar entre abertos. Sempre achei que eu estava acordado, quando perguntei a minha amiga que me confirmou que eu estava sempre dormindo e de olhos fechados. Porém a impressão que eu tinha era de passar a viagem inteira sentado e eu conseguia ver praticamente tudo ao meu redor. Isso já aconteceu varias vezes comigo a noite, de passar a noite inteira dormindo, mas mesmoa assim uma parte de mim estava acordada olhando para o quarto. Isso tem alguma coisa a ver com o terceiro olho?" Pessoa X

Resposta:

"Dormir de olhos abertos é um distúrbio do sono, a pessoa que sofre deste distúrbio deve procurar auxílio médico tendo em vista que o não fechamanto dos olhos por período de tempo prolongado pode causar irritações na córnea que podem evoluir para úlceras de córnea e comprometer sériamente a visão devido a falta de lubrificação do globo ocular." Pessoa Y

lolol estava ele tão esperançoso...

E daí?

E daí,
Gal Costa

Proibiram que eu te amasse
Proibiram que eu te visse
Proibiram que eu saísse
E perguntasse a alguém por ti
Proibam muito mais
Preguem avisos
Fechem portas
Ponham guisos
Nosso amor perguntará
E daí, e daí
Daí por mais cruel perseguição
Eu continuo a te adorar
Ninguém pode parar meu coração
Que é teu...

Ando viciada na expressão "e daí".
Pois, devia era estar a escrever sobre pavimentos e papel de parede mas... e daí? ;)
E daí?
e daí?

Quero um, quero um!!

Sei que não é nenhuma novidade, mas como ainda estamos em Janeiro e há todo um ano para encher de notas, tinha de pôr aqui este calendário do Oscar Diaz que achei simplesmente genial!
"Todos os meses, uma garrafa de tinta vai-se espalhando numa folha de papel com números, colorindo-os à medida que o tempo passa"

Se quiserem saber mais (e vocês sabem que querem, vá lá): http://www.dezeen.com/2009/07/17/ink-calendar-by-oscar-diaz/

Tuesday, January 26, 2010

Do "nada a ver"...

Hoje estava na dúvida acerca do nome do tubinho dentro da garganta que leva o ar até aos pulmões.

Nos mamíferos, a traqueia é o tubo de aproximadamente 1,5 centímetros de diâmetro por 10-12 centímetros de comprimento que bifurca-se no seu interior, ligando a laringe aos brônquios, para levar o ar aos pulmões durante a respiração.
A traqueia é constituída por músculo liso, revestida internamente por um epitélio ciliado e externamente encontra-se reforçada por anéis de cartilagem. Esse muco ciliar adere partículas de poeira e bactérias presentes no ar inalado, e que graças ao movimento dos cílios são varridas para fora e expelidas ou engolidas. Wikipédia

Não gostei dos anéis de cartilagem. Fizeram-me lembrar as orelhas de porco na feijoada....

Urghhhhh!

Monday, January 25, 2010

hummmm....

José Cid sequestrado e roubado

O cantor José Cid foi alvo de carjacking no passado Domingo. Uma dupla de assaltantes sequestrou e roubou o cantor.


Domingo por volta das 02h30 da madrugada, a 10 metros de sua casa, no Alto do Estoril, José Cid abrandou a velocidade do carro quando chegava a um cruzamento e foi surpreendido por dois homens com duas armas de fogo. Um português e um brasileiro entraram cada um por um lado diferente do carro e José Cid não resistiu.
«Eles não sabiam quem eu era*. Eu disse-lhes que era o José Cid e pedi-lhes que não me fizessem mal, porque tinha ali dinheiro», revelou o cantor ao Diário de Noticias.
«Tu cantas bué bem, mas não contes isto à polícia, senão levas um tiro».
Foi este o ultimato que os dois assaltantes fizeram a José Cid.
Os assaltantes mandaram-no deitar de bruços no banco traseiro e ameaçando-o que se falasse levava um tiro. Conduziram o carro até Almada a alta velocidade, levando o cantor a pensar que era um rapto. Depois de uma hora em pânico e depois de 500 euros a menos no bolso, José Cid pôde respirar de alívio quando a dupla de assaltantes disse que se ia embora.

(Inês Carranca, no Destak)

Levam-lhe o dinheiro e raptam-no durante uma hora "de pânico", mas não sem antes acrescentar o assustador ultimato de que ele "canta bué bem" - uma parte, aliás, fundamental nesta história - mas não o suficiente para se safar de um tiro caso diga alguma coisa à polícia. ...
...
é só de mim ou, sei lá, existem aqui uns contornos assim a atirar para o cómico?

*hummmm..... lol

Friday, January 22, 2010

Ultimamente não consigo deixar de ouvir...

Coisas que eu sei

Eu quero ficar perto
De tudo que acho certo
Até o dia em que eu
Mudar de opinião
A minha experiência
Meu pacto com a ciência
Meu conhecimento
É minha distração...
Coisas que eu sei
Eu adivinho
Sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio relógio
Mostra o tempo errado
Aperte o Play...
Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer
Na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo tá fechado
Pra visitação...
Coisas que eu sei
O medo mora perto
Das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim
Não vou trocar de roupa
É minha lei...
Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais
Depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro
Do que eu desenhei...
Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas
No meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos
Que eu não sei usar
Eu já comprei...
As vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo
Mais afundo em mim
Eu moro num cenário
Do lado imaginário
Eu entro e saio sempre
Quando tô a fim...
Coisas que eu sei
As noites ficam claras
No raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes
Eu somente não sabia...
Coisas que eu sei
As noites ficam claras
No raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes
Eu somente não sabia...
Agora eu sei...Agora eu sei...Agora eu sei...

http://www.youtube.com/watch?v=rIVFcsO_ywQ

Mesmo?

Madrid foi há 11 anos.
(Respira fundo)
É quando começamos a contar as coisas em décadas que percebemos que estamos a envelhecer. Quando achamos que tudo se passou, no máximo dos máximos, há meia dúzia de anos e, de repente, quando olhamos para a fotografia, vemos a data a corrigir-nos as coordenadas com a força de um soco no estômago.
Já passaram mesmo 11 anos?
É também nesta altura que percebemos o significado daquelas “amizades de sempre”. Das amigas que vimos crescer, com quem partilhámos os pormenores t-o-d-i-n-h-o-s do primeiro beijo, com quem falámos horas ao telefone analisando o olhar que o rapaz de quem gostávamos nos lançou no intervalo. Foi com elas que nos descobrimos enquanto pessoas, que experimentámos todas as nossas potenciais personalidades, desde estrelas de música pop, a bruxas ou aspirantes a comandar a máfia…
Fumámos cigarros às escondidas na varanda. Rimos com estátuas despidas. Fingimos não entender espanhol. Percorremos as calles ao ritmo da nossa inocência e com toda a felicidade que pode caber num sorriso de 14 anos. Cantámos Spice Girls até à exaustão.
Foi há 11 anos? Mesmo?

Friday, January 15, 2010

3 quilos de corrector de olheiras depois...

... já quase pareço um ser vivo. Quase.

O que eu queria mesmo mesmo nestes dias...

Adoro a forma como depois de espancar tudo o que lhe aparece à frente, seja com a parte de cima do guarda-chuva ou com o cabo, o senhor acaba sempre por abri-lo com o ar mais tranquilo do mundo!

Saturday, November 21, 2009

Nós fomos!!

Faltavam 40 minutos, mas já íamos trocando uns palpites no carro, enquanto percorríamos os 5 kms que nos separavam do nosso destino. A chegada dos convites, dias antes, tinha motivado MMS que nunca chegaram a ser entregues (e um telemóvel que não seja da pré-história, quirida?), SMS cheios de "lol"s e muito blablabla no café, seguido de risinhos e "aiai"s adolescentes e ligeiramente preocupantes.
Afinal, feliz ou infelizmente, não éramos as únicas pessoas a tender para a paixão ridícula por uma personagem fictícia que ainda por cima é um vampiro, naquela noite. Uma centena de pessoas esperava, de convite para a ante-estreia na mão, a abertura das portas que nos conduziriam ao aguardadíssimo, esperadíssimo, desejadíssimo, primeiro frame de "Lua Nova".
Os posters no balcão voavam, como acontece, aliás, com tudo o que é dado de graça ao português, pelo que me agarrei logo a dois, enquanto tentava equilibrar um pacote de pipocas salgadas, um ice tea, a carteira, o cartão zon e o BI nas minhas duas, muito insuficientes, mãos.
"Trouxe-te um poster!"
"Amigaaaaa!" - nada como um poster gratuito para fazer a amiga rabugenta que ficou à espera na fila ganhar um sorriso de orelha a orelha.

Para quem já leu a saga, o filme, ao contrário do que costuma acontecer, não é, de todo, uma decepção. Refeita do choque do primeiro - o Edward é ASSIM? - as personagens já nos são familiares, e a história flui muito melhor neste segundo filme, com menos intervenções de um narrador que aparecia demasiadas vezes para colmatar falhas de acção no volume 1 da saga feita cinema.
Tecnicismos à parte, o importante mesmo é: onde é que fica aquela reserva de índios-lobisomens, para eu ir lá nas férias? Triste, mesmo, quando, depois de 50 minutos de Jacob em tronco nu, o Edward tira a camisa e mostra um troncozinho raquítico, pálido e com uns pelinhos de enfeite - fica, claramente a perder, e só com muito esforço uma pessoa mantém a sua lealdade platónica a uma relação inexistente com uma personagem igualmente irreal. Mas Eddy, continuas à frente - escassos centímetros, avise-se!
O filme mantém-se fiel ao tom lamechas da história, incluindo, até, a imagem do supra-sumo dos clichés, com uma Bella e um Edward que correm pelos prados de roupinha ao vento e pele vampírica brilhando ao sol. Ridiculamente divertido e muitíssimo viciante.
Nota 10! Não, 20! A verdade é que adorámos cada segundinho do filme, por mais estúpida, irreal e melosa que a história seja - se calhar, porque ela é isso mesmo.

Posto isto, acrescento que, nos últimos tempos também li Saramago e Le Clézio. Agora não me linchem, ok?

Tuesday, November 17, 2009

O incrivel mundo da comunicação


Perfil: licenciada em Ciências da Comunicação, experiência na área do jornalismo, blablabla
Lista de vagas para possíveis empregos:
- Responsável de Recursos Humanos (ok, não é tão absurdo assim)
- Gestora de loja (hummm... avancemos...)
- Condutor de barcos de recreio (.......)


É que condutor de barco de recreio que se preze deve ser capaz de recitar Walter Benjamin, compreender o panóptico de Foucault ou, pelo menos, conseguir explicar aos senhores turistas a semiótica da Torre de Belém! E se conseguir, pelo meio, relatar tudo isto em forma de notícia - sem adjectivos nem advérbios, faz favor - está contratado!

Por isso, meus amigos, há esperança no incrível mundo da comunicação!...

Friday, October 16, 2009

Venho corrigir o meu último post. Na verdade, parece-me que tenho uma mini bolha, invisível mas palpável, no dedinho do pé. Evil shoessss!
O que eu queria mesmo, para além da paz no mundo, o fim da fome, etc etc, era ser capaz de andar um dia inteiro de saltos altos sem parecer ter sido atropelada por um camião. Porque, convenhamos, se há adereço milagroso é esse, o salto de não sei quantos centimetros que nos deixa as pernas fabulosas e nos dá um ar de personagem de uma série cosmopolita americana tipo Sexo e a Cidade, Lipstick Jungle, Máfia de Saltos Altos e afins.
Mas, verdade seja dita, não sou capaz de acreditar que esse dia venha, de facto, a chegar. É que quando alguém me diz que adooora andar de saltos, eu penso sempre que, das duas, uma: ou estou em amena cavaqueira com a irmã do Pinóquio ou então a pobre tem de ter os pés completamente fustigados por calosidades que lhes roubaram para sempre a sensibilidade nesta parte do corpo. Ou então, quem sabe, há mesmo esta espécie sortuda de mulheres que nasceu com o dom de aguentar todo o peso do corpo nas pontinhas dos pés sem sentir uma pontinha que seja de dor. Raios as partam!
E isto porquê?
Porque ontem, para uma ocasião mais formalzinha, lá calcei os meus sapatinhos lindos e amarelos, a fazer pandan com a malinha igualmente linda e amarela, e parti, feliz e confiante, pelas estradas deste belo concelho que é Oeiras. Isto até sair do carro. Porque depois, não encontrando local onde estacionar, deparei-me com a problemática falta de passeios e, entre caminhar através da rotunda, ou mergulhar na lama que a ladeava, lá optei pela lama, que suja mas não mata. E com os saltinhos amarelos espetados na lama, os pés a darem os primeiros sinais de dor, e o tempo a passar assustadoramente depressa, lá se foi a elegância e ficou apenas o instinto de sobrevivência, a gritar-me aos ouvidos: mas quem é que te disse que era boa ideia trazer os sapatinhos coquetes?
O resultado é que à hora de almoço, saindo da redacção, já quase coxeava em direcção ao carro. Cheguei mesmo a pensar que o dedinho pequenino já devia parecer uma papa de sangue quando, finalmente, arrancasse aquele sapato, ainda lindo, mas assustadoramente doloroso, do meu pé.
Não tinha sangue. Nem sequer uma mini bolha para me poder queixar à vontade. Mas os sapatos amarelos voltaram para o seu lugarzinho, de onde não sairão até à próxima ocasião formalzinha.

Mas se há coisa que não dói e também é linda de morrer são malas, e por isso, minhas amigas, eu se fosse a vocês ia espreitar o Cascaishopping nos próximos tempos, que a Telabags está a preparar uma colecção com descontos very apelativos. São ecológicas, feitas à mão e giras, giras! Se é para sofrer com a crise, ao menos sofremos com estilo - e com os pés o mais intactos possível!

Monday, June 29, 2009

Eu não estou aqui

Tenho saudades de quem sou. Ou de quem era. Tenho saudades da forma anárquica como organizava o mundo à minha volta. Como batia o pé e jurava que eu não ia ser assim. Não ia apanhar o metro a correr para picar o ponto. Não ia vestir-me de cinzento nos dias de chuva. Nunca. Queria encontrar-me, um dia destes. Lembrar-me como era sentir-me assim. Tão viva, tão certa, tão feliz.
Eu não pico o ponto. Eu não ando de metro. Eu não me visto de cinzento nos dias de chuva.
Mas, mesmo assim, não estou aqui.

Friday, June 19, 2009

Dia de fecho

Dia de fecho.
Oscila entre a loucura e a pasmaceira. Entre o corre-corre e o estar sentada durante horas, nas escadinhas, a apanhar sol, a fumar cigarros e a comer cerejas. Os dias de fecho têm cheiro. É o cheiro da tinta dos prints e plotters, dos marcadores fluorescentes a marcar notas e apontamentos nas margens, do dia que se vai transformando em noite e nós cá dentro, às vezes, no Verão quase nunca, a olhar para o ecrã, absortas das mudanças que se vão dando do outro lado da janela.
Dias de fecho são dias de cortar palavras aos textos. Às vezes parágrafos inteiros, outras vezes são textos dentro do texto que desaparecem, sem sequer deixarem vestígio de algum dia terem existido. Substituem-se palavras perfeitas por outras mais curtas. Sinónimos. Isso não existe. Isso não há.
São dias de corte e costura, de cansaço que traz olheiras, dores de costas, pescoços que estalam, olhos que ardem, zumbido nos ouvidos, roupa que cola e cadeiras que se moldam ao corpo. É a minha cadeira. E se não é confortável é porque o meu corpo não gosta do seu próprio molde. Culpa dele.
Dia de fecho é de “boa sorte”, de “escreveste tanto!”, de “não podemos aumentar um bocadinho a caixa de texto?” de bateres de pestanas suplicantes, vitórias às vezes, derrotas muitas mais, um “uffa” no fim antes da próxima guilhotina. São dias de isqueiros que flutuam entre nós, emprestados, perdidos, não tem dono? ah, é meu!, e o meu isqueiro? – is...quê? Viagens à máquina para ver os snacks que ainda estão dentro do prazo e depois esmurrá-la quando eles não caem, de ir à Maria Delícia comer uma fatia de bolo de bolacha, de arrumar a secretária que ficará novamente caótica na semana seguinte.
Dia de fecho – como é que alguém pode viver isto todos os dias?!

Thursday, June 18, 2009

A Morte Melancólica do Rapaz Ostra e outras estórias

Depois de mais de um ano de ausência "emprestada" ele voltou. Tão brutalmente imperfeito como antes :)

The Melancholy Death of Oyster Boy (de Tim Burton)



He proposed in the dunes,

they were wed by the sea,

Their nine-day-long honeymoonwas on the isle of Capri.

For their supper they had one specatular dish-a simmering stew of mollusks and fish.And while he savored the broth,her bride's heart made a wish.
That wish came true-she gave birth to a baby.

But was this little one human

Well, maybe.


Ten fingers, ten toes,

he had plumbing and sight.
He could hear, he could feel,but normal?

Not quite.

This unnatural birth, this canker, this blight,

was the start and the end and the sum of their plight.


She railed at the doctor:

"He cannot be mine.
He smells of the ocean, of seaweed and brine."


"You should count yourself lucky, for only last week,

I treated a girl with three ears and a beak.
That your son is half oyster
you cannot blame me.
... have you ever considered, by chance,
a small home by the sea?"


Not knowing what to name him,

they just called him Sam,
or sometimes,
"that thing that looks like a clam"


Everyone wondered, but no one could tell,
When would young Oyster Boy come out of his shell?


When the Thompson quadruplets espied him one day,

they called him a bivalve and ran quickly away.

One spring afternoon,
Sam was left in the rain.
At the southwestern corner of Seaview and Main,
he watched the rain water as it swirled
down the drain.


His mom on the freeway


in the breakdown lane
was pouding the dashboard

-she couldn't contain
the ever-rising grief,

frustration,
and pain.


"Really, sweetheart," she said



"I don't mean to make fun,


but something smells fishy


and I think it's our son.


I don't like to say this, but it must be said,


you're blaming our son for your problems in bed."


He tried salves, he tried ointments



that turned everything red.


He tried potions and lotions


and tincture of lead.


He ached and he itched and he twitched and he bled.


The doctor diagnosed,

"I can't quite be sure,

but the cause of the problem may also be the cure.

They say oysters improve your sexual powers.
Perhaps eating your son
would help you do it for hours!"


He came on tiptoe,

he came on the sly,
sweat on his forehead,
and on his lips-a lie.


"Son, are you happy? I don't mean to pry,
but do you dream of Heaven?
Have you ever wanted to die?


Sam blinked his eye twice.

but made no reply.

Dad fingered his knife and loosened his tie.


As he picked up his son,

Sam dripped on his coat.

With the shell to his lips,
Sam slipped down his throat.

They burried him quickly in the sand by the sea
-sighed a prayer, wept a tear-
and they were back home by three.

A cross of greay driftwood marked Oyster Boy's grave.
Words writ in the sand
promised Jesus would save.


But his memory was lost with one high-tide wave.

Wednesday, June 17, 2009

Condutores, juntem-se a mim num boicote aos piiiiii

Há um teste na internet que nos permite “descobrir” quando e de que morreremos. É um teste na internet – o que, desde logo, diz muito sobre a sua fiabilidade. E tem como objectivo prever o futuro – outra das suas características levemente dúbias. Mas, de qualquer forma, há quem o faça. Eu não. Nem a brincar quero saber quando e como vou morrer. Por mais estúpido que seja.
Eu sei aquelas coisas de que, eventualmente, me terei de separar se quiser viver mais uns anos – isto tendo em conta a simples lei das probabilidades. Dizer adeus ao LM Azul no fundo da mala, por exemplo. Não mandar sms enquanto conduzo também pode ser uma boa medida a tomar. Começar a baixar a cabeça quando passo debaixo dos sítios – cada vez mais me apercebo de que ser baixa não equivale a ser invisível e que bater com a cabeça dói. Mesmo. E, num dos primeiros lugares da lista, com direito a néons coloridos em redor: começar a controlar a hipertensão na estrada. Acho que é um dos melhores sítios para “medir” uma pessoa. Há os que esperam estoicamente na fila, debaixo de 30 graus, para avançar dois metros após meia hora de espera, segundo um princípio qualquer de justiça e respeito pelo próximo – como eu. E aqueles que avançam, felizes e contentes, pela faixa da esquerda, para se enfiarem novamente na direita como se tivessem alguma espécie de direito supremo a passar à frente. E há, claro, os que deixam, encolhem os ombros, lá dão espaço. E os outros que vão o caminho todo colados ao da frente, quase sempre a um milímetro de bater, a espreitar pelo espelho para ver se alguém vem aí a tentar enfiar-se num espacinho deixado ao acaso, que buzinam, reclamam e encolhem os ombros abanando a cabeça quando lhes pedem para passar e tremendo de raiva quando alguém (piiiii), os (piiiiii) deixa mesmo (piiiii) passar. Eu sou destes últimos. Do tipo que gostava de criar uma associação nacional contra os anormais na estrada. “Se ninguém os deixar meter-se eles desistem!”, argumento, de olhos sempre fixos no próximo carro que procura roubar o lugar que durante meia hora ou mais lutei para manter. O que me transforma na pior companhia de sempre para atravessar a ponte 25 de Abril, por exemplo. “Chega-te já à frente! Não! NÃO! Não o deixes passar! PORQUÊÊÊ?!” Mas eu acho que não sou eu que tenho o problema. Se calhar exagero, ainda admito isso. É que, repito, se nenhum de nós acedesse a colaborar com os condutores que consideram o seu tempo mais valioso que o nosso, e que ainda se gabam de nunca esperar nas filas, se calhar a coisa mudava um bocadinho. Mas não. Ficamos dentro do carro a suar, civilizadamente. Avançamos na fila, civilizadamente. E deixamo-nos ultrapassar, civilizadamente. Ninguém está para se chatear...

Friday, May 15, 2009

As oito coisas que quero fazer antes de morrer

Não é que esteja com tendências trágicas ou suicidas. A vida até corre bem e já há sol suficiente para andar de chinelinho no pé e arriscar um gelado ao lanche sem ter medo de morrer de gripe a seguir. Mas eu sou lá moça de recusar um desafio, ainda por cima tão persuasivo (grande poder de persuasão, Alê) como o que a minha Alecas fez no seu La Dolce Vita!
Vai daí, pus-me a pensar nas oito coisas que quero fazer antes de morrer.

1. Ganhar o Nobel da Literatura (ou, numa versão mais realista, conseguir enfiar qualquer coisa escrita por mim nas prateleiras da Fnac)
2. Estar despreocupadamente a ver o Jornal Nacional enquanto como o jantar e descobrir que ganhei o Euromilhões! (ou, numa versão mais realista, receber a herança da tia milionária que nunca conheci mas que tenho a certeza que existe por aí!)
3. Dar a volta ao mundo com a minha filha. De barco. A motor.
4. Aprender pelo menos mais 3 línguas (a minha aposta iria para o árabe, o russo e o mandarim)
5. Escrever a notícia da descoberta da cura do cancro ou da Sida, da invenção da máquina do tempo, do fim da guerra, da fome e da miséria em todo e qualquer cantinho do nosso mundo.
6. Escrever um poema num sítio qualquer onde o tempo não o consiga apagar, por exemplo debaixo de uma pedra de um monumento, para ser descoberto por alguém centenas de anos depois - de preferência por uma menina de tranças e corda de saltar atrás
7. Ter uma carrada de netinhos para lhes contar histórias -e para, já agora, massajarem os pés da avózinha quando estiver cansada :P
8. Morrer feliz com tudo o que fiz, com todos os que conheci, com tudo o que sonhei, inventei e amei e resignada com aquilo que não tive tempo e oportunidade para fazer, sem arrependimentos.

É melhor começar a mexer-me.
Já.

Wednesday, April 15, 2009

Por enquanto... "Heil Magalhães"

Olhei o caixote de cartão com alguma desconfiança. Meses de espera tinham-me trazido, finalmente, o famoso - por uns aclamado, pela maioria apupado -Magalhães. A caixa, branca e azul, mostrava dois miúdos sorridentes, sob o slogan "Em cada criança há um descobridor". A minha filha gritava, feliz da vida, que tinha um computador só para ela, e eu rezava, baxinho, para que o computador passasse no primeiro teste: se ligasse, eu já ficava minimamente satisfeita.
Abrimos a caixa: um simples facalhão de cozinha bastou, fortalecendo a esperança de que a missão "Pôr o Magalhães em acção" ia ser tão fácil como "roubar doces a uma criança" - o que, verdade seja dita, não é nada fácil e só alguém que nunca tenha tentado "roubar doces a uma criança" é que podia ter inventado isto.
Depois disto, foi fácil. Básico mesmo. Senti-me quase tentada a acreditar que as criancinhas mais velhas até eram capazes de o fazer sozinhas: cabo de alimentação no pc e na tomada, toca a ligar o pc, instalar windows "aceito, seguinte, seguinte, seguinte" e voilá, o mighty Magalhães já bombava na minha cozinha.
Aparentemente, e só com umas quantas horinhas de teste, tudo funciona. Ainda não explorámos todos os jogos, mas, do que vi, a nossa versão - perdão, a versão da Didi - já tem os erros ortográficos corrigidos e tudo corre na perfeição.
Afinal, o computador até é resistente às quedas - segundo dizem - é verdadeiramente portátil - mini mini portátil - e custou menos que um par de sapatos. Por enquanto (e só por enquanto) eu digo "Heil Magalhães!"

Tuesday, April 14, 2009

Abril, águas mil

Ainda que as mutações climáticas nos façam usar tops de alças e havaianas no Inverno, há coisas que ainda se mantêm. Como o tal ditado que diz que em Abril, águas mil. Mil águas contra o meu carro logo pela manhã, mil carros cheios de condutores enfurecidos/cegos pela chuva que acendem e apagam piscas, que atravessam duas faixas de cada vez, que seguram cigarros encharcados do lado de fora da janela (?) e buzinam com paixão, assinalando a sua existência.

É bom saber que há coisas que não mudam.

Thursday, April 02, 2009

Tinha essa mania de contar sempre as coisas dos outros como se se tivessem passado com ele. As dores, as mortes, as alegrias, as zangas, os perdões. Ele próprio morria, vezes sem conta, nas palavras arrastadas que lhe escorriam dos lábios nos fins de tarde no alpendre. Os olhos apressavam a esconder-se sob as pálpebras, quando finos fios de lágrimas lhe chegavam ao queixo. Já tivera mil profissões, mascaradas sob o chapéu de palha meio rasgado pelo tempo. Fora contador de suspiros, guardador de segredos, construtor de constelações. Esta última, a mais difícil, provocara-lhe um coxear da perna esquerda quando uma noite, distraído, se deixara cair do enorme escadote em que se empoleirava para chegar ao céu. Não o negávamos nunca - as verdades dele não eram propriamente as nossas, mas isso não as tornava mentiras. Eram verdades que nasciam daquela hora única no dia, quando a noite se começa a desfazer em retalhos de luz e os sonhos se diluem nos sons do despertar. Não eram sonhos, porém. Eram verdade mesmo, e ele corria a casa, coxeando, para trazer o grande baú de madeira onde, durante anos, guardara os segredos dos outros, fazendo prova do que dizia.
Nós sorríamos - o que interessava a lógica e o bom senso? Quem queria saber da física, da medicina ou de qualquer outra ciência exacta, quando aquelas palavras nos embalavam os pores do sol? Deixávamo-nos ficar, estendidas sobre a madeira quente do alpendre, a trincar as maçãs roubadas à terra, e desenhávamos com as palavras novas profissões para nós: plantadoras de sonhos, pescadoras de sorrisos, lavadoras de almas. E, quando finalmente a lua surgia, ele levantava-se em silêncio e voltava a casa. Sozinho, emudecido, sem se despedir, cruzava a porta sempre aberta e desaparecia por entre a escuridão espessa que enchia o corredor e se lhe agarrava à pele. Nunca houve adeus entre nós. Nem sequer um até logo, um até já ou um até amanhã. Éramos tão livres quanto as ervas daninhas que cresciam nas traseiras da casa. Livres ao ponto de nunca dizer adeus. Tão livres quanto algum ser pode ser.

Thursday, February 19, 2009

A "crise"

A crise é horrível. Lemo-la nos jornais, nas caras das pessoas quando contam os trocos para pagar as compras, na conversa do amigo do amigo que perdeu o emprego. Até aí, a crise é horrível, mas podemos com ela.

Depois, a crise chega até nós. Assim, quase sem aviso, uma estalada de realidade de que leva tempo até nos recompormos. Já não é só horrível: é chocante, difícil de acreditar. Olhas para ela de frente e, mesmo assim, não a reconheces: é como um furacão que torna tudo disforme e esbatido e que, num instante, destrói aquilo que davas como quase certo. Pela primeira vez, sentes medo a sério da "crise". Essa palavra escarrapachada em todos os jornais que já se tinha tornado tão parte do teu dia-a-dia que quase a esquecias. Pensas no que podes fazer e sabes que, em todo o mundo, milhares de pessoas estão a pensar exactamente o mesmo que tu: e agora?

Há uns meses ouvi, na rádio, um homem que falava de todas as crises pelas quais já tinha passado ao longo da vida - e sobrevivido. E, nessa altura, senti que havia esperança. Naquela voz tremida pela idade não havia medo, nem necessariamente coragem. Havia sabedoria. Aquele tipo de coisas que julgo que só se aprendem mesmo com a experiência e os anos. Aquelas coisas que, depois de as escutarmos pela primeira vez, são uma espécie de âncora que procuramos nos momentos difíceis. Palavras que vêm trazer à alma o aconchego que falta nas antigas certezas do dia-a-dia.

E eu acredito tanto em nós.

Monday, January 19, 2009

Dias mais ou menos

Há dias maus. Ou dias mais ou menos, vá. Em que só queríamos a cama, uma tarde de cinema típica de domingo com as comédias de sempre a passar em dose de elefante, o pijama de flanela e o aquecedor na potência máxima, só desta vez, porque até nos preocupamos com o consumo de energia e o fim do mundo.
Nestes dias, ou temos a coragem de nos atirarmos pelas escadas e, assim, sermos forçados a ficar em casa (ora, bolas!), ou, como o comum dos mortais, arrastamo-nos entre as torradas e o café com leite, a escova dos dentes e o casaco, e enfrentamos a chuva, o nevoeiro e o frio como bravos guerreiros vikings.
Mas também há dias de vacas na Praça de Espanha. Quando conduzimos quase em piloto-automático, alguém ao nosso lado grita: OLHA UMA VACA! e nós esperamos, a qualquer momento, embater com uma tonelada de manchas pretas e brancas. (quanto pesará uma vaca? google: "peso vaca" - cerca de 400 kgs) Afinal, não há embate. Quatro ou cinco vaquinhas limitam-se a pastar em plena Praça de Espanha, num metro quadrado de relva, à chuva e sob os gases dos tubos de escape dos carros que abrandam para espreitar estes espécimes raros na capital.
É nestes dias que a minha secretária excessivamente desarrumada (a mais desarrumada da área, já conferi) me irrita ao ponto de quase acreditar que alguém a desarruma todas as noites só pelo gozo de me chatear. Os jornais com 3 meses empilhados à esquerda parecem-me apenas potenciais formas de atear um fogo e as migalhas das bolachas que acabei de comer são motivo suficiente para dar um raspanete à senhora das limpezas que saiu daqui há uma hora...
Nestes dias mais ou menos, tudo o que eu quero é chegar a casa, tirar as botas, afundar-me no sofá e fingir que passei o dia inteiro assim. Mas, assim, não tinha visto as vacas e tinha perdido o acontecimento da semana em Lisboa...

Thursday, January 15, 2009

Sinfonia da melancolia

Passos.
Uma última palavra esvoaçante entre os braços.
Uma só, depressa
antes que, de repente, alguém apareça!
Antes que a luz descubra, por completo, os prédios e as casas
em frente dos quais as palavras se tornaram gestos
e os gestos ganharam asas.
Antes que o coração desta terra volte a bater
e a gente encha as ruas, caminhando sem se deter.
Sacos nas mãos, saltos nos pés, sonhos guardados
- quando é que nos tornámos tão estranhos e errados?
Antes que as pontes ameacem ruir,
e ninguém pare para as ver no momento de cair.
Antes que os destroços de pedra se misturem com os destroços de nós
e que o ruído de mil passos nos abafe e cale a voz.
Quando?
Quando é que cegámos por completo?
Cidades inteiras perdidas em cegueiras que passam por um defeito discreto.
Quando é que nos tornámos tão sós?
Quando é que todos os outros passaram a ser tão diferentes de nós?
Não são passos que escuto em torno de mim:
é a sinfonia de uma inteira melancolia feita de notas que são as gentes assim.





Thursday, January 08, 2009

Richness For Dummies




"There's plenty of money out there. They print more every day. But this ticket, there's only five of them in the whole world, and that's all there's ever going to be. Only a dummy would give this up for something as common as money. Are you a dummy?"

(Grandpa George em "Charlie and the Chocolate Factory", 2005)






Thursday, November 20, 2008

Pornografia Infantil, NÃO

Se o Bush criou o Eixo do Mal com países, os bloggers também podem renovar o conceito. Porque jamais o Mal (assim com maiúscula) foi exclusividade de uma nação, uma raça, uma língua ou uma religião. Essa coisa do Mal existe nos indivíduos, e nunca saberemos ao certo se resulta de uma distorção cerebral, ou de uma alma defeituosa. Ok, podre.O que sabemos é que o esse Eixo passa por estas palavras: angels, lolitas, boylover, preteens, girllover, childlover, pedoboy, boyboy, fetishboy ou feet boy.São os termos mais usados na pesquisa de pornografia infantil. Hoje a blogosfera adere a uma campanha para trocar as voltas a quem escreve estas palavras nos motores de busca. O objectivo é "entupir os motores de busca com os nossos posts para que no dia de hoje, o dia D, este crime tenha uma barreira a mais".Para mais esclarecimentos ir a http://margemdeerro.blogspot.com/2008/11/pornografia-infantil-no.html"Porque os blogs não têm de ser só “diários egocêntricos”.

( O Ponto do i)

eu junto-me. E tu?





Wednesday, November 12, 2008

Crescemos

Estamos a crescer. É irreversível, inegável, incontrolável. É o ciclo da vida, aquele de que fala a música do Rei Leão quando o pequeno Simba é balançado no topo do precipício pelo macaco mágico. Aos poucos, todos deixamos os livros para trás e afundamo-nos nas nossas cadeiras de rodinhas com que vaguemos, distraídos, por algum escritório. Às vezes, e é estranho, somos tratados pelo apelido. Dão-nos apertos de mão e tratam-nos por você. Nós comportamo-nos como vimos os crescidos fazerem. Às vezes. Ousamos um rodopio quando ninguém está a olhar, cantamos no corredor do supermercado em voz baixa, rabiscamos bonecos numa folha de papel quando temos uma conversa "séria" ao telefone.
Alguns de nós já tiveram filhos - eu sou mãe! Outros já compraram casas e discutem a pintura das paredes e as taxas euribor e coisas do género! Outras já têm um vestido de noiva guardado e vestem-no de vez em quando, enquanto dançam à frente do espelho. E ele já serve, não sobra nas mangas, os sapatos não caem quando tentam andar!
A maquilhagem fica-nos bem. Os saltos altos assentam-nos nos pés sem nos fazerem parecer despropositadas. A chave do carro, pronta a levar-nos até ao fim do mundo, fica tranquila, sobre a mesa, quando bebemos café.
Falamos dos empregos e, às vezes, tudo parece um filme. Tenho atrás de mim o mesmo cenário onde confessei o meu primeiro beijo, onde combinámos uma ida às matinés do Bauhaus (até à meia noite e com direito a dez sumos - o auge!), de onde partimos, a pé, para fugir a uma aula e dar um mergulho no mar do fim de Junho. E as mesmas pessoas - nunca nos apercebemos de como crescem aqueles que vemos quase todos os dias - que, para mim, continuam iguais.
Nós somos iguais. Só que mais crescidos... não é?

Thursday, November 06, 2008

madrugada

Quando o mundo adormece,
eu paro para ver.
Gosto de ser a única acordada
e saber
o que mais ninguém sabe,
e ter,
o que mais ninguém tem:
as cores que despertam, aos poucos, na rua.
As sombras bruxuleantes que dançam sob os candeeiros,
o cão que, coxeando, se arrasta para um canto.
O carro onde alguém suspira por alguém.
A estrela a que parece faltar uma ponta,
o baloiço onde se escreveram iniciais dentro de um coração,
a dançar, devagar, ao ritmo do vento.
Dum sentimento,
Dum momento
que ali se fez eterna música
que me murmura nas madrugadas.

Wednesday, November 05, 2008

Não importa que não faça sentido. Lançamos seixos à água na esperança de os ver saltar.

Monday, November 03, 2008

quando é outono

A areia fina entre os dedos, como quem traz fotografias. O cheiro a mar nos cabelos, como quem traz palavras escritas num guardanapo de papel. A pele onde o sal secou, como quem traz um sorriso prestes a surgir. As roupas ainda húmidas, como quem traz um segredo no bolso de trás.

Já tenho saudades da praia.

Wednesday, October 29, 2008

O incrível poder das telefonistas

Após mais uma dezena de telefonemas feitos para a central de táxis, dei por mim a imaginar o tipo de formação que as telefonistas devem receber a início. É que não é fácil uma pessoa demonstrar de forma tão elucidativa o quanto a aborrece falar com outra. Aqueles suspiros tão prolongados que estou sempre à espera de as ouvir cair para o lado, roxas, com falta de ar. Aqueles "hum hum" pronunciados pelo nariz (e imagino-os sempre a escapar das narinas com o fumo cinzento de um cigarro comprido e fininho) que nos dizem "não te estou a ouviiiir". Quantas horas de treino implicará toda esta aparelhagem de que é dotada cada telefonista? Quantos dias serão precisos até serem capazes de fazer com que nos sintamos a pessoa mais irritante à face da terra? Às vezes, quase que nos temos de desculpar por ligar.
- Mas isso é ao pé "daonde"?
- Olhe, eu não sei, só tenho a morada
PFFFF (mistura de suspiro com baforada de touro enraivecido)

Felizmente, as centrais de táxi ainda não implementaram as videochamadas, porque aí, meus amigos, tudo será muito pior. Desde olhares desdenhosos a abanares de cabeça milimetricamente estudados para nos fazerem sentir mais do que envergonhados por não sabermos de cor e salteado onde fica a Rua Nossa Senhora das Cabaças e ainda ousarmos (ousarmos!) pedir um táxi para nos levar lá.

E, quando alguma é simpática, aposto que deve ser imediatamente espancada, mal desliga o telefone! Afinal, há limites para tudo!

Wednesday, October 01, 2008

O hippie que gostava de lucky strikes...

“É strike. Como o Lucky Strike mas sem o Lucky: é assim que se diz greve em inglês.”
Desligou o telefone. A frase fez-me olhar outra vez para ele: de cabelo comprido, barba, bigode, óculos de sol à John Lennon. Um hippie com os seus cinquenta anos que ensinava greves em inglês pelo telefone, auxiliando-se de uma marca de tabaco, enquanto conduzia o táxi pela A5. No rádio tocava música clássica: ele ia tamborilando os dedos sobre o volante, num teclado invisível.
Pensei como seria há trinta anos. E como o seu passado se parecia reflectir no seu presente. Quase todos os hippies ficaram nas fotografias. Enterrados em baús de calças à boca de sino e camisas coloridas. Um bilhete de um concerto, alguns discos, pedaços de poemas escritos em pacotes de açúcar.
Queria perguntar-lhe como era o mundo quando ele tinha 23 anos, como eu. Que mais palavras se faziam a partir dos maços de tabaco: King’s, Double Happiness, Silk Cut... E desejar-lhe que a sua strike também fosse cheia de sorte, como a do maço de tabaco.

Mas limitei-me ao bom dia, depois de pagar.

Thursday, September 11, 2008

Só para vos dizer...

Há uma nova voz nessas ondas que enchem o céu, entopem os rádios, inundam os carros no trânsito. Sim, sou eu. Na TSF, às quintas-feiras, às 9h45. Vamos ouvir e rir!

Eu garanto que me rio sempre. Gargalhadas mesmo, quero buzinar e convidar os carros ao meu lado para fazerem o mesmo! Aquele "Laura Patrício", tão sério, tão crescido, ainda me parece uma brincadeira. E depois as palavras que no dia anterior foram gravadas entre gargalhadas e súplicas de oxigénio, frente a um microfone maior que a minha cara.

E então sigo, com o maior sorriso que os músculos faciais me permitem, como se estivesse num filme francês!

ahhhhh... :)

Saturday, August 30, 2008

Quando for grande

Um dia, quando for grande, vou voar.

Acredita.

Sunday, August 24, 2008

nunca ninguém sabe de mim

Perdoa-me o jeito meio sem jeito com que às vezes me expresso. É o tempo que me enrola os sentidos e me despe de sensibilidade e tacto. Não ligues às cores que não ligam umas nas outras, aos rasgões com que se enche o quarto, à desordem que se instalou em mim: eu sou meio assim, meia sem jeito, meia feita do nada. Esquece a menina das fotografias, tranças seguras em fitas vermelhas, sorriso manchado de gelado, um brilhozinho de cinema a espreitar no canto do olho: não sei dela. Procurei-a nos becos e nos bancos de jardim, liguei para os hospitais, para a polícia, li anúncios de jornais, e nada... é sempre assim:

nunca ninguém sabe de mim.

Monday, June 16, 2008

Hoje

Hoje pedi pela primeira vez um carro de aluguer completamente sozinha.
Hoje discuti o meu primeiro salário, que não chegou à conta porque andava perdido por ai numa realidade virtual qualquer...
Hoje saí de casa de sandálias e voltei a correr para calçar botas porque estava a chover. Quando cheguei à redacção estava sol.
Hoje sentei-me na esplanada à espera da minha amiga Inês para almoçar e congratulei-me por conseguir guardar um lugar tão disputado. Quando acendi um cigarro começou a chover.
Hoje raptei a ventoinha do editor e deixei que as duas hélices tipo saco de plástico fingissem que me arrefeciam.
Hoje descobri que o meu Banco pensa que sou menor, apesar de ter feito os 18 há mais de 5 anos. Além disso, também parecem pensar que sou um homem, visto que me dão sempre o título de Senhor.
Hoje liguei a uma amiga só para saber se ela estava bem e para ouvir uma voz familiar que me dissesse que sim, que está tudo bem.
Hoje fiz as palavras-cruzadas e descobri que Escavar não é Cavar: é Minar.
Hoje ouvi Svensson, o músico sueco que morreu a fazer mergulho, e pensei que às vezes morremos da forma mais inesperada. Sempre.
Hoje escrevi duas vezes no blog, o que não acontecia há meses.
Hoje olhei muitas vezes para o desenho da minha filha, ao lado do computador, em que tenho pernas que parecem chouriços e seguro um balão com um coração: pensei que as crianças são os seres mais perspicazes do mundo.
Hoje combinei as minhas primeiras férias de trabalhadora e reservei a minha primeira quinzena de liberdade: soube a mundo de crescidos.
Hoje respeitei o meu direito ao silêncio quando me apeteceu gritar e isso fez-me sorrir.
Hoje foi só mais um dia. Imaginei o que poderia escrever de uma vida inteira. Isso fez-me feliz.

Apesar de tudo

Apesar de tudo, há um sorriso quando a FCSH vem à conversa.

Seja com antigos colegas, recordando nomes sonantes que começam por M e acabam em ão (e pelo meio têm -our), ou ainda aquele que tinha nome de vila...
Seja com os senhores da central de táxis que se riem quando dizemos Faculdade de ciências sociais e humanas e dizem: "Ah, a novaaaa!" (o que é um pouco assustador, na verdade).
Seja com outros jornalistas, saídos das primeiras fornadas de licenciados em CC, que recordam semiótica com um sorriso que prova que não tiveram o prof que começa em M e acaba em ão (e que tem o tal -our a meio).

Críticas e censuras à parte, somos da Nova. Somos, para sempre, dessa universidade em que há uma população imensa de góticos e dreads que partilha o espaço da esplanada, em que há shows de reaggae espontâneos e mitos urbanos sobre alunos em pânico que se atiram das escadas (vá, confesso, este último foi mesmo criado por mim). Somos dessa "casa" em que os elevadores funcionam mal e quando funcionam às vezes param e deixam 20 pessoas do sexo feminino à beira de um ataque de claustrofobia à medida que se vão apercebendo que ninguém as vem salvar. Esse sítio onde as baguetes são sempre alternativa à cantina dos ricos e à dos pobres. Dizem que somos esquisitos (quantas vezes a frase, dita por alguém que me acompanhava à faculdade: "bem, a tua faculdade tem bué pessoal esquisito!") e nós encolhemos os ombros e sorrimos. Há a casa das cópias, as casas de banho de tectos inclinados e sem luz, os horários remexidos 50 vezes antes, a meio e depois das inscrições no início do ano lectivo, uns galos (sim, os animais, maridos das galinhas, pais dos pintinhos...) que nunca cheguei a ver mas que me garantiram que existem, de facto. Nós somos isso tudo, sim. Somos os tais que levaram com semiótica, pragmática e outras disciplinas com nomes de código e que superaram tudo isso.

É por isso que podemos dizer mal dela. Não é assim que funcionam as famílias? Nós podemos acusar, criticar, apontar o dedo. E se os outros decidirem atacá-la talvez alguns de nós se levantem em sua defesa.

Apesar de tudo (e este tudo é tão grandeeee).

"É orgia, é bacanal
é comuni-
é comunicação social"

Sunday, June 15, 2008

Ela

É mais fácil escrever sobre personagens imaginárias que sobre nós próprios. Os seus actos nunca vão além do papel, as suas palavras não podem extravasar a tinta de que são feitas, mesmo quando ressoam dentro do leitor que se esforça por lhes descobrir o ritmo certo, o sotaque adequado, a forma como os lábios terão pronunciado aquele último som. As personagens nunca morrem: adormecem para acordar, vezes sem conta, na memória de quem as conheceu. Ressuscitam de cada vez que alguém abre a primeira página do livro e lê: "Ele não sabia ler, nem escrever, mas aprendera que as coisas tinham nomes e que os nomes eram das coisas". É por isso que a minha vida está cheia de eles e elas, os e as, aquele e aquela. Ela sabe, sente e atormenta-se. Ela vive e a sua energia está espalhada em cada letra da sua (tua? minha?) fisionomia.

Não costumo chorar com os livros. Era a melhor forma de começar, mas seria mentira.

Ela não costuma chorar com os livros. Eles choram-na a ela, deitam-lhe lágrimas grossas sobre o rosto, carregam-lhe a garganta de alguns soluços. É raro, mas quando acontece ela deixa que eles a chorem toda, de uma vez, com o ar a atropelar-se entre os lábios e olhos turvos que impedem que veja a próxima palavra. Esforça-se por voltar a ver, ler, ser. Esforça-se por compreender. Abana a cabeça e suspira. Termina num só sopro: em vez de ler, devora. Come as palavras depressa e, tal como acontece com o comum guloso, sente-se mal disposta a seguir. Há um vazio feito de imensidão dentro dela, sente-se cheia de palavras, há letras que se acotovelam e sons que se sobrepõem como garras de metal. Emoções que se esmagam (do sim e do não, do bom e do mau), um medo que consegue filtrar os sonhos e que atormenta o sono.
Quando um livro é realmente bom, ela sabe que ele viverá para sempre num cantinho do seu ser. Que há frases sublinhadas que vai querer tatuar na pele, embora nunca o venha a fazer. Que há expressões que vai querer saborear todas as manhãs e outras que por mais que tente nunca a deixarão em paz. Que há um descompasso no coração que se deve a cada palavra que decorou, a cada personagem que amou e a cada descrição que foi capaz de ver com os olhos fechados.

Ela não costuma chorar com os livros. Eu sim.

Friday, June 13, 2008

O Sexo, a Cidade e a Aldeia (sim, as aldeãs também têm direito à vida)

Era completamente necessário. Absolutamente indispensável. Totalmente essencial. Ver “O Sexo e a Cidade” no dia seguinte à estreia era mais que uma forma de passar um bom momento: era uma questão de honra para quem cresceu a ver as quatro New York chicks (agora mais crescidinhas) desde a primeiríssima série.A geração dos 20 e poucos, a nossa, tem uma relação engraçada com elas. Suponho que a dos 40 também: afinal, cresceram juntas, lá foram aprendendo juntas e juntas descobriram pecados com nomes próprios – Jimmy Choo, Manolo, Prada...Nós, as dos 20 e picos, começámos a ver “Sex and the City” quando ainda não sabíamos o que era um nem o outro. Tudo era absolutamente encantador: a Carrie a assobiar para os táxis, os Cosmos que acompanhavam os detalhes mais sórdidos, a ingenuidade da Charlotte, quase tão grande como a nossa, as lágrimas, e lágrimas e lágrimas que se seguiam a cada ruptura com o Mr. Big...Sentámo-nos, armadas de pipocas e garrafas de água. O momento pedia sapatos de salto alto, agora que já temos idade para tal, micro-vestidos e talvez os famosíssimos Cosmos para acompanhar. Limitámo-nos aos jeans, tops, casaquinhos de malha... estamos em Oeiras e NY fica a alguns quilómetros (uns poucos...) de distância. Rimos, aguentámos as lágrimas, aceitámos o final mais que previsto: como não? Poderia acabar doutra forma?A pergunta, mais que típica, paira no ar: afinal, qual das protagonistas do Sexo e a Cidade é mais parecida connosco? Não haverá um bocadinho de todas elas em todas nós? Mas claro que sim! Só que há sempre uma que nos diz mais e fazendo a prova dos nove, tal como a Ale (www.l-d-v.blogspot.com), havia que tirar as dúvidas. Um quizz na net era a prova irrefutável (afinal, haverá algo mais científico e objectivo?): “your answers peg you as a Carrie-type, much influenced by the Air Sign qualities, associated with Gemini...”- e não é que até no meu signo acertaram?

Wednesday, June 04, 2008

A minha vida dava um filme indiano

Ok, talvez um indiano não, porque geralmente há sempre pessoas a dançar nesses filmes, com o taj mahal como pano de fundo, e tudo o que eu poderia oferecer eram bailaricos com o areeiro ao fundo e drogados a cruzarem as ruas a venderem pensos e lenços de papel.
Se calhar a minha vida dava mesmo era um musical: cantoria não falta, no carro, ao pc, mesmo durante a hora de almoço, indo contra todas e quaisquer regras de etiqueta!
No fundo, no fundo, eu acho mesmo é que a minha vida dava um drama. Ou uma comédia. Porque perder os documentos do carro no dia em que os recebi é mau. Ser parada pela polícia pela primeira vez em 4 anos precisamente nesse dia é pior ainda. Mas ser parada pela segunda vez (em quatro anos, não se esqueçam), e apanharem-me a falar através de aparelho sonoro durante o momento de condução do veículo... isso é VOODOO! Começo a considerar, seriamente, consultar uma bruxa, uma vidente, alguém com ligações místicas e poderosas a esse mundo do invisível.
E eu pergunto, no topo da minha pureza, quem me poderia desejar mal?...