Monday, November 19, 2007

Já chove

Acordei com as Cataratas do Nicarágua do outro lado da janela e pensei: "Ora bolas, viemos fazer uma viagem e os meus pais nem me avisaram!"

Até que se dissipou o sono, os olhos acostumaram-se ao dia (cinzento, cinzento) e percebi que estava SÓ a chover. A chover como quem usa um eufemismo para "estava a haver um dilúvio". Havia gente na rua praticando as famosas danças tribais do "agarra o chapéu de chuva" e "salta a pocinha" e quase jurava que se olhasse bem ia ver peixinhos a nadar na estrada graças às sarjetas entupidas.

O Natal de mangas curtas não tem piada. Natal é neve (na televisão, claro!), lareira acesa, marshmallows assados (outra coisa que só acontece na televisão), cachecóis branquinhos e peludos (a uma distância segura da lareira), as janelas embaciadas e as luzinhas a brilhar até se fundirem, uma a uma, e não restar mais nada a não ser um fio feio com pendentes estranhos colado aos vidros com fita-cola. (O facto de faltar mais de um mês para o Natal é um pormenor sem qualquer importância no contexto deste post).

Este tempo inspira-me sentimentos contraditórios: uma espécie de alegria caseira, uma vontade de rir sentada no sofá, de olhar para os outros lá fora e agradecer o cobertor por cima das pernas. Calço as galochas floridas e domino o mundo! Eu, aquela que não molha os pés e pode saltar à vontade! Que tem o impermeável e por isso pode dançar à chuva! Que já está constipada de qualquer forma e por isso pode apanhar frio sem medo!

A chuva não me deixa melancólica. Faz-me rir. Faz-me rebolar na cama meia hora antes de me levantar enquanto penso em músicas que envolvam chuva e as canto baixinho, debaixo dos lençóis.

"Este tempo, hum?"

"Estava na altura"

"Ah também é preciso não é?"

"Pois, pois é"

Mas o que eu queria mesmo mesmo era dizer-lhe (ele, o motorista de 60 anos da escola da minha filha): "Let's sing in the rain!", talvez acompanhado da devida tradução caso ele não me entendesse, com os chapéus de chuva a servirem de bengala para fazer os truques dos clássicos do cinema americano tal Gene Kelly.

Friday, November 16, 2007

Pó de talco

Ora aí está um belo produto cuja utilidade me passa ao lado.
Sempre associei o pó de talco a rabinhos de bebés. Isto, claro, antes de ter um bebé e descobrir o Halibut (sem querer fazer publicidade, e por isso refiro também o Mustela vá...).
A verdade é que ser mãe me despertou para algumas questões totalmente novas: para além de me tornar uma pessoa mais consciente dos outros, mais pieguinhas nalguns sentidos e mais forte em tantos outros, também me mostrou que os rabos de bebés representam todo um mercado milionário, uma indústria poderosa que envolve cremes, loções, toalhetes, fraldas e mil e um produtos prontos a fazer do rabinho do nosso bebé pura seda.
(Talvez esteja a conseguir um resultado histórico, com o post em que mais vezes se refere a expressão "rabinho de bebé" em todo o mundo!)
Chega de rabinhos de bebés (pronto, esta foi propositada para ver se o Guiness repara em mim) e voltemos ao assunto que me traz aqui: o pó de talco.
Lá ia eu, atravessando esses labirintos subterrâneos a que chamam metro de Lisboa, quando, ao meu lado, sinto o cheiro inconfundível do pó de talco. E pensei: "mas ainda há gente a usar pó de talco?". Sim, parece que há. Não percebo bem para quê e espero, sinceramente, que não envolva rabinhos.
Com toda a evolução no mercado dos desodorizantes (pérola: axilas perfeitas; invisivel: sem manchas brancas; 24h: secura maxima; flores do campo: pétalas sob o sovaco, e tantos outros!), não acredito que ainda alguém use pó de talco para esses efeitos. E mesmo os pés já têm desodorizantes próprios para eles!
Mas quem sou eu para subvalorizar o pó de talco? Eu, que não sou desse tempo em que o fiel e branco amigo acalmava irritações e se deitava, sem queixumes, junto com a meia fedorenta?!
Assim, numa tentativa de reconciliação com o pó de talco decidi-me a inventariar alguns dos seus usos:
- Cabelo falso de velhinha
- Neve na árvore de natal
- Farinha de brincar (para as crianças)
- ...
e já me parecem motivos suficientes para impedir que este grande dinossauro, o PÓ DE TALCO, entre em extinção.
Salvemos o pó de talco porque, em tempos, ele salvou-nos a nós... e aos nossos rabinhos de bebés!
(tinha de acabar assim. Ganhei?)

Thursday, November 15, 2007

Ok, Stephen, aceito-te de volta :P

Li Stephen King pela primeira vez devia ter 11 ou 12 anos. Um livro com contos de terror que não me impressionaram: não eram suficientemente aterradores para uma miúda que gostava de passar as tardes, depois das aulas, a ver os "Pesadelo em Elm Street" com os amigos, numa sala escura.
Voltei a pegar no "rei" depois de longos anos de divórcio. Depois de ver um filme inspirado numa obra dele. Já não era o terror, era a imaginação que me atraía. Não queria ter medo, não queria ser incapaz de dormir durante a noite. Queria, só e apenas, alguém que fosse capaz de imaginar na mesma proporção que eu. Alguém que me fizesse abrir a boca de espanto e bater palmas no fim.
"A História de Lisey", que acabei hoje de ler, foi o meu reatar com ele. Foi um "desculpa lá aquilo dos contos" e ao mesmo tempo um desafio "vê lá se fazes valer a pena". E ele assim fez. Calou-me as dúvidas e os preconceitos, devolveu-me o desafio com a ponta afiada da caneta: touchè!
Do lago onde todos vamos pescar as palavras, ficou a vontade de pescar sempre a perfeição, doce a infiltrar-se na garganta, e de caminhar um dia pelas praias da minha própria Moo' Ya Moon.

Saturday, November 10, 2007

Menina Rainha


Menina rainha,
tão segura de ti caminhas
sem olhar a quem pisas nem a quem magoas!

O teu manto dourado com que cobres os outros,
com que negas a existência para além de ti,
está roto e sujo por baixo.

O seu brilho é manchado pelas lágrimas alheias,
de sal e água, gotejar de sereias
que são condenadas a uma vida menor.

Menina rainha,
olha em teu redor:

quantas vítimas do teu desprezo?

quantas vidas que ignoras?

quantos rostos que não olhas?

quantas almas que devoras?

Desce do teu trono de cristal,
descalça os sapatos, rasga o brasão
e sente, como todo o mortal,
a terra quente que palpita no chão.

É vida! Estremece,
contorce-se, geme e grita!
É o suor e o sangue dos antepassados
que nela revive e se multiplica.

E do teu pedestal, talvez não se veja.
Daí, onde estás, talvez o mundo não pareça importante.
Com o teu universo artificial de brilhos e luzes
talvez tudo te seja demasiado distante.

Segues caminhando a estrada dourada
sem nunca saberes, de facto, quem és,
porque nunca pisaste a terra que rebaixas
com a pele descalça dos teus pés.

Menina Rainha, és só menina.
Deita fora a tiara, esquece a nobreza.
Porque no mundo real os nobres são outros
e as rainhas de facto também conhecem pobreza.

São aquelas que limpam com as costas das mãos
as lágrimas dos filhos, amparam as quedas,
abraçam amigos, consolam irmãos
e abrem o peito ao mundo que vedas.

São aquelas que se erguem, mesmo que feridas,
e trazem no coração o mundo inteiro,
e têm na cabeça a coroa perfeita,
porque é feita de tudo o que é verdadeiro.

Thursday, November 08, 2007

Karma



Foi levada pela série " My name is Earl" que pesquisei a entrada "karma" no google. Hoje em dia, tudo fala de karma: a já mencionada série, a Alicia Keys na sua música "Karma" (what goes around, comes around, what goes up must come down), e os muitos metafísicos que julgam (melhor, AFIRMAM) perceber todas as linhas deste grande novelo com que se entrelaça o mundo. Depois de muita discussão, incompreensão e acesos debates, decidi informar-me à minha conta, no fabuloso mundo da internet.


O karma é a lógica segundo a qual todos os acontecimentos têm uma justificação que advém das acções do passado, sejam elas desta vida ou de uma vida anterior (eles acreditam na reencarnação). Assim, uma criança aparentemente inocente que seja assassinada por um psicopata estará apenas a pagar por um mal cometido numa vida anterior. Da mesma forma, o psicopata poderá não sofrer nada nesta vida mas sofrerá, de certeza, numa vida futura.


Ao ler isto, tive a imediata sensação de que o homem procura desesperadamente uma noção de justiça que, tantas vezes, não passa de um conceito bonito, ideal e irreal. Alegar que a injustiça nesta vida será compensada numa vida futura não será, só e apenas, uma forma, totalmente disprovida de bom senso, de tranquilizar o espírito?


Não sou uma pessoa religiosa, mas acredito em muitas coisas e tenho aquele tipo de fé em "alguma coisa para além de nós", mas obrigo-me a ser prática e reconhecer que, às vezes, existem de facto injustiças. Sim, há maldade pura. Sim, há coisas que não deviam acontecer. Há acidentes, incidentes, acasos, azares, INJUSTIÇAS. O karma estará mais ou menos na mesma categoria que o julgamento final: não acredito neles. Acredito em ser boa pessoa hoje para ser feliz hoje. Não espero recompensas divinas: sei que se agir bem com os outros isso me deixa melhor comigo mesma e basta-me. Erro, como toda a gente, tento corrigir os meus erros, outros nem me dou ao trabalho de os rever... mas se pagar por eles, acredito que será nesta vida, com aquela coisinha a que se chama CONSCIÊNCIA. Talvez esse karma, esse julgamento final se proceda nos últimos segundos de vida, quando pesamos o que fomos e o que nunca pudémos ser, e nos medimos como pessoas, sabendo que esta foi a única oportunidade que tivémos de nos tornarmos imortais nos outros... ou não.

Wednesday, November 07, 2007

Marktest e RTP2: uma combinação....

Para além das velhinhas solitárias, só conheço duas pessoas que gostam de responder aos questionários da "Marktest" via telefone: eu e uma amiga que fala com personagens de séries como se estivessem ao lado dela.
É interessante ter alguém que nos liga, pura e simplesmente, para ouvir. No fundo, são uma espécie de muro das lamentações que nos contacta, quinzenalmente: "Então e de que anúncios se lembra?" "Ah, lembro-me daquele da coca-cola, mas sabe, eu nem gosto de coca-cola ahahah! Que engraçado, não é?" "Hum hum muito engraçado... E do slogan recorda-se?". Isto sim, uma boa conversa à moda antiga, em que nós falamos e eles ouvem e, ainda para mais, dão-se ao trabalho de ESCREVER a nossa resposta (ouvem-se as teclas do pc lá atrás, e eles a soletrarem baixinho o que acabámos de dizer), deixando bem claro que o que dissemos foi IMPORTANTE.
Ontem tive uma dessas conversas simpáticas. A senhora não era tão atenciosa como de costume, mas pensei "ora bolas, mesmo o muro das lamentações tem direito a um dia mau" e fiz por animá-la não obtendo, no entanto, resultados muito satisfatórios.
Mas o que me trouxe aqui, de facto, foi o espanto que perpassou numa destas conversas. Falávamos de televisão, e depois de me perguntarem pela SIC, RTP1e TVI lá me perguntaram pela RTP2, quase como por favor, e sem esperar a resposta.
"Sim, todos os dias."
"Como? A RTP2"
"Sim, vejo todos os dias"
"..... E quanto tempo por dia?"
"Hummm uma hora por dia, talvez"
"22 anos?"
"Sim, sim"
"Hum hum", disse ele com algum cepticismo na voz.
Ora, o que eu não expliquei foi que só tenho 4 canais no quarto. Que à noite a SIC e a TVI (esta, por acaso, nunca vejo, nem 5 minutos por dia o que muito surpreendeu o meu interlocutor) só dão novelas e que a RTP1 passa filmes estranhos que me põem a dormir em 3 minutos.
E a RTP2 passa documentários muito giros. Sim, giros mesmo. Não se limita à vida animal (o meu grande trauma, não suporto ver), mas estuda constantemente o comportamento humano! Psicologia, biologia, está lá tudo, de forma divertida e leve, com experiências live para comprovar o que se diz.
Gosto e recomendo. Sinto-me sempre mais culta quando finalmente adormeço e sonho com tubos de ensaio e pessoas com sacos com tubos presos ao rabo O DIA INTEIRO para medir os gases de acordo com a alimentação (sim, isto passou, de facto, na rtp2!). Ou uma experiência em que embebedaram homens e mulheres (saudáveis, com hábitos de bebida considerados normais) com a mesma quantidade de alcoól para verem quem evidenciaria maior nível de alcoolémia no teste do balão (as mulheres ganharam, claro... HIP HIP URRA!). Vejam, é ciência de tu para tu, permite umas quantas gargalhadas ao estilo Jackass e ainda saem com umas frases óptimas para quebrar o gelo: "sabias que uma alimentação rica em vegetais aumenta os níveis de gases produzidos?". Nada mais cativante!

Monday, November 05, 2007

Des-ilusão

A palavra desilusão sugere a negação da ilusão. Talvez, pensei vezes sem conta, a solução resida aí, na análise da palavra, no evitar da ilusão que se tornará desilusão. "A palavra cão não morde" disse algum linguista, desses muitos que estudei ao longo dos 3 anos que já tenho de faculdade. E a palavra desilusão? Desilude. Entristece. Faz-me sempre sentir um bocadinho mais pequena, quando a leio, um bocadinho mais nova, encolhida debaixo dos lençóis, tentando afastá-la com as pontas dos dedos que os apertam com força.
Hoje mudo. Olho ao espelho, digo a palavra em voz alta, fixo os lábios que a soletram, devagar: de-si-lu-são. Não me assustas. Não me encolho, não me escondo. Não procuro o interruptor para a encobrir com a escuridão.
A desilusão, essa palavra feia de negação, há-de estar sempre presente na minha vida. Os lençóis serão roídos por traças muito antes que ela desapareça. O segredo não está na não ilusão, não para mim, mas na aceitação: ao longo da vida, a desilusão há-de bater a esta porta muitas vezes, e eu escutarei a sua mão mirrada na maçaneta, forçando a entrada no meu mundo perfeito.
Recusar a ilusão não será um risco bem maior do que o de nos virmos a desiludir? Que ser, tão forte, tão não humano, se poderá recusar a iludir-se durante toda uma vida? E quantos momentos serão perdido em nome dessa segurança idílica? Como num salto de pára-quedas, confio, salto: por momentos, o céu e só ele sob mim, sob a minha barriga, o sorriso deformado pela força do ar que me empurra os músculos para cima. Confio, porque viver sem confiar em ninguém é viver eternamente sozinho. Salto, porque viver eternamente com os pés na terra é renegar o sonho mais antigo do homem. Confiar, é ganhar asas de papel e cruzar os dedos no momento do vôo, pedir que não se desfaçam em pedaços quando estiver mais alta.
Não podemos confiar sempre e em toda a gente, mas, de vez em quando, é bom confiar. É bom dizer a nós mesmos, no mais profundo dos silêncios que é o pensamento, "confio em ti" e fechar os olhos quando nos dizem: vá, tenho uma surpresa, fecha os olhos e abre a mão.
A vida é demasiado curta para fugir da ilusão. Imagino que isso consuma mais energia e esforço do que recuperar da eventual desilusão. Porque, mais cedo ou mais tarde, ela há-de chegar, e, por mais que tentemos, nunca seremos capazes de a evitar sempre..
Salta.
Confia.
Fecha os olhos.
Vale a pena.

Thursday, November 01, 2007

"Crónica de um Halloween"


Se isto fosse um filme, a sua análise iniciar-se-ia pelo título e o Prof. J.M.Grilo diria que o facto de ser uma crónica indiciava uma ruptura com o modo habitual de narrativa cinematográfica e demonstrava uma ausência de controlo sobre os acontecimentos.

Controlo? Pois bem...

Exactamente que porção de controlo existirá numa casa perdida no reino da fantasia, onde músicas mórbidas, um menu repleto de nomes de pratos grotescos, teias de aranha, fantasmas e múmias penduradas de candeeiros coexistem com 10 miúdas mascaradas de tudo o que pode ser mais horrível? Posso garantir-vos, então, que controlo não foi a palavra da noite, mas em contrapartida animação não faltou!

A animação, para falar a verdade, já tinha nascido muito antes dessa noite. Há quase uma semana que se desenrolavam preparativos secretos, com direito a sms trocadas à volta de uma mesa de café para não deixar escapar nenhum pormenor! "Como é que vamos fazer AQUILO?" ou "Já trataste DAQUELA COISA?" tornaram-se expressões quotidianas e agravaram a afasia que por vezes nos assola. Nada de grave, há que fazer sacrifícios em nome da perfeição, e nem mesmo uma tarde de trabalhos manuais extremamente agressivos, deixando sérias mazelas nuns dedos arroxeados, nos deitaram abaixo!

Às 11 da manhã lá estávamos nós, ora nos tachos ora na tesoura e na fita-cola: agrafadores, açúcar, papel e tomates conviviam na mesma mesa, lado a lado, prometendo uma noite recompensadora.

E assim foi: dez monstros invadiram a minha sala, que já não era a minha sala, era uma sala saída dum filme de terror, com teias que se agarravam constantemente à faca que tinha espetada na cabeça (calma, era uma bandolete que dava esse efeito... não levei o espírito ASSIM tão longe!), e sons de mochos, fantasmas e lobos a abafarem os risos incontroláveis.

Mímica, o jogo dos papéis de personagens na testa, e o famoso "Murder Mistery Game" deram um toque de convívio especial a esta noite que acabou com a Samara, o bebé cadáver e duas diabas amontoadas no meu quarto, enquanto me fui deitar na cama dos meus pais aproveitando ter TV CABO para ver antes de dormir (sim, que no meu quarto, tendo apenas 4 canais, a noite acaba quase sempre com a RTP2 a embalar-me os sonhos).

Por isso, controlo?... Não.

Foi uma noite de sustos, berros, risos, gargalhadas maquivélicas a ecoarem pelos cantos. Uma noite de convívio puro, de pura fantasia, de interpretação de personagens até cairmos para o lado. E eu adorei cada segundinho desta falta de controlo que a vida de uma crónica me proporcionou.


*Na foto: (da esquerda para a direita, em cima) Diaba Gótica (Rachel, minha companheira Chef e co-organizadora desta noite fantástica!), Golden Witch (a minha Niky que pela primeira vez jogou como minha opositora no jogo da mímica e me irritou por pensar exactamente da mesma forma que eu!! Acho que 12 anos fazem destas coisas...:P), Diabinha Trapalhona (Dee, que garantiu que não era nada desastrada mas conseguiu deitar tudo abaixo lol... não faz mal,estás perdoadíssima ;)), Bebé Cadáver (Gui, a minha filha assassinada com o saca-rolhas que lhe espetei na cabeça antes de eu mesma ser assassinada pelo meu noivo... e acham o guião confuso? não reclamem comigo, não fui eu que escrevi!), Samara (Drinha, também conhecida como Samantha nesta noite, que se andava a contorcer pelos cantos e a pedir Sagres com vozes esquisitas), Bruxa pálida (Raquel, sempre com o seu ar matador nas fotos... ;) chegaram tarde mas marcaram presença!), Bruxa da Coca-Cola (Sonya, a única pessoa que conheço que consegue fazer um bolo delicioso juntando coca-cola, que detesto, côco e leite condensado! Nota 21!);
(em baixo) Noiva Cadáver (por acaso nunca vi aquela gaja na vida... :P eu, com a faca espetada na cabeça e o sangue que ao fim da noite já se colava aos cabelos e começava a irritar ligeiramente), Bruxa morta ou um bocadinho para o podre (Mana Jo, brilhantemente maquilhada, tava lindaaaa mesmo!) e Noivo AKA Morte AKA bruxa da branca de neve com bigode (Mary Jane, sempre animada e interventiva, uma habitué destes serões).
No fundo, bastava dizer que na foto estão as minhas AMIGAS, umas de anos, outras de meses, mas todas muito importantes para mim. É porque acredito que são as pessoas que fazem os sítios que sei que a festa não poderia ter corrido melhor ;)

Thursday, October 25, 2007

Debaixo da cama

Debaixo da cama não há fantasmas. E, ainda assim, hesito antes de espreitar, uma fracção de segundo em que o coração pára de bombear vida e se cala para não perturbar o mundo dos mortos.
Debaixo da cama há o pó, as canetas que rebolaram, ligeiras, até à parede mais afastada, os arranhões que o aspirador não teve pudor em fazer na madeira brilhante.
Espreito. Devagar, não vão eles fugir. A mão que levanta a colcha como se abrisse a cortina para um outro mundo, púrpura e silencioso. Os olhos habituam-se à escuridão que reina ali, debaixo da cama, onde tudo é possível. Por momentos... Não.
Debaixo da cama há pó, canetas, arranhões, o bilhete de comboio que caiu do bolso das calças. Mas poderia jurar que, antes dos meus olhos se habituarem ao escuro, vi dezenas de formas, centenas de rostos, milhares de gestos. Antes dos meus olhos se habituarem à luz do nosso mundo, que nos cega e ampara, nos acalma o espírito e nos tranquiliza os medos com ciências exactas...

Wednesday, October 24, 2007

Partes de mim


Sei que parte de mim viverá eternamente insatisfeita. Parte de mim, a das asas que batem contra as grades da gaiola dourada, quererá sempre mais, ansiosa de ver para além do horizonte onde acaba o mundo plano e ele se torna redondo. Parte de mim lamentará, até ao fim dos meus dias, não ter visto cada estrada,cada pedra,cada rosto. Essa parte de mim chorará baixinho, frustrada nas suas expectativas de conhecer o mundo. Revoltar-se-à contra a pequenez do homem, a sua efemeridade, as limitações físicas que envolvem a sua alma gigante.
Mas também sei que a minha outra parte, a dos murmúrios dos dias simples, me levará mais longe do que alguma vez os pés mo permitirão. Dir-me-à, procurando um sorriso pleno, que tudo aquilo que um homem pode desejar se situa à sua volta, nas coisas mais simples, nas pessoas mais próximas. Que tudo aquilo que um homem pode, de facto, possuir, será para sempre seu, inviolável mas frágil, parte de si como o próprio sangue que lhe corre nas veias e lhe dá vida. Que dos recortes do mundo, qual trabalho de colagem, levará apenas aqueles que lhe tocarem a alma e não os que lhe marcarem o corpo. E que a minha alma, essa, poderá sempre encher-se um pouco mais e beber das coisas quotidianas que nascem, todos os dias, diferentes.

Tuesday, October 23, 2007

Pé, pézinho, pézão!


Os dedos dos pés ficam para trás. Não sei o que se passa, mas dede pequenina que tenho o hábito de bater com os dedos pequeninos dos pés em todo o lado. Estão tortos e encurvados como o Corcunda de Notre Dame (que imagem tão sexy!).

Se calhar, eles andam depressa demais. Tal como o Gino de "Ossessione", os meus pés têm um formigueiro permanente que os faz "flanêurs" por aí, loucos embriagados que vão contra portas sem nunca, no entanto, pararem de avançar.

Eu vou e venho e mesmo quando fico estou em movimento. Os meus pés estão sempre a bater em algum lado, a sentir um ritmo que não se ouve, a balançar debaixo do assento de uma cadeira, a rodar nos tornozelos num gesto zen, a apanhar as coisas que caem quando não tenho paciência para me baixar.

Os meus pés hiper desenvolvidos calçam o 35/36 e passam despercebidos na grande metrópole dos pés. Não usam mata-baratas (vulgos sapatos bicudos) nem nada que os possa disfarçar. Eles gostam mesmo é do chinelo, dedos de fora a saborear o vento, a terra e as pisadelas de vez em quando.

Os meus pés são simples, humildes, trilham o seu caminho rés ao chão. Permitem-se, de vez em quando, delírios de pinos e rodas (a última correu bastante mal e desde aí andam algo medricas), e amam andar de fora da janela, no carro. São pés que sonham vaguear pelo mundo inteiro, mesmo que a maioria das vezes apenas o façam directamente do sofá. São pés que hesitam entre o buraco e a poça, e que, às vezes, quando ninguém está a olhar, saltam como bailarinas entre as pedras da calçada, com risinhos de desafio à ordem estabelecida. Gostam de se descalçar, sentir o frio, o quente, o áspero, o suave, o nivelado, o desiquilíbrio, a relva, a areia, o mar, a estrada que ferve no verão.

O meus pés sonham tão alto quanto a minha cabeça e por isso, quando tudo o resto falha, basta-me fechar os olhos e deixar que eles me levem até onde a terra é mais fértil.


Monday, October 22, 2007

Jean-Poisson-Vodka e seu fiel amigo Jorge

Ele tinha um sonho simples: tornar-se o primeiro homem a aprender a falar a língua dos peixes. Desejava-o, não pelo dinheiro que poderia ganhar, não pela fama, mas porque todos os seus peixinhos de aquário morriam depressa e ele vivia intrigado com aquilo.
Começou por observar a interacção no seu casal de peixinhos dourados, ignorando o sexo de casa um e as suas tendências sexuais, sem saber mesmo se haveria ali romance ou não. Anotava num caderno cada gesto, cada abrir e fechar da boca (excepto quando comiam pois partia do princípio que eram peixes da mais fina educação), cada atirar da barbatana mais sedutor.
Passados 2 anos já era capaz de travar com eles (não com os primeiros que esses, claro, já tinham morrido) uma conversa básica, sem ser capaz, no entanto, de perguntar o porquê da sua morte precipitada.
Até que chegou ao seu aquário o mais belo espécime que alguma vez vira: um peixe dourado que falava brilhantemente o russo e o francês e que usava um bigodinho chiquérrimo a condizer. Em desespero, confirmou que nem mesmo o mais brilhante dos peixes lhe sabia responder.
Jorge morreu pouco tempo depois. O peixe russo-francês sobreviveu por muitos e longos anos, e decidiu aprender a língua dos homens de modo a perceber o que tinha sucedido ao seu dono.
Nenhum dos dois foi capaz de compreender. É que o peixe não possuía a consciência de finitude e mortalidade: para o peixe, todos os dias eram iguais e quando morreu engasgado com um bocado de ração nem se apercebeu do seu fim eminente, recusando-se a gritar ou algo do género, porque, bem, ele era educado e não falava de boca cheia. Já o Jorge não compreendia que o conceito da morte era inexplicável para o Jean-Poisson-Vodka (o nome do peixe educado!), que por isso, por mais educado e poliglota que fosse, nunca seria capaz de explicar ao seu dono o porquê da sua curta vida, até porque ele não sabia o que era curto ou longo, visto que não tinha a noção do tempo.
E então, perguntam vocês, como podia um peixe tão limitado falar duas línguas e saber regras de etiqueta? Também eu me indaguei, noites e dias, sobre tão estranha possibilidade. Não sei, julgo que, se quiserem mesmo descobrir, terão de aprender a língua dos peixes.

Wednesday, October 17, 2007

RIP monstro das bolachas


Andava eu pelo youtube, perdida entre os vídeos da Rua Sésamo, num regresso ao passado inocente e descontraído, quando me deparei com uma notícia terrível: a morte anunciada do senhor Monstro das Bolachas.

Aparentemente, era este monstrinho azul o culpado pela obesidade nos EUA. Claro, como é que ninguém se apercebeu disso antes? Resta saber como vai ele morrer: engasgado com uma bolacha gigante? Gordo e redondo, começa a rebolar pela estrada até ser atropelado? Qualquer uma destas mortes parece demasiado piedosa para este produto do demo, que continua a incentivar as pequenas crianças, inocentes meninos que passam as tardes a jogar jogos de tiros e sangue espalhado pelo ecrã, a comerem bolachas. BOLACHAS! Ainda se fosse uma cervejinha ou duas, ainda se perdoava, mas bolachas é demais!

Assim sendo, o monstro das bolachas será simbolicamente executado, transformando-se em monstro... dos legumes. Ahahah nada mais divertido: "bem, que fomeca! Vou ali comer uma folhinha de alface! Não querem uma também, meninos?".

É importante mudar os hábitos alimentares das crianças, cada vez mais gordas, mas será que esses hábitos foram adquiridos do monstro das bolachas ou dos pais?

Monstro das Bolachas, CULPADO! Metam-no na prisão, dêem o exemplo, comecem também a pôr o Poupas a fazer uns assaltos e a acabar na choça e o sapo Cocas devia apanhar uma cirrose para as crianças saberem que não se deve beber álcool em demasia.

Realmente, às vezes parece-me que o meu tempo de criança já foi mesmo há muuuuito tempo. E tendo em conta tudo isto, ainda bem.

Orgulho

É uma questão de auto-estima, amor próprio. Ama-te a ti mesmo, orgulha-te de ti. Tenho orgulho da pessoa que sou, mesmo com as minhas falhas e limitações, mesmo com os meus erros. Poderia ter sido qualquer outra pessoa mas tenho orgulho, orgulho em ser eu, em ser a criatura que sou. Obrigada vaquinha por me teres recordado isso!! Ouçam e depois digam lá se não estão orgulhosos de vós mesmos!
E obrigado ao maluco que ainda conspira comigo ao ponto de me mostrar estas coisas.
Somos TÃO grandes assim :D



eu poderia ser tanta coisa... mas não sou! E então? lol ela lá sabe ;)

Tuesday, October 16, 2007

A minha doce arrogância

"Só os parvos não mudam nunca de ideias, mas só os fracos mudam à primeira". É uma espécie de lema de vida, para quando as pessoas se revoltam contra a minha "teimosia" (perseverança?).
Quando acredito, acredito. Mas reconheço a minha ignorância, os meus limites, e estou disposta a mudar. Se me conseguirem convencer, claro. Chamem-lhe o que quiserem, mas atiro-vos o meu lema para cima.O meu lema já me valeu discussões, pequenos inimigos, insultos, tachos a voarem pelos ares (talvez esta parte seja imaginada, mas achei que ficava aqui bem!), gotinhas de veneno espalhadas aqui e ali, pelos muitos sítios em que passei.
Entendam como arrogância o facto de não me dobrar às vossas vontades. Entendam como insolência a minha incapacidade de me calar quando acho que tenho razão. "Se calhar, devias calar-te. Não vale a pena". Vale a pena lutar pelo acredito, gritar que o mar não é azul (porra, não é mesmo!!), esbracejar e suar pelos meus ideais.
"Posso não concordar com o que dizes, mas lutarei até à morte pelo direito que tens de o dizer", disse Voltaire. Outro lema que procuro seguir, e manter sempre em mente quando me debruço sobre uma nova discussão (são algo frequentes, fazem parte do quotidiano dos teimosos que insistem em ter ideias próprias! Raios partam esta gente...).
Respeito que haja pessoal que goste de comer peixe crú, mas não o vou comer só porque me dizem que é bom, não é? E se isso chatear alguém, paciência. Posso até provar, mastigar uns segundos, e depois se for preciso vou cuspir no guardanapo, "obrigada mas acho que não".
Sou arrogante por milhões de motivos, e tenho de confessar que gosto de pessoas arrogantes: gosto dos que não vendem a alma para serem amados, dos que se mantêm fiéis a si próprios acima de tudo, dos que fazem t-shirts com lemas e saem com elas à rua. Gosto de ideais, mesmo que sejam o oposto dos meus. Gosto de crenças, mesmo que não tenham nada a ver com as minhas. Gosto de idiotas, no sentido da ideia pura, porque são eles que criam aquilo que depois, os simpáticos, amáveis e educados, vão escolher para defender.
Estou sempre pronta para receber novas ideias e perspectivas. Acima de tudo, cativa-me isso: o processo de "idear", de criar a ideia, de montá-la a partir de milhões de pedacinhos de ideias recebidos de milhões de fontes diferentes e dizer: eu ACREDITO que...
E se estou errada, convence-me. Dá-me uns dias. E, quem sabe, não te ligo de volta?

Dramaaa

Os mais próximos saberão que, para cada momento, tenho uma música. As mais recorrentes são o "Eye of the Tiger", do Rocky Balboa, cantada vezes sem conta nos momentos mais desafiantes, e, claro, o "Fur Elise" quando há drama.
E porque um amigo se lembrou do drama que é a nossa vida repleta de desencontros (parece que nos vamos encontrar por acaso no sábado), fica aqui o vídeo que ele procurou, afincadamente, noite e dia, só para mim.



(Não faças dramaaaaa Mikastrompsky!! A nossa seita há-de governar o mundo lol Seita da ALEGRIA DISPARATADA SEM MOTIVO APARENTE!)

SOS fui raptada!

"Vou-te raptar". Posso dizer que não, visto que até reconheço a voz da raptora, que abdicou dum daqueles aparelhos modernos que distorcem a voz, e ela nem usa meia de vidro na cabeça, o que me permite ver perfeitamente a cara dela. Por motivos de segurança, permanecerá identificada apenas como "a raptora", não vá eu sofrer represálias depois de ter sido resgatada por ninguém, a não ser pela própria raptora que, como a minha mãe sentenciou há vários anos atrás: "eu não tenho medo que te raptem. Devolviam-te logo a seguir!".
Eu tenho aulas, mas o rapto é extremamente bem organizado, envolvendo um carro azul, matrícula portuguesa, e a Beyoncé aos berros no rádio. Como resistir a tamanha violência? Sou forçada a entrar no carro da raptora, que me "convida" ( com extrema violência, é claro) a partir com ela para sítio incerto (embora eu tenha ouvido a palavra "Cascais" por acaso).
Primeiro sou levada para aquilo a que as pessoas chamam de "café", uma cava escura e fria onde me forçam a beber água, embora o sabor não me engane: era um calmante, de certeza, para me forçar a ser mais obediente! Eu nem estou com medo, porque, lá está, conheço a raptora, mas estou desolada por faltar às aulas! Oh pai, estava mesmo triste, a sério, eu bem lutei contra ela, mas ela tinha mais força, e eu não quis ficar sem dentes!
Para minha surpresa, voltamos ao carro, onde está um pacote de Fritos que tenho de comer (talvez para ter algum ataque de excesso de sal no sangue e desmaiar), mas como quando era pequenina me auto-intitulava "A rainha dos fritos" (facto verídico, eu era a rainha dos fritos e do esparregado, e a minha irmã era a rainha da pizza e do chocolate, títulos oficiais reconhecidos pela união europeia!) fingi apenas um leve desmaio e tive oportunidade de ver a segunda raptora, cujo nome será igualmente protegido, e que será referida como "a segunda raptora".
Enquanto me babava para o banco, numa estratégia de simulação perfeita, as minhas raptoras revelaram o seu ponto fraco, ao delirarem com um certo carro com certas pessoas lá dentro, cujo sexo não irei revelar mas posso dizer que não era o nosso (sem revelar nada, claro!). Estava clara qual seria a minha oportunidade de fuga, mas elas tinham trancado as portas e eu estava "desmaiada" e portanto não pude fugir e apanhar o comboio para a faculdade (Bolas!!! Que azar dos diabos!!).
Chegamos a Cascais onde vamos ter com uma advogada (com certeza encarregue de as safar da prisão para onde iriam parar por me terem raptado!), e sou levada para um quiosque onde elas bebem café. É aí que aparece o seu comparsa, um homem só com um dente na boca, que obviamente tinha um affaire com ambas, mas eu fingi que não percebia e que acreditava na cara de nojo que elas fizeram.
Passei o dia em Cascais, forçada a tirar fotos e a fingir-me contente, sempre maldizendo a minha sorte porque tinha tanta vontade de ir às aulas!...
De repente, lembrei-me: e se usasse o meu grito aprendido no Discovery Channel, para comunicar com os animais tipo Tarzan, e pedir-lhes socorro? Aproveitei a distracção das minhas raptoras e comecei a grasnar insistentemente ("ai que tosse horrível ah ah ah") até que uma pequena gaivota (para elas uma gaivota, para mim uma companheira de armas!), começou a atacar as minhas raptoras, fazendo com que elas caissem no chão, ferindo, inclusivamente, um cotovelo que deitou para aí meia gota de sangue!
Ao fim da tarde libertaram-me, depois, claro, de me enfiarem Mac pela goela abaixo apesar dos meus pedidos desesperados: "ai nãããããoooo eu tenho peixinho cozido em casa, não me façam issooooo!".
A verdade, queridas raptoras, é que foi dos melhores raptos de sempre. Perdoo-vos a afasia, as figuras tristes, a violência que ainda hoje me assombra, durante a noite, em pesadelos a preto e branco. Adorei ser vossa refém! Adorei as "lontras", os "cre-pes", as luvas foleiras até aos cotovelos, as poses pirosas no "Paraíso", os fãs histéricos a pedir autógrafos na passadeira vermelha, a manifestação a que não fomos porque não podíamos aparecer na RTP porque senão acabava-se o rapto...
São raptos assim que nos fazem sorrir, rir às gargalhadas, mesmo amordaçadas!

PS - claro que não ir à faculdade me traumatizou e fiquei muito triste!!! (caso estejas a ler, pai!)

Wednesday, October 10, 2007

O vento do Norte

Estranhei a indiferença com que o mundo acordou. Como se já não houvesse luas para onde olhar, nem estrelas para desejar, nem horizontes a alcançar.
Olhei para os lados, e procurei o norte com a ponta do dedo. É lá que o vento é mais frio, porque no Pólo Norte vive o pai Natal, numa fábrica de brinquedos coberta de neve. E se seguisse em frente, para lá onde o vento é frio, sem nunca parar? E se arriscasse, nem curvas nem nada, sempre em frente, atravessar estradas, mares, campos, florestas, icebergues, montanhas imensas? E as solas já gastas, os pés a doer, e o vento do norte a chamar: por aqui.
Deixa-te de sonhos e levanta-te, é dia! Pega no casaco e enfrenta as coisas de cimento e alcatrão, e não percas tempo a olhar para os lados.
O vento do Norte... tens cada coisa!

ResponIACKA!

Responsabilidade.
Só a palavra arrepia-me. É uma palavra feia, a língua bate na parte de trás dos dentes e depois estica-se cá para fora, toda enrolada "RES-PON-SA-BI-LI-DA-DE".
Gostava de encontrar os senhores inventores da língua portuguesa e dar-lhes dois calduços para ver se se deixavam de ideias destas.
"Procura-se pessoa RESPONSÁVEL", dizem todos os anúncios de emprego. Se eu fosse honesta, ficava desempregada para o resto da vida e sobrevivia como assaltante de bancos. Mas é preciso ganhar a vida, e, envergonhando-me da minha desonestidade, lá vou fazendo um esforcinho no sentido de me tornar uma adulta responsável, consciente das suas obrigações, plena de sentido de dever.
Tenho amigos responsáveis que entraram no responsável mundo do trabalho fazendo estágios responsáveis. Eu fiquei na faculdade. Mais umas especializações, que é para ver se me valorizo enquanto profissional. Ou, por outras palavras, POR FAVOR NÃO ME PONHAM JÁ NUM LUGAR RESPONSÁVEL!
Um dia, quando for velhinha, vou ser responsável. Vou tomar sempre os comprimidos a horas, e lembrar-me do sítio onde moro. Vou usar xailes no inverno para não me constipar e vou ter atenção para não dar detergente da roupa aos passarinhos.
Mas por agora, enquanto o mundo é tão grande e eu ainda sou pequena, enquanto as pernas têm formigueiro e me querem levar a todo o lado, deixem-me ser assim, plena de rebeldia e com os olhos abertos e espantados para o mundo, com a cabeça nas nuvens e os pés em algum lado que não vejo. Deixem-me beber a água da chuva e chapinhar os vossos sapatos profissionais com as minhas galochas amarelas.
Sim, em breve tem de ser. Em breve vou ter de deixar a menina e abraçar a senhora. Vou ter de sorrir sem mostrar muito os dentes que fica mal, e usar tons pastéis que são delicados.
Mas prometo a mim mesma que até lá vou fazer tremer o mundo debaixo dos meus pés!!

Saturday, October 06, 2007

E esta, hein?



Façam a vossa experiência de reconhecimento facial e vejam com que celebridades de assemelham... eu nunca tinha dado por ela. E continuo algo confusa..
Mas que tem piada, tem! Quem diria que sou parecida com a Woranuch Wongsawan?? :P

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