Tuesday, March 02, 2010
Me&FB
E se por vezes é o companheiro ideal nas loongas horas de monotonia laboral, outras é simplesmente assustador. Como quando descobrimos os nossos amiguinhos do tempo de escola transformados em homens que nos fariam atravessar a rua e marcar o 112 discretamente no telemóvel em caso de ataque súbito. Sim, foi assustador encontrar o pequeno X, que na escolinha fez o papel de príncipe encantado que me acordava com um beijinho na testa (nada de sem vergonhices!) na peça da Branca de Neve, parecido com um toxicodependente do ido Casal Ventoso.
Como postava ainda há pouco um amigo do facebook: "What happens in Vegas... stays on Facebook, Twitter and Youtube". É preciso dizer mais?
Friday, February 26, 2010
Rituais
É aquela coisa de chegar à redacção, limpar os óculos, pôr os óculos com uma mão enquanto ligo o pc com a outra, teclar a password com dois dedos, enquanto procuro o pacote das bolachinhas na mala XXL com outros dois dedos e estalar o pescoço antes de sentar na cadeira que me deixa as pernas a balançar para trás e para frente.
Abrir o mail, abrir o outro mail, abrir o terceiro endereço de email. Ler os mails de uma e de outra e ainda da outra conta por uma ordem que vai dos potencialmente mais interessantes aos óbvia e tragicamente entediantes.
Ler um blog, dois blogs, três blogs. Escrever cem caracteres, duzentos caracteres, trezentos caracteres.
Chegar a casa e devorar o almoço de olhos fixos no último episódio da Betty Feia, das Donas de Casa Desesperadas ou do Serviço de Urgência.
Voltar e tentar encontrar um lugar onde estacionar o bólide, numa distância estratégica da porta da esplanada - calcular ângulos, raios, diâmetros.
Telefones a tocar, gente a gritar, impressoras a cuspir papel. Tardes que passam tão rápidas que nem damos por elas, ou às vezes horas que insistem em demorar-se, inúteis, nos ponteiros virtuais do ecrã.
E, às vezes, não fazer nada disto. Ignorar os emails, não responder a telefonemas, rabiscar caretas no papel em vez de escrever. Também é para isso que existem os rituais.
Friday, February 12, 2010
violência doméstica no holmes place
Se, no último anúncio do Holmes Place, fosse um homem a dizer isto a uma mulher, e não o contrário, já toda a gente falava de violência psicológica e de certeza que já tinham colocado umas boas dezenas de soutiens a arder à porta dos ginásios.
Mas, assim, confesso que até me dá vontade de arranjar um marido só para o mandar para o Holmes Place: "Barrigudo pah! Não tens vergonha de andar assim na rua? Que é isto? Maminhas? Vai já tratar disto! Ou precisas que te compre uma combinação?"
Ai, que lindo é o amor...
Filosofias
É ÓBVIO que o Sr. N. nunca teve um filho.... Porque quem é que no seu perfeito juízo gostaria de dar à luz uma estrela dançante?? Uma bola em chamas a saltitar de um lado para o outro a sair... pronto, a sair?!
hoje estou de luto pela filosofia
Thursday, February 04, 2010
De todas as vezes que me dizes que sonho demasiado alto
Wednesday, February 03, 2010
Lembram-se?
tem que fazer pessoalmente.
Primeiro temos que criar o clima.
Percusão,cordas,sopros,palavras.
Aí está ela, aprendendo a namorar
Nada nada vai falar,
Mas embora não a ouça
Dentro de você uma voz vai dizer agora
"Beije a moça"
É verdade, gosta dela como vê
Talvez ela de você
Nem pergunte a ela
Pois não vai falar, só vai demonstrar
Se você a beijar
Sha la la la la la la
Vai não vai, olha o rapaz não vai
Não vai beijar a moça
Sha la la la la la la
Essa não, ele não tenta não
E vai perder a moça
Erick: Eu não me sinto bem
sem saber seu nome
Quem sabe eu adivinho
Será Mildrit.
Já sei que não
Que tal Diana,Raquel?
Sebastião: Ariel, o nome dela é Ariel
Erick: Ariel? Ariel
É um belo nome nome Ariel
Esta é a hora
Flutuando na lagoa
Veja só que hora boa, não perca esta chance
Ela não falou, ela não vai falar
Se você não a beijar
Sha la la la la la la
Vai com fé, que agora vai dar pé
É só você beijar
Sha la la la la la la
Vai em frente, não desaponte a gente
Você tem que beijar
Sha la la la la la la
Pegue a mão, escute essa canção
E beije logo a moça
Sha la la la la la la
Pra ser feliz, faça o que a gente diz
E beije logo a moça
Beija, beija
Beije a moça
Beije a moça
Beije a moça, beije a moça...
(e acaba por não beijar lol)
O tamanho conta!
Para hoje, chuva.
Para amanhã, sol, senhoras e senhores. E muitos caracóis.
Tuesday, February 02, 2010
Ainda sobre a colecção de Arik Levy (ver dois posts abaixo)
.....
lol
Exaplinim, Sr. Richers*
Lembrava-me bem daquela frase que antecedia sempre as grandes séries pós-almoço, como o Kit ou o Esquadrão Classe A. Mas, na minha memória, tudo o que ficara era "Versão brasileira, Exaplinim".
Hoje, graças ao google, ao youtube e aos MMS (pronto, Miguel*, tu também ajudaste um bocadinho), consegui descobrir que Exaplinim era, na verdade, Herbert Richers, o dono de uma empresa de dobragens brasileira que faleceu o ano passado. Dobrou centenas de séries, filmes e novelas e a frase "Versão brasileira, Herbert Richers" é uma das mais conhecidas no Brasil. Para mim, continuará a ser "Versão brasileira Exaplinim", mas foi maravilhoso conseguir voltar a ouvir aquela voz e conhecer a história por detrás dela.
"Vamos kitxi?"
*na ausência de colunas no local de trabalho, vi-me forçada a pedir ao Miguel que me telefonasse, e colocasse o telefone dele junto às colunas do seu pc, para poder ouvir a mítica frase e confirmar que era, mesmo, a minha exaplinim. Ele enviou-me um MMS com som e ficou tudo esclarecido. Salvé oh Mimi!
O Dezeen é um deles, e se comecei a lê-lo mais por obrigação, agora é um prazer ir espreitando as últimas do mundo da arquitectura e do design. Às vezes, encontram-se pequenas "pérolas" - e eu posso ser realmente chata quando se trata de divulgar "pérolas". Outras, nem por isso. Mas acabo sempre por achar qualquer coisa que me faz rir. Ora vejam:
Dick, Pussy & Ass by Arik Levy
French designer Arik Levy is exhibiting a collection of three cabinets called Dick, Pussy & Ass at Galerie SLOTT in Paris.
The collection of furniture is made up of geometric boxes, which can be rearranged to create stylised images of sexual organs.
Casais de todo o país, concorrei!
Passatempo Facebook!
O Fontana Park Hotel criou ainda um passatempo “Love Valentine” em que desafia os seus fãs no Facebook a partilharem a sua faceta romântica com uma foto apaixonada na sua página. A foto publicada que reunir mais “Gosto” terá direito a uma estadia com refeição afrodisíaca no Dia dos Namorados no Fontana Park Hotel. Para o casal vitorioso esta será uma experiência única num dia especial. O passatempo irá decorrer até dia 11 de Fevereiro e o vencedor será dado a conhecer dia 12 de Fevereiro.
Esta é mais oportunidade que o Fontana Park Hotel quer dar aos seus amigos para desfrutarem de momentos únicos nesta unidade hoteleira exclusiva.
Monday, February 01, 2010
No mundo ideal...
- eu teria sempre tempo para assistir um episódio qualquer do início ao fim, enquanto mordiscava as torradas do pequeno-almoço
- conseguiria sempre escolher o "outfit du jour" à primeira - e, consequentemente, o meu quarto não pareceria ter sido atacado por ursos
- o meu cabelo pareceria sempre saído de uma capa de revista ao despertar, com aquele jeitinho tipo "desleixado-giro" que em mim parece só desleixado
- nunca ninguém sairia de casa ao mesmo tempo que eu, deixando todas as estradas livres para que pudesse conduzir, feliz e contente, aos zigue-zagues para o trabalho
- a minha filha acordaria sempre com um sorriso angelical e um grande abracinho para me dar, em vez de rosnar debaixo dos lençóis sempre que a tento acordar - à distância, com um pau
- nunca mais teria de escrever sobre sanitas. Ou torneiras.
- nevaria pelo menos uma vez por ano em Lisboa - e a neve seria igualzinha a farrapos de algodão doce
- seria capaz de usar saltos altos um dia inteiro sem parecer a prima direita do Quasimodo
- A Mango, Zara e Stradivarius lutariam entre si para me conseguirem como representante e eu acabaria por permitir que todas me vestissem de graça.
- O fim de semana teria 3 dias pelo menos - 4 também não está completamente fora de questão!
(continua....)
Friday, January 29, 2010
Toms Drag
Thursday, January 28, 2010
O dia em que me tornei potencial dadora de medula
Vozinha interior: Se calhar ainda tenho tempo de fugir. Mas não, não posso. É o meu dever enquanto ser humano!
Pessoa dentro da sala: "Eu... eu nem me apercebi que tinha desmaiado"
Vá, também gostava que fizessem o mesmo por mim, pela minha família, pela minha filha!
Enf: "Será que consegue aguentar depois a recolha?"
A recolha? Mas é assim tão mau?
"São duas horas ligada a uma máquina que lhe tira o sangue e o volta a colocar, depois de retiradas as células necessárias"
O QUÊ?? ABORT ABORT!!
"Ah, mas há uma opção com anestesia geral, não é?" ( a desmaiada, meia desperta)
Ufaaa....
"Sim, mas com essa tem de ficar hospitalizada durante 24 horas"
OH MERDA! SIMULA UM DESMAIO, ATIRA-TE PARA O LADO, FOGE, FOGE!
Já para mim: "Tem a certeza do que está a fazer? É que se desistir depois de encontrarmos um receptor compatível, essa pessoa pode morrer"
(Engulo em seco)
Eu mesma: "Claro, claro, não vinha aqui se não quisesse ajudar" OH MEU DEUS, OH MEU DEUS, O QUE É QUE ESTOU A FAZER?
12 ml de sangue a menos:
"Parabéns, espero que tenhas a sorte de conseguir salvar a vida de alguém :)", envia a minha irmã, inscrita no banco de dadores há 3 anos.
Cala-te medo. Hoje sinto-me a Supermulher ;)
Wednesday, January 27, 2010
Pacotinho de açúcar
Mas hoje ainda não é o dia.
O "terceiro olho"
Acho que não vai ser aqui que vou encontrar a minha solução, mas vale mesmo a pena ler:
"A um tempo atraz eu estava com muita dificuldade de dormir no onibus (e de escrever também, mas continuemos), eu passava a viagem inteira para a faculdade de olhos fechados tentando dormir, as vezes eles pareciam estar entre abertos. Sempre achei que eu estava acordado, quando perguntei a minha amiga que me confirmou que eu estava sempre dormindo e de olhos fechados. Porém a impressão que eu tinha era de passar a viagem inteira sentado e eu conseguia ver praticamente tudo ao meu redor. Isso já aconteceu varias vezes comigo a noite, de passar a noite inteira dormindo, mas mesmoa assim uma parte de mim estava acordada olhando para o quarto. Isso tem alguma coisa a ver com o terceiro olho?" Pessoa X
Resposta:
"Dormir de olhos abertos é um distúrbio do sono, a pessoa que sofre deste distúrbio deve procurar auxílio médico tendo em vista que o não fechamanto dos olhos por período de tempo prolongado pode causar irritações na córnea que podem evoluir para úlceras de córnea e comprometer sériamente a visão devido a falta de lubrificação do globo ocular." Pessoa Y
lolol estava ele tão esperançoso...
E daí?
Gal Costa
Proibiram que eu te amasse
Proibiram que eu te visse
Proibiram que eu saísse
E perguntasse a alguém por ti
Proibam muito mais
Preguem avisos
Fechem portas
Ponham guisos
Nosso amor perguntará
E daí, e daí
Daí por mais cruel perseguição
Eu continuo a te adorar
Ninguém pode parar meu coração
Que é teu...
Ando viciada na expressão "e daí".
Pois, devia era estar a escrever sobre pavimentos e papel de parede mas... e daí? ;)
E daí?
e daí?
Quero um, quero um!!
Se quiserem saber mais (e vocês sabem que querem, vá lá): http://www.dezeen.com/2009/07/17/ink-calendar-by-oscar-diaz/
Tuesday, January 26, 2010
Do "nada a ver"...
Nos mamíferos, a traqueia é o tubo de aproximadamente 1,5 centímetros de diâmetro por 10-12 centímetros de comprimento que bifurca-se no seu interior, ligando a laringe aos brônquios, para levar o ar aos pulmões durante a respiração.
A traqueia é constituída por músculo liso, revestida internamente por um epitélio ciliado e externamente encontra-se reforçada por anéis de cartilagem. Esse muco ciliar adere partículas de poeira e bactérias presentes no ar inalado, e que graças ao movimento dos cílios são varridas para fora e expelidas ou engolidas. Wikipédia
Não gostei dos anéis de cartilagem. Fizeram-me lembrar as orelhas de porco na feijoada....
Urghhhhh!
Monday, January 25, 2010
hummmm....
O cantor José Cid foi alvo de carjacking no passado Domingo. Uma dupla de assaltantes sequestrou e roubou o cantor.
Domingo por volta das 02h30 da madrugada, a 10 metros de sua casa, no Alto do Estoril, José Cid abrandou a velocidade do carro quando chegava a um cruzamento e foi surpreendido por dois homens com duas armas de fogo. Um português e um brasileiro entraram cada um por um lado diferente do carro e José Cid não resistiu.
«Eles não sabiam quem eu era*. Eu disse-lhes que era o José Cid e pedi-lhes que não me fizessem mal, porque tinha ali dinheiro», revelou o cantor ao Diário de Noticias.
«Tu cantas bué bem, mas não contes isto à polícia, senão levas um tiro». Foi este o ultimato que os dois assaltantes fizeram a José Cid.
Os assaltantes mandaram-no deitar de bruços no banco traseiro e ameaçando-o que se falasse levava um tiro. Conduziram o carro até Almada a alta velocidade, levando o cantor a pensar que era um rapto. Depois de uma hora em pânico e depois de 500 euros a menos no bolso, José Cid pôde respirar de alívio quando a dupla de assaltantes disse que se ia embora.
(Inês Carranca, no Destak)
Levam-lhe o dinheiro e raptam-no durante uma hora "de pânico", mas não sem antes acrescentar o assustador ultimato de que ele "canta bué bem" - uma parte, aliás, fundamental nesta história - mas não o suficiente para se safar de um tiro caso diga alguma coisa à polícia. ...
...
é só de mim ou, sei lá, existem aqui uns contornos assim a atirar para o cómico?
*hummmm..... lol
Friday, January 22, 2010
Ultimamente não consigo deixar de ouvir...
Eu quero ficar perto
De tudo que acho certo
Até o dia em que eu
Mudar de opinião
A minha experiência
Meu pacto com a ciência
Meu conhecimento
É minha distração...
Coisas que eu sei
Eu adivinho
Sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio relógio
Mostra o tempo errado
Aperte o Play...
Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer
Na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo tá fechado
Pra visitação...
Coisas que eu sei
O medo mora perto
Das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim
Não vou trocar de roupa
É minha lei...
Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais
Depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro
Do que eu desenhei...
Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas
No meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos
Que eu não sei usar
Eu já comprei...
As vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo
Mais afundo em mim
Eu moro num cenário
Do lado imaginário
Eu entro e saio sempre
Quando tô a fim...
Coisas que eu sei
As noites ficam claras
No raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes
Eu somente não sabia...
Coisas que eu sei
As noites ficam claras
No raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes
Eu somente não sabia...
Agora eu sei...Agora eu sei...Agora eu sei...
http://www.youtube.com/watch?v=rIVFcsO_ywQ
Mesmo?
(Respira fundo)
É quando começamos a contar as coisas em décadas que percebemos que estamos a envelhecer. Quando achamos que tudo se passou, no máximo dos máximos, há meia dúzia de anos e, de repente, quando olhamos para a fotografia, vemos a data a corrigir-nos as coordenadas com a força de um soco no estômago.
Já passaram mesmo 11 anos?
É também nesta altura que percebemos o significado daquelas “amizades de sempre”. Das amigas que vimos crescer, com quem partilhámos os pormenores t-o-d-i-n-h-o-s do primeiro beijo, com quem falámos horas ao telefone analisando o olhar que o rapaz de quem gostávamos nos lançou no intervalo. Foi com elas que nos descobrimos enquanto pessoas, que experimentámos todas as nossas potenciais personalidades, desde estrelas de música pop, a bruxas ou aspirantes a comandar a máfia…
Fumámos cigarros às escondidas na varanda. Rimos com estátuas despidas. Fingimos não entender espanhol. Percorremos as calles ao ritmo da nossa inocência e com toda a felicidade que pode caber num sorriso de 14 anos. Cantámos Spice Girls até à exaustão.
Foi há 11 anos? Mesmo?
Friday, January 15, 2010
O que eu queria mesmo mesmo nestes dias...
Adoro a forma como depois de espancar tudo o que lhe aparece à frente, seja com a parte de cima do guarda-chuva ou com o cabo, o senhor acaba sempre por abri-lo com o ar mais tranquilo do mundo!
Saturday, November 21, 2009
Nós fomos!!
Afinal, feliz ou infelizmente, não éramos as únicas pessoas a tender para a paixão ridícula por uma personagem fictícia que ainda por cima é um vampiro, naquela noite. Uma centena de pessoas esperava, de convite para a ante-estreia na mão, a abertura das portas que nos conduziriam ao aguardadíssimo, esperadíssimo, desejadíssimo, primeiro frame de "Lua Nova".
Os posters no balcão voavam, como acontece, aliás, com tudo o que é dado de graça ao português, pelo que me agarrei logo a dois, enquanto tentava equilibrar um pacote de pipocas salgadas, um ice tea, a carteira, o cartão zon e o BI nas minhas duas, muito insuficientes, mãos.
"Trouxe-te um poster!"
"Amigaaaaa!" - nada como um poster gratuito para fazer a amiga rabugenta que ficou à espera na fila ganhar um sorriso de orelha a orelha.
Para quem já leu a saga, o filme, ao contrário do que costuma acontecer, não é, de todo, uma decepção. Refeita do choque do primeiro - o Edward é ASSIM? - as personagens já nos são familiares, e a história flui muito melhor neste segundo filme, com menos intervenções de um narrador que aparecia demasiadas vezes para colmatar falhas de acção no volume 1 da saga feita cinema.
Tecnicismos à parte, o importante mesmo é: onde é que fica aquela reserva de índios-lobisomens, para eu ir lá nas férias? Triste, mesmo, quando, depois de 50 minutos de Jacob em tronco nu, o Edward tira a camisa e mostra um troncozinho raquítico, pálido e com uns pelinhos de enfeite - fica, claramente a perder, e só com muito esforço uma pessoa mantém a sua lealdade platónica a uma relação inexistente com uma personagem igualmente irreal. Mas Eddy, continuas à frente - escassos centímetros, avise-se!
O filme mantém-se fiel ao tom lamechas da história, incluindo, até, a imagem do supra-sumo dos clichés, com uma Bella e um Edward que correm pelos prados de roupinha ao vento e pele vampírica brilhando ao sol. Ridiculamente divertido e muitíssimo viciante.
Nota 10! Não, 20! A verdade é que adorámos cada segundinho do filme, por mais estúpida, irreal e melosa que a história seja - se calhar, porque ela é isso mesmo.
Posto isto, acrescento que, nos últimos tempos também li Saramago e Le Clézio. Agora não me linchem, ok?
Tuesday, November 17, 2009
O incrivel mundo da comunicação
Perfil: licenciada em Ciências da Comunicação, experiência na área do jornalismo, blablabla
Lista de vagas para possíveis empregos:
- Responsável de Recursos Humanos (ok, não é tão absurdo assim)
- Gestora de loja (hummm... avancemos...)
- Condutor de barcos de recreio (.......)
É que condutor de barco de recreio que se preze deve ser capaz de recitar Walter Benjamin, compreender o panóptico de Foucault ou, pelo menos, conseguir explicar aos senhores turistas a semiótica da Torre de Belém! E se conseguir, pelo meio, relatar tudo isto em forma de notícia - sem adjectivos nem advérbios, faz favor - está contratado!
Por isso, meus amigos, há esperança no incrível mundo da comunicação!...
Friday, October 16, 2009
Mas, verdade seja dita, não sou capaz de acreditar que esse dia venha, de facto, a chegar. É que quando alguém me diz que adooora andar de saltos, eu penso sempre que, das duas, uma: ou estou em amena cavaqueira com a irmã do Pinóquio ou então a pobre tem de ter os pés completamente fustigados por calosidades que lhes roubaram para sempre a sensibilidade nesta parte do corpo. Ou então, quem sabe, há mesmo esta espécie sortuda de mulheres que nasceu com o dom de aguentar todo o peso do corpo nas pontinhas dos pés sem sentir uma pontinha que seja de dor. Raios as partam!
E isto porquê?
Porque ontem, para uma ocasião mais formalzinha, lá calcei os meus sapatinhos lindos e amarelos, a fazer pandan com a malinha igualmente linda e amarela, e parti, feliz e confiante, pelas estradas deste belo concelho que é Oeiras. Isto até sair do carro. Porque depois, não encontrando local onde estacionar, deparei-me com a problemática falta de passeios e, entre caminhar através da rotunda, ou mergulhar na lama que a ladeava, lá optei pela lama, que suja mas não mata. E com os saltinhos amarelos espetados na lama, os pés a darem os primeiros sinais de dor, e o tempo a passar assustadoramente depressa, lá se foi a elegância e ficou apenas o instinto de sobrevivência, a gritar-me aos ouvidos: mas quem é que te disse que era boa ideia trazer os sapatinhos coquetes?
O resultado é que à hora de almoço, saindo da redacção, já quase coxeava em direcção ao carro. Cheguei mesmo a pensar que o dedinho pequenino já devia parecer uma papa de sangue quando, finalmente, arrancasse aquele sapato, ainda lindo, mas assustadoramente doloroso, do meu pé.
Não tinha sangue. Nem sequer uma mini bolha para me poder queixar à vontade. Mas os sapatos amarelos voltaram para o seu lugarzinho, de onde não sairão até à próxima ocasião formalzinha.
Mas se há coisa que não dói e também é linda de morrer são malas, e por isso, minhas amigas, eu se fosse a vocês ia espreitar o Cascaishopping nos próximos tempos, que a Telabags está a preparar uma colecção com descontos very apelativos. São ecológicas, feitas à mão e giras, giras! Se é para sofrer com a crise, ao menos sofremos com estilo - e com os pés o mais intactos possível!
Monday, June 29, 2009
Eu não estou aqui
Eu não pico o ponto. Eu não ando de metro. Eu não me visto de cinzento nos dias de chuva.
Mas, mesmo assim, não estou aqui.
Friday, June 19, 2009
Dia de fecho
Oscila entre a loucura e a pasmaceira. Entre o corre-corre e o estar sentada durante horas, nas escadinhas, a apanhar sol, a fumar cigarros e a comer cerejas. Os dias de fecho têm cheiro. É o cheiro da tinta dos prints e plotters, dos marcadores fluorescentes a marcar notas e apontamentos nas margens, do dia que se vai transformando em noite e nós cá dentro, às vezes, no Verão quase nunca, a olhar para o ecrã, absortas das mudanças que se vão dando do outro lado da janela.
Dias de fecho são dias de cortar palavras aos textos. Às vezes parágrafos inteiros, outras vezes são textos dentro do texto que desaparecem, sem sequer deixarem vestígio de algum dia terem existido. Substituem-se palavras perfeitas por outras mais curtas. Sinónimos. Isso não existe. Isso não há.
São dias de corte e costura, de cansaço que traz olheiras, dores de costas, pescoços que estalam, olhos que ardem, zumbido nos ouvidos, roupa que cola e cadeiras que se moldam ao corpo. É a minha cadeira. E se não é confortável é porque o meu corpo não gosta do seu próprio molde. Culpa dele.
Dia de fecho é de “boa sorte”, de “escreveste tanto!”, de “não podemos aumentar um bocadinho a caixa de texto?” de bateres de pestanas suplicantes, vitórias às vezes, derrotas muitas mais, um “uffa” no fim antes da próxima guilhotina. São dias de isqueiros que flutuam entre nós, emprestados, perdidos, não tem dono? ah, é meu!, e o meu isqueiro? – is...quê? Viagens à máquina para ver os snacks que ainda estão dentro do prazo e depois esmurrá-la quando eles não caem, de ir à Maria Delícia comer uma fatia de bolo de bolacha, de arrumar a secretária que ficará novamente caótica na semana seguinte.
Dia de fecho – como é que alguém pode viver isto todos os dias?!
Thursday, June 18, 2009
A Morte Melancólica do Rapaz Ostra e outras estórias
He proposed in the dunes,
they were wed by the sea,
Their nine-day-long honeymoonwas on the isle of Capri.
For their supper they had one specatular dish-a simmering stew of mollusks and fish.And while he savored the broth,her bride's heart made a wish.
That wish came true-she gave birth to a baby.
Ten fingers, ten toes,
he had plumbing and sight.
He could hear, he could feel,but normal?
Not quite.
This unnatural birth, this canker, this blight,
was the start and the end and the sum of their plight.
She railed at the doctor:
"You should count yourself lucky, for only last week,
Not knowing what to name him,
Everyone wondered, but no one could tell,
When the Thompson quadruplets espied him one day,
One spring afternoon,
His mom on the freeway
in the breakdown lane
-she couldn't contain
the ever-rising grief,
frustration,
and pain.
"Really, sweetheart," she said
He tried salves, he tried ointments
The doctor diagnosed,
"I can't quite be sure,
but the cause of the problem may also be the cure.
He came on tiptoe,
Sam blinked his eye twice.
but made no reply.
As he picked up his son,
Sam dripped on his coat.
They burried him quickly in the sand by the sea
A cross of greay driftwood marked Oyster Boy's grave.
But his memory was lost with one high-tide wave.
Wednesday, June 17, 2009
Condutores, juntem-se a mim num boicote aos piiiiii
Eu sei aquelas coisas de que, eventualmente, me terei de separar se quiser viver mais uns anos – isto tendo em conta a simples lei das probabilidades. Dizer adeus ao LM Azul no fundo da mala, por exemplo. Não mandar sms enquanto conduzo também pode ser uma boa medida a tomar. Começar a baixar a cabeça quando passo debaixo dos sítios – cada vez mais me apercebo de que ser baixa não equivale a ser invisível e que bater com a cabeça dói. Mesmo. E, num dos primeiros lugares da lista, com direito a néons coloridos em redor: começar a controlar a hipertensão na estrada. Acho que é um dos melhores sítios para “medir” uma pessoa. Há os que esperam estoicamente na fila, debaixo de 30 graus, para avançar dois metros após meia hora de espera, segundo um princípio qualquer de justiça e respeito pelo próximo – como eu. E aqueles que avançam, felizes e contentes, pela faixa da esquerda, para se enfiarem novamente na direita como se tivessem alguma espécie de direito supremo a passar à frente. E há, claro, os que deixam, encolhem os ombros, lá dão espaço. E os outros que vão o caminho todo colados ao da frente, quase sempre a um milímetro de bater, a espreitar pelo espelho para ver se alguém vem aí a tentar enfiar-se num espacinho deixado ao acaso, que buzinam, reclamam e encolhem os ombros abanando a cabeça quando lhes pedem para passar e tremendo de raiva quando alguém (piiiii), os (piiiiii) deixa mesmo (piiiii) passar. Eu sou destes últimos. Do tipo que gostava de criar uma associação nacional contra os anormais na estrada. “Se ninguém os deixar meter-se eles desistem!”, argumento, de olhos sempre fixos no próximo carro que procura roubar o lugar que durante meia hora ou mais lutei para manter. O que me transforma na pior companhia de sempre para atravessar a ponte 25 de Abril, por exemplo. “Chega-te já à frente! Não! NÃO! Não o deixes passar! PORQUÊÊÊ?!” Mas eu acho que não sou eu que tenho o problema. Se calhar exagero, ainda admito isso. É que, repito, se nenhum de nós acedesse a colaborar com os condutores que consideram o seu tempo mais valioso que o nosso, e que ainda se gabam de nunca esperar nas filas, se calhar a coisa mudava um bocadinho. Mas não. Ficamos dentro do carro a suar, civilizadamente. Avançamos na fila, civilizadamente. E deixamo-nos ultrapassar, civilizadamente. Ninguém está para se chatear...
Friday, May 15, 2009
As oito coisas que quero fazer antes de morrer
Vai daí, pus-me a pensar nas oito coisas que quero fazer antes de morrer.
1. Ganhar o Nobel da Literatura (ou, numa versão mais realista, conseguir enfiar qualquer coisa escrita por mim nas prateleiras da Fnac)
2. Estar despreocupadamente a ver o Jornal Nacional enquanto como o jantar e descobrir que ganhei o Euromilhões! (ou, numa versão mais realista, receber a herança da tia milionária que nunca conheci mas que tenho a certeza que existe por aí!)
3. Dar a volta ao mundo com a minha filha. De barco. A motor.
4. Aprender pelo menos mais 3 línguas (a minha aposta iria para o árabe, o russo e o mandarim)
5. Escrever a notícia da descoberta da cura do cancro ou da Sida, da invenção da máquina do tempo, do fim da guerra, da fome e da miséria em todo e qualquer cantinho do nosso mundo.
6. Escrever um poema num sítio qualquer onde o tempo não o consiga apagar, por exemplo debaixo de uma pedra de um monumento, para ser descoberto por alguém centenas de anos depois - de preferência por uma menina de tranças e corda de saltar atrás
7. Ter uma carrada de netinhos para lhes contar histórias -e para, já agora, massajarem os pés da avózinha quando estiver cansada :P
8. Morrer feliz com tudo o que fiz, com todos os que conheci, com tudo o que sonhei, inventei e amei e resignada com aquilo que não tive tempo e oportunidade para fazer, sem arrependimentos.
É melhor começar a mexer-me.
Já.
Wednesday, April 15, 2009
Por enquanto... "Heil Magalhães"
Abrimos a caixa: um simples facalhão de cozinha bastou, fortalecendo a esperança de que a missão "Pôr o Magalhães em acção" ia ser tão fácil como "roubar doces a uma criança" - o que, verdade seja dita, não é nada fácil e só alguém que nunca tenha tentado "roubar doces a uma criança" é que podia ter inventado isto.
Depois disto, foi fácil. Básico mesmo. Senti-me quase tentada a acreditar que as criancinhas mais velhas até eram capazes de o fazer sozinhas: cabo de alimentação no pc e na tomada, toca a ligar o pc, instalar windows "aceito, seguinte, seguinte, seguinte" e voilá, o mighty Magalhães já bombava na minha cozinha.
Aparentemente, e só com umas quantas horinhas de teste, tudo funciona. Ainda não explorámos todos os jogos, mas, do que vi, a nossa versão - perdão, a versão da Didi - já tem os erros ortográficos corrigidos e tudo corre na perfeição.
Afinal, o computador até é resistente às quedas - segundo dizem - é verdadeiramente portátil - mini mini portátil - e custou menos que um par de sapatos. Por enquanto (e só por enquanto) eu digo "Heil Magalhães!"
Tuesday, April 14, 2009
Abril, águas mil
É bom saber que há coisas que não mudam.
Thursday, April 02, 2009
Nós sorríamos - o que interessava a lógica e o bom senso? Quem queria saber da física, da medicina ou de qualquer outra ciência exacta, quando aquelas palavras nos embalavam os pores do sol? Deixávamo-nos ficar, estendidas sobre a madeira quente do alpendre, a trincar as maçãs roubadas à terra, e desenhávamos com as palavras novas profissões para nós: plantadoras de sonhos, pescadoras de sorrisos, lavadoras de almas. E, quando finalmente a lua surgia, ele levantava-se em silêncio e voltava a casa. Sozinho, emudecido, sem se despedir, cruzava a porta sempre aberta e desaparecia por entre a escuridão espessa que enchia o corredor e se lhe agarrava à pele. Nunca houve adeus entre nós. Nem sequer um até logo, um até já ou um até amanhã. Éramos tão livres quanto as ervas daninhas que cresciam nas traseiras da casa. Livres ao ponto de nunca dizer adeus. Tão livres quanto algum ser pode ser.
Thursday, February 19, 2009
A "crise"
Depois, a crise chega até nós. Assim, quase sem aviso, uma estalada de realidade de que leva tempo até nos recompormos. Já não é só horrível: é chocante, difícil de acreditar. Olhas para ela de frente e, mesmo assim, não a reconheces: é como um furacão que torna tudo disforme e esbatido e que, num instante, destrói aquilo que davas como quase certo. Pela primeira vez, sentes medo a sério da "crise". Essa palavra escarrapachada em todos os jornais que já se tinha tornado tão parte do teu dia-a-dia que quase a esquecias. Pensas no que podes fazer e sabes que, em todo o mundo, milhares de pessoas estão a pensar exactamente o mesmo que tu: e agora?
Há uns meses ouvi, na rádio, um homem que falava de todas as crises pelas quais já tinha passado ao longo da vida - e sobrevivido. E, nessa altura, senti que havia esperança. Naquela voz tremida pela idade não havia medo, nem necessariamente coragem. Havia sabedoria. Aquele tipo de coisas que julgo que só se aprendem mesmo com a experiência e os anos. Aquelas coisas que, depois de as escutarmos pela primeira vez, são uma espécie de âncora que procuramos nos momentos difíceis. Palavras que vêm trazer à alma o aconchego que falta nas antigas certezas do dia-a-dia.
E eu acredito tanto em nós.
Monday, January 19, 2009
Dias mais ou menos
Nestes dias, ou temos a coragem de nos atirarmos pelas escadas e, assim, sermos forçados a ficar em casa (ora, bolas!), ou, como o comum dos mortais, arrastamo-nos entre as torradas e o café com leite, a escova dos dentes e o casaco, e enfrentamos a chuva, o nevoeiro e o frio como bravos guerreiros vikings.
Mas também há dias de vacas na Praça de Espanha. Quando conduzimos quase em piloto-automático, alguém ao nosso lado grita: OLHA UMA VACA! e nós esperamos, a qualquer momento, embater com uma tonelada de manchas pretas e brancas. (quanto pesará uma vaca? google: "peso vaca" - cerca de 400 kgs) Afinal, não há embate. Quatro ou cinco vaquinhas limitam-se a pastar em plena Praça de Espanha, num metro quadrado de relva, à chuva e sob os gases dos tubos de escape dos carros que abrandam para espreitar estes espécimes raros na capital.
É nestes dias que a minha secretária excessivamente desarrumada (a mais desarrumada da área, já conferi) me irrita ao ponto de quase acreditar que alguém a desarruma todas as noites só pelo gozo de me chatear. Os jornais com 3 meses empilhados à esquerda parecem-me apenas potenciais formas de atear um fogo e as migalhas das bolachas que acabei de comer são motivo suficiente para dar um raspanete à senhora das limpezas que saiu daqui há uma hora...
Nestes dias mais ou menos, tudo o que eu quero é chegar a casa, tirar as botas, afundar-me no sofá e fingir que passei o dia inteiro assim. Mas, assim, não tinha visto as vacas e tinha perdido o acontecimento da semana em Lisboa...
Thursday, January 15, 2009
Sinfonia da melancolia
Thursday, January 08, 2009
Richness For Dummies
Thursday, November 20, 2008
Pornografia Infantil, NÃO
Se o Bush criou o Eixo do Mal com países, os bloggers também podem renovar o conceito. Porque jamais o Mal (assim com maiúscula) foi exclusividade de uma nação, uma raça, uma língua ou uma religião. Essa coisa do Mal existe nos indivíduos, e nunca saberemos ao certo se resulta de uma distorção cerebral, ou de uma alma defeituosa. Ok, podre.O que sabemos é que o esse Eixo passa por estas palavras: angels, lolitas, boylover, preteens, girllover, childlover, pedoboy, boyboy, fetishboy ou feet boy.São os termos mais usados na pesquisa de pornografia infantil. Hoje a blogosfera adere a uma campanha para trocar as voltas a quem escreve estas palavras nos motores de busca. O objectivo é "entupir os motores de busca com os nossos posts para que no dia de hoje, o dia D, este crime tenha uma barreira a mais".Para mais esclarecimentos ir a http://margemdeerro.blogspot.com/2008/11/pornografia-infantil-no.html"Porque os blogs não têm de ser só “diários egocêntricos”. ( O Ponto do i)
eu junto-me. E tu?
Wednesday, November 12, 2008
Crescemos
Alguns de nós já tiveram filhos - eu sou mãe! Outros já compraram casas e discutem a pintura das paredes e as taxas euribor e coisas do género! Outras já têm um vestido de noiva guardado e vestem-no de vez em quando, enquanto dançam à frente do espelho. E ele já serve, não sobra nas mangas, os sapatos não caem quando tentam andar!
A maquilhagem fica-nos bem. Os saltos altos assentam-nos nos pés sem nos fazerem parecer despropositadas. A chave do carro, pronta a levar-nos até ao fim do mundo, fica tranquila, sobre a mesa, quando bebemos café.
Falamos dos empregos e, às vezes, tudo parece um filme. Tenho atrás de mim o mesmo cenário onde confessei o meu primeiro beijo, onde combinámos uma ida às matinés do Bauhaus (até à meia noite e com direito a dez sumos - o auge!), de onde partimos, a pé, para fugir a uma aula e dar um mergulho no mar do fim de Junho. E as mesmas pessoas - nunca nos apercebemos de como crescem aqueles que vemos quase todos os dias - que, para mim, continuam iguais.
Nós somos iguais. Só que mais crescidos... não é?
Thursday, November 06, 2008
madrugada
eu paro para ver.
Gosto de ser a única acordada
e saber
o que mais ninguém sabe,
e ter,
o que mais ninguém tem:
as cores que despertam, aos poucos, na rua.
As sombras bruxuleantes que dançam sob os candeeiros,
o cão que, coxeando, se arrasta para um canto.
O carro onde alguém suspira por alguém.
A estrela a que parece faltar uma ponta,
o baloiço onde se escreveram iniciais dentro de um coração,
a dançar, devagar, ao ritmo do vento.
Dum sentimento,
Dum momento
que ali se fez eterna música
que me murmura nas madrugadas.
Wednesday, November 05, 2008
Monday, November 03, 2008
quando é outono
Já tenho saudades da praia.
Wednesday, October 29, 2008
O incrível poder das telefonistas
- Mas isso é ao pé "daonde"?
- Olhe, eu não sei, só tenho a morada
PFFFF (mistura de suspiro com baforada de touro enraivecido)
Felizmente, as centrais de táxi ainda não implementaram as videochamadas, porque aí, meus amigos, tudo será muito pior. Desde olhares desdenhosos a abanares de cabeça milimetricamente estudados para nos fazerem sentir mais do que envergonhados por não sabermos de cor e salteado onde fica a Rua Nossa Senhora das Cabaças e ainda ousarmos (ousarmos!) pedir um táxi para nos levar lá.
E, quando alguma é simpática, aposto que deve ser imediatamente espancada, mal desliga o telefone! Afinal, há limites para tudo!
Wednesday, October 01, 2008
O hippie que gostava de lucky strikes...
Desligou o telefone. A frase fez-me olhar outra vez para ele: de cabelo comprido, barba, bigode, óculos de sol à John Lennon. Um hippie com os seus cinquenta anos que ensinava greves em inglês pelo telefone, auxiliando-se de uma marca de tabaco, enquanto conduzia o táxi pela A5. No rádio tocava música clássica: ele ia tamborilando os dedos sobre o volante, num teclado invisível.
Pensei como seria há trinta anos. E como o seu passado se parecia reflectir no seu presente. Quase todos os hippies ficaram nas fotografias. Enterrados em baús de calças à boca de sino e camisas coloridas. Um bilhete de um concerto, alguns discos, pedaços de poemas escritos em pacotes de açúcar.
Queria perguntar-lhe como era o mundo quando ele tinha 23 anos, como eu. Que mais palavras se faziam a partir dos maços de tabaco: King’s, Double Happiness, Silk Cut... E desejar-lhe que a sua strike também fosse cheia de sorte, como a do maço de tabaco.
Mas limitei-me ao bom dia, depois de pagar.
Thursday, September 11, 2008
Só para vos dizer...
Eu garanto que me rio sempre. Gargalhadas mesmo, quero buzinar e convidar os carros ao meu lado para fazerem o mesmo! Aquele "Laura Patrício", tão sério, tão crescido, ainda me parece uma brincadeira. E depois as palavras que no dia anterior foram gravadas entre gargalhadas e súplicas de oxigénio, frente a um microfone maior que a minha cara.
E então sigo, com o maior sorriso que os músculos faciais me permitem, como se estivesse num filme francês!
ahhhhh... :)
Saturday, August 30, 2008
Sunday, August 24, 2008
nunca ninguém sabe de mim
nunca ninguém sabe de mim.
Monday, June 16, 2008
Hoje
Hoje discuti o meu primeiro salário, que não chegou à conta porque andava perdido por ai numa realidade virtual qualquer...
Hoje saí de casa de sandálias e voltei a correr para calçar botas porque estava a chover. Quando cheguei à redacção estava sol.
Hoje sentei-me na esplanada à espera da minha amiga Inês para almoçar e congratulei-me por conseguir guardar um lugar tão disputado. Quando acendi um cigarro começou a chover.
Hoje raptei a ventoinha do editor e deixei que as duas hélices tipo saco de plástico fingissem que me arrefeciam.
Hoje descobri que o meu Banco pensa que sou menor, apesar de ter feito os 18 há mais de 5 anos. Além disso, também parecem pensar que sou um homem, visto que me dão sempre o título de Senhor.
Hoje liguei a uma amiga só para saber se ela estava bem e para ouvir uma voz familiar que me dissesse que sim, que está tudo bem.
Hoje fiz as palavras-cruzadas e descobri que Escavar não é Cavar: é Minar.
Hoje ouvi Svensson, o músico sueco que morreu a fazer mergulho, e pensei que às vezes morremos da forma mais inesperada. Sempre.
Hoje escrevi duas vezes no blog, o que não acontecia há meses.
Hoje olhei muitas vezes para o desenho da minha filha, ao lado do computador, em que tenho pernas que parecem chouriços e seguro um balão com um coração: pensei que as crianças são os seres mais perspicazes do mundo.
Hoje combinei as minhas primeiras férias de trabalhadora e reservei a minha primeira quinzena de liberdade: soube a mundo de crescidos.
Hoje respeitei o meu direito ao silêncio quando me apeteceu gritar e isso fez-me sorrir.
Hoje foi só mais um dia. Imaginei o que poderia escrever de uma vida inteira. Isso fez-me feliz.
Apesar de tudo
Seja com antigos colegas, recordando nomes sonantes que começam por M e acabam em ão (e pelo meio têm -our), ou ainda aquele que tinha nome de vila...
Seja com os senhores da central de táxis que se riem quando dizemos Faculdade de ciências sociais e humanas e dizem: "Ah, a novaaaa!" (o que é um pouco assustador, na verdade).
Seja com outros jornalistas, saídos das primeiras fornadas de licenciados em CC, que recordam semiótica com um sorriso que prova que não tiveram o prof que começa em M e acaba em ão (e que tem o tal -our a meio).
Críticas e censuras à parte, somos da Nova. Somos, para sempre, dessa universidade em que há uma população imensa de góticos e dreads que partilha o espaço da esplanada, em que há shows de reaggae espontâneos e mitos urbanos sobre alunos em pânico que se atiram das escadas (vá, confesso, este último foi mesmo criado por mim). Somos dessa "casa" em que os elevadores funcionam mal e quando funcionam às vezes param e deixam 20 pessoas do sexo feminino à beira de um ataque de claustrofobia à medida que se vão apercebendo que ninguém as vem salvar. Esse sítio onde as baguetes são sempre alternativa à cantina dos ricos e à dos pobres. Dizem que somos esquisitos (quantas vezes a frase, dita por alguém que me acompanhava à faculdade: "bem, a tua faculdade tem bué pessoal esquisito!") e nós encolhemos os ombros e sorrimos. Há a casa das cópias, as casas de banho de tectos inclinados e sem luz, os horários remexidos 50 vezes antes, a meio e depois das inscrições no início do ano lectivo, uns galos (sim, os animais, maridos das galinhas, pais dos pintinhos...) que nunca cheguei a ver mas que me garantiram que existem, de facto. Nós somos isso tudo, sim. Somos os tais que levaram com semiótica, pragmática e outras disciplinas com nomes de código e que superaram tudo isso.
É por isso que podemos dizer mal dela. Não é assim que funcionam as famílias? Nós podemos acusar, criticar, apontar o dedo. E se os outros decidirem atacá-la talvez alguns de nós se levantem em sua defesa.
Apesar de tudo (e este tudo é tão grandeeee).
"É orgia, é bacanal
é comuni-
é comunicação social"
Sunday, June 15, 2008
Ela
Não costumo chorar com os livros. Era a melhor forma de começar, mas seria mentira.
Ela não costuma chorar com os livros. Eles choram-na a ela, deitam-lhe lágrimas grossas sobre o rosto, carregam-lhe a garganta de alguns soluços. É raro, mas quando acontece ela deixa que eles a chorem toda, de uma vez, com o ar a atropelar-se entre os lábios e olhos turvos que impedem que veja a próxima palavra. Esforça-se por voltar a ver, ler, ser. Esforça-se por compreender. Abana a cabeça e suspira. Termina num só sopro: em vez de ler, devora. Come as palavras depressa e, tal como acontece com o comum guloso, sente-se mal disposta a seguir. Há um vazio feito de imensidão dentro dela, sente-se cheia de palavras, há letras que se acotovelam e sons que se sobrepõem como garras de metal. Emoções que se esmagam (do sim e do não, do bom e do mau), um medo que consegue filtrar os sonhos e que atormenta o sono.
Quando um livro é realmente bom, ela sabe que ele viverá para sempre num cantinho do seu ser. Que há frases sublinhadas que vai querer tatuar na pele, embora nunca o venha a fazer. Que há expressões que vai querer saborear todas as manhãs e outras que por mais que tente nunca a deixarão em paz. Que há um descompasso no coração que se deve a cada palavra que decorou, a cada personagem que amou e a cada descrição que foi capaz de ver com os olhos fechados.
Ela não costuma chorar com os livros. Eu sim.
Friday, June 13, 2008
O Sexo, a Cidade e a Aldeia (sim, as aldeãs também têm direito à vida)
Wednesday, June 04, 2008
A minha vida dava um filme indiano
Se calhar a minha vida dava mesmo era um musical: cantoria não falta, no carro, ao pc, mesmo durante a hora de almoço, indo contra todas e quaisquer regras de etiqueta!
No fundo, no fundo, eu acho mesmo é que a minha vida dava um drama. Ou uma comédia. Porque perder os documentos do carro no dia em que os recebi é mau. Ser parada pela polícia pela primeira vez em 4 anos precisamente nesse dia é pior ainda. Mas ser parada pela segunda vez (em quatro anos, não se esqueçam), e apanharem-me a falar através de aparelho sonoro durante o momento de condução do veículo... isso é VOODOO! Começo a considerar, seriamente, consultar uma bruxa, uma vidente, alguém com ligações místicas e poderosas a esse mundo do invisível.
E eu pergunto, no topo da minha pureza, quem me poderia desejar mal?...
Saturday, April 19, 2008
Ma, la, ca, sa
Wednesday, April 16, 2008
Cinderela do mundo
Às vezes queremos tanto mudar que, sem nos apercebermos, ficamos cada vez mais parecidos com nós mesmos. Outras, estamos tão distraídos, que a mudança acontece e pensamos que foi o mundo que mudou. Não, fomos nós. Não foram eles que deixaram de aparecer, foste tu que deixaste de lá ir... sim e mas... Não, o Sol não mudou de posição, foste tu que aprendeste a olhá-lo do ângulo exacto em que não te fere a vista.
E eu sei lá por onde começar. Se calhar por aquela manhã de Janeiro em que a aula não acabava nunca e eu tinha horas para... Não, foi mais cedo ainda. No Verão em que os dias foram tortuosamente longos e as noites assustadoramente calmas. Sim, foi aí.
E depois aquela manhã de Janeiro (sim, a tal) em que entrei na redacção com o estômago às voltas e escrevi a minha primeira peça. Para sair? Sim, para publicar. Quando? A emoção de espreitar as bancas à espera de 500 caracteres. 500 míseros caracteres com a pujança de uma edição inteira, com a importância de uma taça olímpica, lidos e relidos à exaustão. A revista trazida debaixo do braço, como um filho que protegemos da chuva: e voltamos a ler, em voz alta, primeiro a uns, depois a outros, sempre com a mesma emoção e excitação pueril na voz que se assemelha a soluços. (ai, a nossa, a tribo dos caracteres!)
E a primeira ida, menos de 3 semanas depois, à procura de um ar profissional que se desfaz na forma como olhamos, olhos grandes, olhos de mundo, olhos de quem dá nomes que ainda não foram inventados às coisas à nossa volta, olhos de quem nunca esteve ali, de quem nunca fez aquilo, e que tem sede de cada caracter de que se preenche o espaço.
Eu viajei, eu experimentei, eu voei de helicóptero, eu conduzi uma lancha no mar da Madeira, dormi em camas fofas de hotéis com pantufas macias e robes imaculados, eu comi pratos daqui e dali, conheci caras de cá e de lá, escutei as palavras simples, as meigas, as anónimas, as famosas, as duras, as prepotentes. E escrevi. Escrevi milhares, biliões de caracteres em busca dos sentidos das coisas que (vi)vi.
E compreendi que esta sede não acaba. Não é a inexperiência que nos dá olhos grandes, olhos de mundo. É a alegria de estar onde estamos, com quem estamos, nesse momento exacto. E é essa ânsia de contar a todos, com 500, 1000, 15000 caracteres, tudo aquilo que vivemos.
É por isso que sei que mudei. Agora, sou Cinderela do mundo: o meu lugar é aqui e ali, onde quer que o pé encaixe...
Sunday, April 06, 2008
despedidas
Monday, March 31, 2008
E no entanto...
e no entanto...
Thursday, March 06, 2008
bom dia bom dia
avião de papel
Apelo
A iniciativa não é minha, mas lá estarei. Não só pelo Moko mas por todos nós. Apelo, sinceramente, a todos aqueles que, mesmo não conhecendo o Moko, possam ir, que se desloquem até lá. Afinal, somos nós os homens e mulheres do amanhã não é? Vamos tentar fazer a diferença e criar um mundo melhor para nós. Por mais inútil que possa parecer é mudando uma pessoa de cada vez que se muda a humanidade... certo? Como diziam numa música "Eles têm as armas mas nós temos a voz"...
Por favor não deixem de aparecer. Pelo Moko, por todas as vítimas de violência, por todos aqueles que amam, para que não sejam eles, um dia, e por vocês mesmos. Obrigada
Wednesday, March 05, 2008
Até um dia
Haja o que houver aí onde estás, espero que estejas em paz. Que a tua alma se encha de alegria quando vês as centenas de pessoas que tocaste e cuja vida revolucionaste com os teus gestos e palavras. Que a vida nem sempre é justa já todos o sabíamos. Como dói a injustiça, isso, vamos descobrindo aos poucos. Perguntam porque acontecem coisas más às melhores pessoas. Há quem diga que só essas vão ainda a tempo de ser salvas.
Não quero chorar: quero sorrir e gritar ao mundo que tive o privilégio de ter alguém assim na minha vida. E abaná-los pelos ombros e dizer: Chega! Chega de correr de um lado para o outro, discutir, cansar a cabeça com coisas sem importância. Aproveitem o dia, beijem quem amam, abracem quem querem, dancem à chuva se assim vos apetecer. Chega de violência, de intolerância, de rancores. Chega de ódios sem sentido, a vida é demasiado curta para isso. Curta mas grande, enorme, brilhante. Vivam cada dia como se fosse uma viagem única no mundo. Foi assim que fizeste. E, dessa forma, conquistaste a imortalidade dentro de cada um de nós.
Isto não é um adeus Moko. É até um dia. Vou sentir a tua falta**************
Thursday, February 28, 2008
o meu eterno sorrir
Monday, February 25, 2008
cantaremos
Sim, eu sei.
E sabes que, um dia, muito provavelmente, será tempo de escrever sobre coisas sérias e tristes, daquelas que fazem as pessoas ler as páginas cinzentas dos jornais.
Sim, provavelmente, é a vida.
Mas a vida de quem?
(silêncio)
A tua? A minha? A vida que temos ou a que escolhemos?
Se calhar... as duas?
Se calhar. Vou escrever. Queres cantar as palavras depois?
Cantaremos.
O que quisermos?
Até ao fim.
Saturday, February 16, 2008
dias maiores
Friday, February 15, 2008
cansei (lenga-lenga) - vício da rima
do vão da escada,
das ruas de pedra,
da terra molhada,
da linha do horizonte,
de telescópios cansados,
de feridas abertas,
de olhos fechados,
de mapas escritos,
de caminhos desertos,
de sinais confusos,
de planos correctos,
das linhas da mão
do meu tornozelo
da cova no queixo,
do meu cotovelo,
das multidões apertadas,
da solidão absoluta,
dos gritos alucinados,
do silêncio à escuta,
da luz fluorescente,
do escuro sem vida,
do dia apagado,
da noite perdida,
do gigante feroz,
do anão revoltado,
da formiga contente,
do leão emproado,
da história sem fim,
do capítulo final,
da vida, da morte,
de tudo e tal.
é só vício de rima
O velho piano
um dia ele saiu, com toda a pompa e circunstância, pela janela do 12º andar. Estava velho, as cordas frouxas. Uma pequena quantidade de gente, que na altura me pareceu multidão, olhava-o de baixo, murmurava frases feitas, clichés. Pousei as pautas no chão e parti. Não sei se as levou o vento ou não.
as malhas das horas
a gente espreita, sem dar grande importância (já todos sabemos que se dermos muita importância à maioria das coisas elas ganham manias insuportáveis), vira um pouco os olhos para elas, morde o lábio de baixo à espera de ver mudar o dígito. Volta o rabugento para casa entra o novo, restabelecido, forte, decidido a alongar-se o máximo possível. Dá vontade de gritar : o tempo da educação física acabou, meu querido! Não te alongues que não vale a pena! Mas ficamos quietos, pelo sim pelo não, não và a hora levar a mal e deixar-se ficar, preguiçosa, só para chatear
Não fosse a noite cair
Ninguém em casa a esperava, na verdade. Só uma cadeira torta, uma perna mais curta, o forro rasgado. A cadeira da avó, coberta de pó (quanto tempo teria? 2 dias? 2 anos? 2 séculos?), um pó sagrado que vinha de quem lá se tinha sentado um dia. Talvez um historiador não resistisse a tocá-lo com as pontas dos dedos, levá-las à boca, beijá-lo, sentir na ponta da língua mil vidas passadas que se fundiam e confundiam ali, naquele pó. Mas era só a cadeira vazia, a cadeira da avó que era a do gato agora. A do gato surdo que ali afiava as unhas e se espantava sempre com o silêncio do tecido que se rasgava por debaixo das patas.
Tuesday, February 05, 2008
Quando foi?
Até que um dia, sem saber bem quando (são datas que não se fixam em calendários), quebrou-se o pacto. Os olhos escureceram, alongaram-se os dias, curvaram-se os gestos. A isso obrigou o tempo, diriam os mais sábios, que aceitam o amanhã com paciência e sensatez. As meninas fazem-se mulheres, os sonhos fazem-se planos, as ilusões são esperanças e os amores são vulcões meios adormecidos. Um dia, podem despertar e destruir tudo em seu redor. Urge cumprir horários e regras, respeitar os códigos, dezenas, centenas de premissas irrevogáveis. O mundo já não é bandeira ao fundo, é palco principal cujo pano cai a qualquer momento. Quando cai, não resta senão levantá-lo de novo: doem os braços, afligem-se os dedos, partem-se unhas, às vezes. Ou deixamo-lo caído - nem sempre há tempo para o levantar - e partimos em digressão, à espera de um novo holofote mágico que nos encadeie e nos faça acreditar que ali, onde só há luz, está de facto a baleia do Pinóquio, que o engole num zumzum de mar.
Todas as meninas se fazem, mais dia menos dia, mulheres. Mas todas as mulheres guardam em si, mesmo que não o saibam, a menina que foram um dia.
Tuesday, January 15, 2008
Pouco normal
"Mas que porcaria é esta?!", inquiria a plenos pulmões há uns poucos dias. E as velhinhas afastavam-se dele, chapéus-de-chuva na mão não fosse ele passar-se e saltar para cima delas. É que, infelizmente, hoje já não se diz o que se pensa. Hoje o normal é calar, aturar, deprimir, recalcar, envelhecer, amargurar. E é por ser tão fora do normal que o Zé Mário se tornou especial.
Monday, January 07, 2008
tudo isso eu serei
Agonia
Passa a agonia e o gosto vai saltitando por entre os momentos de hesitação e gestos que se tornam hábitos. Dar o nome à entrada, lutar contra o rato (do pc), recusar os 30 000 panfletos que me tentam entregar pelo caminho, evitar a piscina que se cria ali, mesmo ao pé da minha secretária. Tudo isso vai se inscrevendo na pele como micro-tatuagem que não se vê.
- Achas que tenho ar de jornalista?
Ao que parece, os jornalistas não têm "ar". Têm caras e bocas como toda a gente e cabelos que se despenteiam e rímel que escorre quando chove e chapéus de chuva que reviram ao vento. Dizem eles, que não percebem nada disto.
Friday, January 04, 2008
desejos
No fundo, no fundo, quero ser feliz. Não é o que queremos todos?