Tuesday, March 02, 2010

Me&FB

O Facebook veio mudar o mundo, já toda a gente sabe. Prova disso, é o número de facebookers, o despedimento "facebookis causis" (n sei, pareceu-me bem), ou a quantidade astronómica de recadinhos que o facebook me vai enviando ao longo do dia com as milhentas actualizações dos meus amigos. Que, neste caso, são mesmo amigos, ou pelo menos conhecidos - sou da velha guarda, nada de aceitar convites de estranhos!
E se por vezes é o companheiro ideal nas loongas horas de monotonia laboral, outras é simplesmente assustador. Como quando descobrimos os nossos amiguinhos do tempo de escola transformados em homens que nos fariam atravessar a rua e marcar o 112 discretamente no telemóvel em caso de ataque súbito. Sim, foi assustador encontrar o pequeno X, que na escolinha fez o papel de príncipe encantado que me acordava com um beijinho na testa (nada de sem vergonhices!) na peça da Branca de Neve, parecido com um toxicodependente do ido Casal Ventoso.

Como postava ainda há pouco um amigo do facebook: "What happens in Vegas... stays on Facebook, Twitter and Youtube". É preciso dizer mais?

Once upon a time

she smoked the whole world and kissed it away

Friday, February 26, 2010

Rituais

Rituais.
É aquela coisa de chegar à redacção, limpar os óculos, pôr os óculos com uma mão enquanto ligo o pc com a outra, teclar a password com dois dedos, enquanto procuro o pacote das bolachinhas na mala XXL com outros dois dedos e estalar o pescoço antes de sentar na cadeira que me deixa as pernas a balançar para trás e para frente.
Abrir o mail, abrir o outro mail, abrir o terceiro endereço de email. Ler os mails de uma e de outra e ainda da outra conta por uma ordem que vai dos potencialmente mais interessantes aos óbvia e tragicamente entediantes.
Ler um blog, dois blogs, três blogs. Escrever cem caracteres, duzentos caracteres, trezentos caracteres.
Chegar a casa e devorar o almoço de olhos fixos no último episódio da Betty Feia, das Donas de Casa Desesperadas ou do Serviço de Urgência.
Voltar e tentar encontrar um lugar onde estacionar o bólide, numa distância estratégica da porta da esplanada - calcular ângulos, raios, diâmetros.
Telefones a tocar, gente a gritar, impressoras a cuspir papel. Tardes que passam tão rápidas que nem damos por elas, ou às vezes horas que insistem em demorar-se, inúteis, nos ponteiros virtuais do ecrã.

E, às vezes, não fazer nada disto. Ignorar os emails, não responder a telefonemas, rabiscar caretas no papel em vez de escrever. Também é para isso que existem os rituais.

Friday, February 12, 2010

violência doméstica no holmes place

"Olha para essa barriga: parece que vais dar à luz! E sabes que acabas sempre por gostar..."

Se, no último anúncio do Holmes Place, fosse um homem a dizer isto a uma mulher, e não o contrário, já toda a gente falava de violência psicológica e de certeza que já tinham colocado umas boas dezenas de soutiens a arder à porta dos ginásios.

Mas, assim, confesso que até me dá vontade de arranjar um marido só para o mandar para o Holmes Place: "Barrigudo pah! Não tens vergonha de andar assim na rua? Que é isto? Maminhas? Vai já tratar disto! Ou precisas que te compre uma combinação?"

Ai, que lindo é o amor...

Filosofias

Parece que o Nietzsche (coitadinho, com este nome imagino a infância terrível que n deve ter tido...) disse: "Sem o caos dentro de si ninguém pode dar à luz uma estrela dançante".

É ÓBVIO que o Sr. N. nunca teve um filho.... Porque quem é que no seu perfeito juízo gostaria de dar à luz uma estrela dançante?? Uma bola em chamas a saltitar de um lado para o outro a sair... pronto, a sair?!

hoje estou de luto pela filosofia

Thursday, February 04, 2010

De todas as vezes que me dizes que sonho demasiado alto

só me fazes querer lutar mais e melhor para ser quem sonho.

Wednesday, February 03, 2010

Lembram-se?

Sebastião: Se você quer a coisa bem feita
tem que fazer pessoalmente.
Primeiro temos que criar o clima.
Percusão,cordas,sopros,palavras.
Aí está ela, aprendendo a namorar

Nada nada vai falar,
Mas embora não a ouça
Dentro de você uma voz vai dizer agora
"Beije a moça"
É verdade, gosta dela como vê

Talvez ela de você
Nem pergunte a ela
Pois não vai falar, só vai demonstrar
Se você a beijar

Sha la la la la la la
Vai não vai, olha o rapaz não vai
Não vai beijar a moça
Sha la la la la la la
Essa não, ele não tenta não
E vai perder a moça

Erick: Eu não me sinto bem
sem saber seu nome
Quem sabe eu adivinho
Será Mildrit.
Já sei que não
Que tal Diana,Raquel?

Sebastião: Ariel, o nome dela é Ariel

Erick: Ariel? Ariel
É um belo nome nome Ariel

Esta é a hora
Flutuando na lagoa
Veja só que hora boa, não perca esta chance
Ela não falou, ela não vai falar
Se você não a beijar
Sha la la la la la la

Vai com fé, que agora vai dar pé
É só você beijar
Sha la la la la la la
Vai em frente, não desaponte a gente
Você tem que beijar
Sha la la la la la la

Pegue a mão, escute essa canção
E beije logo a moça
Sha la la la la la la
Pra ser feliz, faça o que a gente diz
E beije logo a moça

Beija, beija
Beije a moça
Beije a moça
Beije a moça, beije a moça...


(e acaba por não beijar lol)

O tamanho conta!


O homem mais alto do mundo (246.5 cm), Sultan Kosen e o homem mais baixo do mundo (74.61 cm), He Pingping encontraram-se. Os dois juntos, na Turquia.
Mas a Sábado também acrescenta que o sr. He Pingping (será que este é o verdadeiro apelido dele? parece demasiado perfeito para ser real!) enfrenta agora um novo concorrente. Wu Kang, de 22 anos e 68 centímetros, recusou um tratamento hormonal que o poderia fazer crescer mais 12 centímetros... tudo porque quer alcançar o título até agora detido pelo Sr. Pingping.
Anda uma rapariga a fazer malabarismos em cima dos saltos altos para quê?

Para hoje, chuva.

Tenciono lançar um novo programa de meteorologia, baseado no estado do meu cabelo. É certinho que quando invisto meia hora do meu tempo a esticar a juba, chove.

Para amanhã, sol, senhoras e senhores. E muitos caracóis.

Tuesday, February 02, 2010

Ainda sobre a colecção de Arik Levy (ver dois posts abaixo)

For example, “Pussy” can open more or less wide and “Dick”’s upper portion can come down. “Ass” can commune with “Pussy”, while “Dick” is on the floor.

.....
lol

Exaplinim, Sr. Richers*

Toda a minha infância foi marcada de frases aparentemente sem sentido. É por isso que apareço nos vídeos caseiros a cantar parvoíces como "Barbie e o seeeeu comedor"(ainda hoje não sei o que a Barbie tinha, mas tenho quase a certeza de que não seria um comedor), ou "Lá fora há uma vaca em chamas" (o que apesar do efeito visual fantástico é, no mínimo, bizarro).
Lembrava-me bem daquela frase que antecedia sempre as grandes séries pós-almoço, como o Kit ou o Esquadrão Classe A. Mas, na minha memória, tudo o que ficara era "Versão brasileira, Exaplinim".
Hoje, graças ao google, ao youtube e aos MMS (pronto, Miguel*, tu também ajudaste um bocadinho), consegui descobrir que Exaplinim era, na verdade, Herbert Richers, o dono de uma empresa de dobragens brasileira que faleceu o ano passado. Dobrou centenas de séries, filmes e novelas e a frase "Versão brasileira, Herbert Richers" é uma das mais conhecidas no Brasil. Para mim, continuará a ser "Versão brasileira Exaplinim", mas foi maravilhoso conseguir voltar a ouvir aquela voz e conhecer a história por detrás dela.

"Vamos kitxi?"

*na ausência de colunas no local de trabalho, vi-me forçada a pedir ao Miguel que me telefonasse, e colocasse o telefone dele junto às colunas do seu pc, para poder ouvir a mítica frase e confirmar que era, mesmo, a minha exaplinim. Ele enviou-me um MMS com som e ficou tudo esclarecido. Salvé oh Mimi!
Nos meus - ultimamente imensos - tempos livres, gosto de deambular por alguns sites onde sei que me aguardam sempre boas novidades.

O Dezeen é um deles, e se comecei a lê-lo mais por obrigação, agora é um prazer ir espreitando as últimas do mundo da arquitectura e do design. Às vezes, encontram-se pequenas "pérolas" - e eu posso ser realmente chata quando se trata de divulgar "pérolas". Outras, nem por isso. Mas acabo sempre por achar qualquer coisa que me faz rir. Ora vejam:



Dick, Pussy & Ass by Arik Levy


French designer Arik Levy is exhibiting a collection of three cabinets called Dick, Pussy & Ass at Galerie SLOTT in Paris.
The collection of furniture is made up of geometric boxes, which can be rearranged to create stylised images of sexual organs.
posso ser uma nulidade artística, mas não é, definitivamente, o tipo de coisa que colocaria na minha sala... Quer dizer, quem é que quer ir arrumar a loiça num pénis, limpar o pó ao rabo ou convidar a avó a pousar o casaco ali em cima da pussy?... :S

Casais de todo o país, concorrei!

O Fontana Park lançou um passatempo no Facebook em que oferece uma noite com refeição afrodisíaca no Dia dos Namorados. Não fosse eu uma moça solteira e já lá estava a minha participação! Mas, assim sendo, posso alimentar a concorrência e espalhar a palavra. Vejam lá se depois se lembram de mim no dia das amigas, siiiim?



Passatempo Facebook!
O Fontana Park Hotel criou ainda um passatempo “Love Valentine” em que desafia os seus fãs no Facebook a partilharem a sua faceta romântica com uma foto apaixonada na sua página. A foto publicada que reunir mais “Gosto” terá direito a uma estadia com refeição afrodisíaca no Dia dos Namorados no Fontana Park Hotel. Para o casal vitorioso esta será uma experiência única num dia especial. O passatempo irá decorrer até dia 11 de Fevereiro e o vencedor será dado a conhecer dia 12 de Fevereiro.
Esta é mais oportunidade que o Fontana Park Hotel quer dar aos seus amigos para desfrutarem de momentos únicos nesta unidade hoteleira exclusiva.


Monday, February 01, 2010

No mundo ideal...

  • eu teria sempre tempo para assistir um episódio qualquer do início ao fim, enquanto mordiscava as torradas do pequeno-almoço
  • conseguiria sempre escolher o "outfit du jour" à primeira - e, consequentemente, o meu quarto não pareceria ter sido atacado por ursos
  • o meu cabelo pareceria sempre saído de uma capa de revista ao despertar, com aquele jeitinho tipo "desleixado-giro" que em mim parece só desleixado
  • nunca ninguém sairia de casa ao mesmo tempo que eu, deixando todas as estradas livres para que pudesse conduzir, feliz e contente, aos zigue-zagues para o trabalho
  • a minha filha acordaria sempre com um sorriso angelical e um grande abracinho para me dar, em vez de rosnar debaixo dos lençóis sempre que a tento acordar - à distância, com um pau
  • nunca mais teria de escrever sobre sanitas. Ou torneiras.
  • nevaria pelo menos uma vez por ano em Lisboa - e a neve seria igualzinha a farrapos de algodão doce
  • seria capaz de usar saltos altos um dia inteiro sem parecer a prima direita do Quasimodo
  • A Mango, Zara e Stradivarius lutariam entre si para me conseguirem como representante e eu acabaria por permitir que todas me vestissem de graça.
  • O fim de semana teria 3 dias pelo menos - 4 também não está completamente fora de questão!

(continua....)

Friday, January 29, 2010

Toms Drag


legenda: lindo, lindo, lindo, lindo, lindo!!
Descobri a colecção do Tom Hoffmann na Bairro Arte (http://bairroarte.blogspot.com/) e estou receptiva a todos os embrulhos que me queiram enviar com as coisinhas deste senhor.
Há sapos com coroas, cães que são porta-jóias, girafas que ficavam lindas com as minhas malinhas lá encavalitadas... tudo com um ar muito drag!

Thursday, January 28, 2010

O dia em que me tornei potencial dadora de medula

Enfermeira: "Está a ouvir-nos? - como é que ela se chama? - Sente-se bem? Consegue ouvir-nos?"

Vozinha interior: Se calhar ainda tenho tempo de fugir. Mas não, não posso. É o meu dever enquanto ser humano!

Pessoa dentro da sala: "Eu... eu nem me apercebi que tinha desmaiado"

Vá, também gostava que fizessem o mesmo por mim, pela minha família, pela minha filha!

Enf: "Será que consegue aguentar depois a recolha?"

A recolha? Mas é assim tão mau?

"São duas horas ligada a uma máquina que lhe tira o sangue e o volta a colocar, depois de retiradas as células necessárias"

O QUÊ?? ABORT ABORT!!

"Ah, mas há uma opção com anestesia geral, não é?" ( a desmaiada, meia desperta)

Ufaaa....

"Sim, mas com essa tem de ficar hospitalizada durante 24 horas"

OH MERDA! SIMULA UM DESMAIO, ATIRA-TE PARA O LADO, FOGE, FOGE!

Já para mim: "Tem a certeza do que está a fazer? É que se desistir depois de encontrarmos um receptor compatível, essa pessoa pode morrer"

(Engulo em seco)

Eu mesma: "Claro, claro, não vinha aqui se não quisesse ajudar" OH MEU DEUS, OH MEU DEUS, O QUE É QUE ESTOU A FAZER?




12 ml de sangue a menos:

"Parabéns, espero que tenhas a sorte de conseguir salvar a vida de alguém :)", envia a minha irmã, inscrita no banco de dadores há 3 anos.

Cala-te medo. Hoje sinto-me a Supermulher ;)

Wednesday, January 27, 2010

Pacotinho de açúcar

Um dia despeço-me e, passados os 30 dias de pré-aviso que tenho de dar à empresa, passo o dia inteirinho na praia, esteja sol, chuva, neve ou granizo.

Mas hoje ainda não é o dia.

O "terceiro olho"

Procurava eu um método para aprender a dormir de olhos abertos (esta nova experiência de trabalhar a full-time tem sido, no mínimo, desesperante), quando o meu novo melhor amigo Google (salvé!salvé!) me enviou para o Fórum "Viagem Astral".

Acho que não vai ser aqui que vou encontrar a minha solução, mas vale mesmo a pena ler:

"A um tempo atraz eu estava com muita dificuldade de dormir no onibus (e de escrever também, mas continuemos), eu passava a viagem inteira para a faculdade de olhos fechados tentando dormir, as vezes eles pareciam estar entre abertos. Sempre achei que eu estava acordado, quando perguntei a minha amiga que me confirmou que eu estava sempre dormindo e de olhos fechados. Porém a impressão que eu tinha era de passar a viagem inteira sentado e eu conseguia ver praticamente tudo ao meu redor. Isso já aconteceu varias vezes comigo a noite, de passar a noite inteira dormindo, mas mesmoa assim uma parte de mim estava acordada olhando para o quarto. Isso tem alguma coisa a ver com o terceiro olho?" Pessoa X

Resposta:

"Dormir de olhos abertos é um distúrbio do sono, a pessoa que sofre deste distúrbio deve procurar auxílio médico tendo em vista que o não fechamanto dos olhos por período de tempo prolongado pode causar irritações na córnea que podem evoluir para úlceras de córnea e comprometer sériamente a visão devido a falta de lubrificação do globo ocular." Pessoa Y

lolol estava ele tão esperançoso...

E daí?

E daí,
Gal Costa

Proibiram que eu te amasse
Proibiram que eu te visse
Proibiram que eu saísse
E perguntasse a alguém por ti
Proibam muito mais
Preguem avisos
Fechem portas
Ponham guisos
Nosso amor perguntará
E daí, e daí
Daí por mais cruel perseguição
Eu continuo a te adorar
Ninguém pode parar meu coração
Que é teu...

Ando viciada na expressão "e daí".
Pois, devia era estar a escrever sobre pavimentos e papel de parede mas... e daí? ;)
E daí?
e daí?

Quero um, quero um!!

Sei que não é nenhuma novidade, mas como ainda estamos em Janeiro e há todo um ano para encher de notas, tinha de pôr aqui este calendário do Oscar Diaz que achei simplesmente genial!
"Todos os meses, uma garrafa de tinta vai-se espalhando numa folha de papel com números, colorindo-os à medida que o tempo passa"

Se quiserem saber mais (e vocês sabem que querem, vá lá): http://www.dezeen.com/2009/07/17/ink-calendar-by-oscar-diaz/

Tuesday, January 26, 2010

Do "nada a ver"...

Hoje estava na dúvida acerca do nome do tubinho dentro da garganta que leva o ar até aos pulmões.

Nos mamíferos, a traqueia é o tubo de aproximadamente 1,5 centímetros de diâmetro por 10-12 centímetros de comprimento que bifurca-se no seu interior, ligando a laringe aos brônquios, para levar o ar aos pulmões durante a respiração.
A traqueia é constituída por músculo liso, revestida internamente por um epitélio ciliado e externamente encontra-se reforçada por anéis de cartilagem. Esse muco ciliar adere partículas de poeira e bactérias presentes no ar inalado, e que graças ao movimento dos cílios são varridas para fora e expelidas ou engolidas. Wikipédia

Não gostei dos anéis de cartilagem. Fizeram-me lembrar as orelhas de porco na feijoada....

Urghhhhh!

Monday, January 25, 2010

hummmm....

José Cid sequestrado e roubado

O cantor José Cid foi alvo de carjacking no passado Domingo. Uma dupla de assaltantes sequestrou e roubou o cantor.


Domingo por volta das 02h30 da madrugada, a 10 metros de sua casa, no Alto do Estoril, José Cid abrandou a velocidade do carro quando chegava a um cruzamento e foi surpreendido por dois homens com duas armas de fogo. Um português e um brasileiro entraram cada um por um lado diferente do carro e José Cid não resistiu.
«Eles não sabiam quem eu era*. Eu disse-lhes que era o José Cid e pedi-lhes que não me fizessem mal, porque tinha ali dinheiro», revelou o cantor ao Diário de Noticias.
«Tu cantas bué bem, mas não contes isto à polícia, senão levas um tiro».
Foi este o ultimato que os dois assaltantes fizeram a José Cid.
Os assaltantes mandaram-no deitar de bruços no banco traseiro e ameaçando-o que se falasse levava um tiro. Conduziram o carro até Almada a alta velocidade, levando o cantor a pensar que era um rapto. Depois de uma hora em pânico e depois de 500 euros a menos no bolso, José Cid pôde respirar de alívio quando a dupla de assaltantes disse que se ia embora.

(Inês Carranca, no Destak)

Levam-lhe o dinheiro e raptam-no durante uma hora "de pânico", mas não sem antes acrescentar o assustador ultimato de que ele "canta bué bem" - uma parte, aliás, fundamental nesta história - mas não o suficiente para se safar de um tiro caso diga alguma coisa à polícia. ...
...
é só de mim ou, sei lá, existem aqui uns contornos assim a atirar para o cómico?

*hummmm..... lol

Friday, January 22, 2010

Ultimamente não consigo deixar de ouvir...

Coisas que eu sei

Eu quero ficar perto
De tudo que acho certo
Até o dia em que eu
Mudar de opinião
A minha experiência
Meu pacto com a ciência
Meu conhecimento
É minha distração...
Coisas que eu sei
Eu adivinho
Sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio relógio
Mostra o tempo errado
Aperte o Play...
Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer
Na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo tá fechado
Pra visitação...
Coisas que eu sei
O medo mora perto
Das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim
Não vou trocar de roupa
É minha lei...
Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais
Depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro
Do que eu desenhei...
Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas
No meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos
Que eu não sei usar
Eu já comprei...
As vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo
Mais afundo em mim
Eu moro num cenário
Do lado imaginário
Eu entro e saio sempre
Quando tô a fim...
Coisas que eu sei
As noites ficam claras
No raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes
Eu somente não sabia...
Coisas que eu sei
As noites ficam claras
No raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes
Eu somente não sabia...
Agora eu sei...Agora eu sei...Agora eu sei...

http://www.youtube.com/watch?v=rIVFcsO_ywQ

Mesmo?

Madrid foi há 11 anos.
(Respira fundo)
É quando começamos a contar as coisas em décadas que percebemos que estamos a envelhecer. Quando achamos que tudo se passou, no máximo dos máximos, há meia dúzia de anos e, de repente, quando olhamos para a fotografia, vemos a data a corrigir-nos as coordenadas com a força de um soco no estômago.
Já passaram mesmo 11 anos?
É também nesta altura que percebemos o significado daquelas “amizades de sempre”. Das amigas que vimos crescer, com quem partilhámos os pormenores t-o-d-i-n-h-o-s do primeiro beijo, com quem falámos horas ao telefone analisando o olhar que o rapaz de quem gostávamos nos lançou no intervalo. Foi com elas que nos descobrimos enquanto pessoas, que experimentámos todas as nossas potenciais personalidades, desde estrelas de música pop, a bruxas ou aspirantes a comandar a máfia…
Fumámos cigarros às escondidas na varanda. Rimos com estátuas despidas. Fingimos não entender espanhol. Percorremos as calles ao ritmo da nossa inocência e com toda a felicidade que pode caber num sorriso de 14 anos. Cantámos Spice Girls até à exaustão.
Foi há 11 anos? Mesmo?

Friday, January 15, 2010

3 quilos de corrector de olheiras depois...

... já quase pareço um ser vivo. Quase.

O que eu queria mesmo mesmo nestes dias...

Adoro a forma como depois de espancar tudo o que lhe aparece à frente, seja com a parte de cima do guarda-chuva ou com o cabo, o senhor acaba sempre por abri-lo com o ar mais tranquilo do mundo!

Saturday, November 21, 2009

Nós fomos!!

Faltavam 40 minutos, mas já íamos trocando uns palpites no carro, enquanto percorríamos os 5 kms que nos separavam do nosso destino. A chegada dos convites, dias antes, tinha motivado MMS que nunca chegaram a ser entregues (e um telemóvel que não seja da pré-história, quirida?), SMS cheios de "lol"s e muito blablabla no café, seguido de risinhos e "aiai"s adolescentes e ligeiramente preocupantes.
Afinal, feliz ou infelizmente, não éramos as únicas pessoas a tender para a paixão ridícula por uma personagem fictícia que ainda por cima é um vampiro, naquela noite. Uma centena de pessoas esperava, de convite para a ante-estreia na mão, a abertura das portas que nos conduziriam ao aguardadíssimo, esperadíssimo, desejadíssimo, primeiro frame de "Lua Nova".
Os posters no balcão voavam, como acontece, aliás, com tudo o que é dado de graça ao português, pelo que me agarrei logo a dois, enquanto tentava equilibrar um pacote de pipocas salgadas, um ice tea, a carteira, o cartão zon e o BI nas minhas duas, muito insuficientes, mãos.
"Trouxe-te um poster!"
"Amigaaaaa!" - nada como um poster gratuito para fazer a amiga rabugenta que ficou à espera na fila ganhar um sorriso de orelha a orelha.

Para quem já leu a saga, o filme, ao contrário do que costuma acontecer, não é, de todo, uma decepção. Refeita do choque do primeiro - o Edward é ASSIM? - as personagens já nos são familiares, e a história flui muito melhor neste segundo filme, com menos intervenções de um narrador que aparecia demasiadas vezes para colmatar falhas de acção no volume 1 da saga feita cinema.
Tecnicismos à parte, o importante mesmo é: onde é que fica aquela reserva de índios-lobisomens, para eu ir lá nas férias? Triste, mesmo, quando, depois de 50 minutos de Jacob em tronco nu, o Edward tira a camisa e mostra um troncozinho raquítico, pálido e com uns pelinhos de enfeite - fica, claramente a perder, e só com muito esforço uma pessoa mantém a sua lealdade platónica a uma relação inexistente com uma personagem igualmente irreal. Mas Eddy, continuas à frente - escassos centímetros, avise-se!
O filme mantém-se fiel ao tom lamechas da história, incluindo, até, a imagem do supra-sumo dos clichés, com uma Bella e um Edward que correm pelos prados de roupinha ao vento e pele vampírica brilhando ao sol. Ridiculamente divertido e muitíssimo viciante.
Nota 10! Não, 20! A verdade é que adorámos cada segundinho do filme, por mais estúpida, irreal e melosa que a história seja - se calhar, porque ela é isso mesmo.

Posto isto, acrescento que, nos últimos tempos também li Saramago e Le Clézio. Agora não me linchem, ok?

Tuesday, November 17, 2009

O incrivel mundo da comunicação


Perfil: licenciada em Ciências da Comunicação, experiência na área do jornalismo, blablabla
Lista de vagas para possíveis empregos:
- Responsável de Recursos Humanos (ok, não é tão absurdo assim)
- Gestora de loja (hummm... avancemos...)
- Condutor de barcos de recreio (.......)


É que condutor de barco de recreio que se preze deve ser capaz de recitar Walter Benjamin, compreender o panóptico de Foucault ou, pelo menos, conseguir explicar aos senhores turistas a semiótica da Torre de Belém! E se conseguir, pelo meio, relatar tudo isto em forma de notícia - sem adjectivos nem advérbios, faz favor - está contratado!

Por isso, meus amigos, há esperança no incrível mundo da comunicação!...

Friday, October 16, 2009

Venho corrigir o meu último post. Na verdade, parece-me que tenho uma mini bolha, invisível mas palpável, no dedinho do pé. Evil shoessss!
O que eu queria mesmo, para além da paz no mundo, o fim da fome, etc etc, era ser capaz de andar um dia inteiro de saltos altos sem parecer ter sido atropelada por um camião. Porque, convenhamos, se há adereço milagroso é esse, o salto de não sei quantos centimetros que nos deixa as pernas fabulosas e nos dá um ar de personagem de uma série cosmopolita americana tipo Sexo e a Cidade, Lipstick Jungle, Máfia de Saltos Altos e afins.
Mas, verdade seja dita, não sou capaz de acreditar que esse dia venha, de facto, a chegar. É que quando alguém me diz que adooora andar de saltos, eu penso sempre que, das duas, uma: ou estou em amena cavaqueira com a irmã do Pinóquio ou então a pobre tem de ter os pés completamente fustigados por calosidades que lhes roubaram para sempre a sensibilidade nesta parte do corpo. Ou então, quem sabe, há mesmo esta espécie sortuda de mulheres que nasceu com o dom de aguentar todo o peso do corpo nas pontinhas dos pés sem sentir uma pontinha que seja de dor. Raios as partam!
E isto porquê?
Porque ontem, para uma ocasião mais formalzinha, lá calcei os meus sapatinhos lindos e amarelos, a fazer pandan com a malinha igualmente linda e amarela, e parti, feliz e confiante, pelas estradas deste belo concelho que é Oeiras. Isto até sair do carro. Porque depois, não encontrando local onde estacionar, deparei-me com a problemática falta de passeios e, entre caminhar através da rotunda, ou mergulhar na lama que a ladeava, lá optei pela lama, que suja mas não mata. E com os saltinhos amarelos espetados na lama, os pés a darem os primeiros sinais de dor, e o tempo a passar assustadoramente depressa, lá se foi a elegância e ficou apenas o instinto de sobrevivência, a gritar-me aos ouvidos: mas quem é que te disse que era boa ideia trazer os sapatinhos coquetes?
O resultado é que à hora de almoço, saindo da redacção, já quase coxeava em direcção ao carro. Cheguei mesmo a pensar que o dedinho pequenino já devia parecer uma papa de sangue quando, finalmente, arrancasse aquele sapato, ainda lindo, mas assustadoramente doloroso, do meu pé.
Não tinha sangue. Nem sequer uma mini bolha para me poder queixar à vontade. Mas os sapatos amarelos voltaram para o seu lugarzinho, de onde não sairão até à próxima ocasião formalzinha.

Mas se há coisa que não dói e também é linda de morrer são malas, e por isso, minhas amigas, eu se fosse a vocês ia espreitar o Cascaishopping nos próximos tempos, que a Telabags está a preparar uma colecção com descontos very apelativos. São ecológicas, feitas à mão e giras, giras! Se é para sofrer com a crise, ao menos sofremos com estilo - e com os pés o mais intactos possível!

Monday, June 29, 2009

Eu não estou aqui

Tenho saudades de quem sou. Ou de quem era. Tenho saudades da forma anárquica como organizava o mundo à minha volta. Como batia o pé e jurava que eu não ia ser assim. Não ia apanhar o metro a correr para picar o ponto. Não ia vestir-me de cinzento nos dias de chuva. Nunca. Queria encontrar-me, um dia destes. Lembrar-me como era sentir-me assim. Tão viva, tão certa, tão feliz.
Eu não pico o ponto. Eu não ando de metro. Eu não me visto de cinzento nos dias de chuva.
Mas, mesmo assim, não estou aqui.

Friday, June 19, 2009

Dia de fecho

Dia de fecho.
Oscila entre a loucura e a pasmaceira. Entre o corre-corre e o estar sentada durante horas, nas escadinhas, a apanhar sol, a fumar cigarros e a comer cerejas. Os dias de fecho têm cheiro. É o cheiro da tinta dos prints e plotters, dos marcadores fluorescentes a marcar notas e apontamentos nas margens, do dia que se vai transformando em noite e nós cá dentro, às vezes, no Verão quase nunca, a olhar para o ecrã, absortas das mudanças que se vão dando do outro lado da janela.
Dias de fecho são dias de cortar palavras aos textos. Às vezes parágrafos inteiros, outras vezes são textos dentro do texto que desaparecem, sem sequer deixarem vestígio de algum dia terem existido. Substituem-se palavras perfeitas por outras mais curtas. Sinónimos. Isso não existe. Isso não há.
São dias de corte e costura, de cansaço que traz olheiras, dores de costas, pescoços que estalam, olhos que ardem, zumbido nos ouvidos, roupa que cola e cadeiras que se moldam ao corpo. É a minha cadeira. E se não é confortável é porque o meu corpo não gosta do seu próprio molde. Culpa dele.
Dia de fecho é de “boa sorte”, de “escreveste tanto!”, de “não podemos aumentar um bocadinho a caixa de texto?” de bateres de pestanas suplicantes, vitórias às vezes, derrotas muitas mais, um “uffa” no fim antes da próxima guilhotina. São dias de isqueiros que flutuam entre nós, emprestados, perdidos, não tem dono? ah, é meu!, e o meu isqueiro? – is...quê? Viagens à máquina para ver os snacks que ainda estão dentro do prazo e depois esmurrá-la quando eles não caem, de ir à Maria Delícia comer uma fatia de bolo de bolacha, de arrumar a secretária que ficará novamente caótica na semana seguinte.
Dia de fecho – como é que alguém pode viver isto todos os dias?!

Thursday, June 18, 2009

A Morte Melancólica do Rapaz Ostra e outras estórias

Depois de mais de um ano de ausência "emprestada" ele voltou. Tão brutalmente imperfeito como antes :)

The Melancholy Death of Oyster Boy (de Tim Burton)



He proposed in the dunes,

they were wed by the sea,

Their nine-day-long honeymoonwas on the isle of Capri.

For their supper they had one specatular dish-a simmering stew of mollusks and fish.And while he savored the broth,her bride's heart made a wish.
That wish came true-she gave birth to a baby.

But was this little one human

Well, maybe.


Ten fingers, ten toes,

he had plumbing and sight.
He could hear, he could feel,but normal?

Not quite.

This unnatural birth, this canker, this blight,

was the start and the end and the sum of their plight.


She railed at the doctor:

"He cannot be mine.
He smells of the ocean, of seaweed and brine."


"You should count yourself lucky, for only last week,

I treated a girl with three ears and a beak.
That your son is half oyster
you cannot blame me.
... have you ever considered, by chance,
a small home by the sea?"


Not knowing what to name him,

they just called him Sam,
or sometimes,
"that thing that looks like a clam"


Everyone wondered, but no one could tell,
When would young Oyster Boy come out of his shell?


When the Thompson quadruplets espied him one day,

they called him a bivalve and ran quickly away.

One spring afternoon,
Sam was left in the rain.
At the southwestern corner of Seaview and Main,
he watched the rain water as it swirled
down the drain.


His mom on the freeway


in the breakdown lane
was pouding the dashboard

-she couldn't contain
the ever-rising grief,

frustration,
and pain.


"Really, sweetheart," she said



"I don't mean to make fun,


but something smells fishy


and I think it's our son.


I don't like to say this, but it must be said,


you're blaming our son for your problems in bed."


He tried salves, he tried ointments



that turned everything red.


He tried potions and lotions


and tincture of lead.


He ached and he itched and he twitched and he bled.


The doctor diagnosed,

"I can't quite be sure,

but the cause of the problem may also be the cure.

They say oysters improve your sexual powers.
Perhaps eating your son
would help you do it for hours!"


He came on tiptoe,

he came on the sly,
sweat on his forehead,
and on his lips-a lie.


"Son, are you happy? I don't mean to pry,
but do you dream of Heaven?
Have you ever wanted to die?


Sam blinked his eye twice.

but made no reply.

Dad fingered his knife and loosened his tie.


As he picked up his son,

Sam dripped on his coat.

With the shell to his lips,
Sam slipped down his throat.

They burried him quickly in the sand by the sea
-sighed a prayer, wept a tear-
and they were back home by three.

A cross of greay driftwood marked Oyster Boy's grave.
Words writ in the sand
promised Jesus would save.


But his memory was lost with one high-tide wave.

Wednesday, June 17, 2009

Condutores, juntem-se a mim num boicote aos piiiiii

Há um teste na internet que nos permite “descobrir” quando e de que morreremos. É um teste na internet – o que, desde logo, diz muito sobre a sua fiabilidade. E tem como objectivo prever o futuro – outra das suas características levemente dúbias. Mas, de qualquer forma, há quem o faça. Eu não. Nem a brincar quero saber quando e como vou morrer. Por mais estúpido que seja.
Eu sei aquelas coisas de que, eventualmente, me terei de separar se quiser viver mais uns anos – isto tendo em conta a simples lei das probabilidades. Dizer adeus ao LM Azul no fundo da mala, por exemplo. Não mandar sms enquanto conduzo também pode ser uma boa medida a tomar. Começar a baixar a cabeça quando passo debaixo dos sítios – cada vez mais me apercebo de que ser baixa não equivale a ser invisível e que bater com a cabeça dói. Mesmo. E, num dos primeiros lugares da lista, com direito a néons coloridos em redor: começar a controlar a hipertensão na estrada. Acho que é um dos melhores sítios para “medir” uma pessoa. Há os que esperam estoicamente na fila, debaixo de 30 graus, para avançar dois metros após meia hora de espera, segundo um princípio qualquer de justiça e respeito pelo próximo – como eu. E aqueles que avançam, felizes e contentes, pela faixa da esquerda, para se enfiarem novamente na direita como se tivessem alguma espécie de direito supremo a passar à frente. E há, claro, os que deixam, encolhem os ombros, lá dão espaço. E os outros que vão o caminho todo colados ao da frente, quase sempre a um milímetro de bater, a espreitar pelo espelho para ver se alguém vem aí a tentar enfiar-se num espacinho deixado ao acaso, que buzinam, reclamam e encolhem os ombros abanando a cabeça quando lhes pedem para passar e tremendo de raiva quando alguém (piiiii), os (piiiiii) deixa mesmo (piiiii) passar. Eu sou destes últimos. Do tipo que gostava de criar uma associação nacional contra os anormais na estrada. “Se ninguém os deixar meter-se eles desistem!”, argumento, de olhos sempre fixos no próximo carro que procura roubar o lugar que durante meia hora ou mais lutei para manter. O que me transforma na pior companhia de sempre para atravessar a ponte 25 de Abril, por exemplo. “Chega-te já à frente! Não! NÃO! Não o deixes passar! PORQUÊÊÊ?!” Mas eu acho que não sou eu que tenho o problema. Se calhar exagero, ainda admito isso. É que, repito, se nenhum de nós acedesse a colaborar com os condutores que consideram o seu tempo mais valioso que o nosso, e que ainda se gabam de nunca esperar nas filas, se calhar a coisa mudava um bocadinho. Mas não. Ficamos dentro do carro a suar, civilizadamente. Avançamos na fila, civilizadamente. E deixamo-nos ultrapassar, civilizadamente. Ninguém está para se chatear...

Friday, May 15, 2009

As oito coisas que quero fazer antes de morrer

Não é que esteja com tendências trágicas ou suicidas. A vida até corre bem e já há sol suficiente para andar de chinelinho no pé e arriscar um gelado ao lanche sem ter medo de morrer de gripe a seguir. Mas eu sou lá moça de recusar um desafio, ainda por cima tão persuasivo (grande poder de persuasão, Alê) como o que a minha Alecas fez no seu La Dolce Vita!
Vai daí, pus-me a pensar nas oito coisas que quero fazer antes de morrer.

1. Ganhar o Nobel da Literatura (ou, numa versão mais realista, conseguir enfiar qualquer coisa escrita por mim nas prateleiras da Fnac)
2. Estar despreocupadamente a ver o Jornal Nacional enquanto como o jantar e descobrir que ganhei o Euromilhões! (ou, numa versão mais realista, receber a herança da tia milionária que nunca conheci mas que tenho a certeza que existe por aí!)
3. Dar a volta ao mundo com a minha filha. De barco. A motor.
4. Aprender pelo menos mais 3 línguas (a minha aposta iria para o árabe, o russo e o mandarim)
5. Escrever a notícia da descoberta da cura do cancro ou da Sida, da invenção da máquina do tempo, do fim da guerra, da fome e da miséria em todo e qualquer cantinho do nosso mundo.
6. Escrever um poema num sítio qualquer onde o tempo não o consiga apagar, por exemplo debaixo de uma pedra de um monumento, para ser descoberto por alguém centenas de anos depois - de preferência por uma menina de tranças e corda de saltar atrás
7. Ter uma carrada de netinhos para lhes contar histórias -e para, já agora, massajarem os pés da avózinha quando estiver cansada :P
8. Morrer feliz com tudo o que fiz, com todos os que conheci, com tudo o que sonhei, inventei e amei e resignada com aquilo que não tive tempo e oportunidade para fazer, sem arrependimentos.

É melhor começar a mexer-me.
Já.

Wednesday, April 15, 2009

Por enquanto... "Heil Magalhães"

Olhei o caixote de cartão com alguma desconfiança. Meses de espera tinham-me trazido, finalmente, o famoso - por uns aclamado, pela maioria apupado -Magalhães. A caixa, branca e azul, mostrava dois miúdos sorridentes, sob o slogan "Em cada criança há um descobridor". A minha filha gritava, feliz da vida, que tinha um computador só para ela, e eu rezava, baxinho, para que o computador passasse no primeiro teste: se ligasse, eu já ficava minimamente satisfeita.
Abrimos a caixa: um simples facalhão de cozinha bastou, fortalecendo a esperança de que a missão "Pôr o Magalhães em acção" ia ser tão fácil como "roubar doces a uma criança" - o que, verdade seja dita, não é nada fácil e só alguém que nunca tenha tentado "roubar doces a uma criança" é que podia ter inventado isto.
Depois disto, foi fácil. Básico mesmo. Senti-me quase tentada a acreditar que as criancinhas mais velhas até eram capazes de o fazer sozinhas: cabo de alimentação no pc e na tomada, toca a ligar o pc, instalar windows "aceito, seguinte, seguinte, seguinte" e voilá, o mighty Magalhães já bombava na minha cozinha.
Aparentemente, e só com umas quantas horinhas de teste, tudo funciona. Ainda não explorámos todos os jogos, mas, do que vi, a nossa versão - perdão, a versão da Didi - já tem os erros ortográficos corrigidos e tudo corre na perfeição.
Afinal, o computador até é resistente às quedas - segundo dizem - é verdadeiramente portátil - mini mini portátil - e custou menos que um par de sapatos. Por enquanto (e só por enquanto) eu digo "Heil Magalhães!"

Tuesday, April 14, 2009

Abril, águas mil

Ainda que as mutações climáticas nos façam usar tops de alças e havaianas no Inverno, há coisas que ainda se mantêm. Como o tal ditado que diz que em Abril, águas mil. Mil águas contra o meu carro logo pela manhã, mil carros cheios de condutores enfurecidos/cegos pela chuva que acendem e apagam piscas, que atravessam duas faixas de cada vez, que seguram cigarros encharcados do lado de fora da janela (?) e buzinam com paixão, assinalando a sua existência.

É bom saber que há coisas que não mudam.

Thursday, April 02, 2009

Tinha essa mania de contar sempre as coisas dos outros como se se tivessem passado com ele. As dores, as mortes, as alegrias, as zangas, os perdões. Ele próprio morria, vezes sem conta, nas palavras arrastadas que lhe escorriam dos lábios nos fins de tarde no alpendre. Os olhos apressavam a esconder-se sob as pálpebras, quando finos fios de lágrimas lhe chegavam ao queixo. Já tivera mil profissões, mascaradas sob o chapéu de palha meio rasgado pelo tempo. Fora contador de suspiros, guardador de segredos, construtor de constelações. Esta última, a mais difícil, provocara-lhe um coxear da perna esquerda quando uma noite, distraído, se deixara cair do enorme escadote em que se empoleirava para chegar ao céu. Não o negávamos nunca - as verdades dele não eram propriamente as nossas, mas isso não as tornava mentiras. Eram verdades que nasciam daquela hora única no dia, quando a noite se começa a desfazer em retalhos de luz e os sonhos se diluem nos sons do despertar. Não eram sonhos, porém. Eram verdade mesmo, e ele corria a casa, coxeando, para trazer o grande baú de madeira onde, durante anos, guardara os segredos dos outros, fazendo prova do que dizia.
Nós sorríamos - o que interessava a lógica e o bom senso? Quem queria saber da física, da medicina ou de qualquer outra ciência exacta, quando aquelas palavras nos embalavam os pores do sol? Deixávamo-nos ficar, estendidas sobre a madeira quente do alpendre, a trincar as maçãs roubadas à terra, e desenhávamos com as palavras novas profissões para nós: plantadoras de sonhos, pescadoras de sorrisos, lavadoras de almas. E, quando finalmente a lua surgia, ele levantava-se em silêncio e voltava a casa. Sozinho, emudecido, sem se despedir, cruzava a porta sempre aberta e desaparecia por entre a escuridão espessa que enchia o corredor e se lhe agarrava à pele. Nunca houve adeus entre nós. Nem sequer um até logo, um até já ou um até amanhã. Éramos tão livres quanto as ervas daninhas que cresciam nas traseiras da casa. Livres ao ponto de nunca dizer adeus. Tão livres quanto algum ser pode ser.

Thursday, February 19, 2009

A "crise"

A crise é horrível. Lemo-la nos jornais, nas caras das pessoas quando contam os trocos para pagar as compras, na conversa do amigo do amigo que perdeu o emprego. Até aí, a crise é horrível, mas podemos com ela.

Depois, a crise chega até nós. Assim, quase sem aviso, uma estalada de realidade de que leva tempo até nos recompormos. Já não é só horrível: é chocante, difícil de acreditar. Olhas para ela de frente e, mesmo assim, não a reconheces: é como um furacão que torna tudo disforme e esbatido e que, num instante, destrói aquilo que davas como quase certo. Pela primeira vez, sentes medo a sério da "crise". Essa palavra escarrapachada em todos os jornais que já se tinha tornado tão parte do teu dia-a-dia que quase a esquecias. Pensas no que podes fazer e sabes que, em todo o mundo, milhares de pessoas estão a pensar exactamente o mesmo que tu: e agora?

Há uns meses ouvi, na rádio, um homem que falava de todas as crises pelas quais já tinha passado ao longo da vida - e sobrevivido. E, nessa altura, senti que havia esperança. Naquela voz tremida pela idade não havia medo, nem necessariamente coragem. Havia sabedoria. Aquele tipo de coisas que julgo que só se aprendem mesmo com a experiência e os anos. Aquelas coisas que, depois de as escutarmos pela primeira vez, são uma espécie de âncora que procuramos nos momentos difíceis. Palavras que vêm trazer à alma o aconchego que falta nas antigas certezas do dia-a-dia.

E eu acredito tanto em nós.

Monday, January 19, 2009

Dias mais ou menos

Há dias maus. Ou dias mais ou menos, vá. Em que só queríamos a cama, uma tarde de cinema típica de domingo com as comédias de sempre a passar em dose de elefante, o pijama de flanela e o aquecedor na potência máxima, só desta vez, porque até nos preocupamos com o consumo de energia e o fim do mundo.
Nestes dias, ou temos a coragem de nos atirarmos pelas escadas e, assim, sermos forçados a ficar em casa (ora, bolas!), ou, como o comum dos mortais, arrastamo-nos entre as torradas e o café com leite, a escova dos dentes e o casaco, e enfrentamos a chuva, o nevoeiro e o frio como bravos guerreiros vikings.
Mas também há dias de vacas na Praça de Espanha. Quando conduzimos quase em piloto-automático, alguém ao nosso lado grita: OLHA UMA VACA! e nós esperamos, a qualquer momento, embater com uma tonelada de manchas pretas e brancas. (quanto pesará uma vaca? google: "peso vaca" - cerca de 400 kgs) Afinal, não há embate. Quatro ou cinco vaquinhas limitam-se a pastar em plena Praça de Espanha, num metro quadrado de relva, à chuva e sob os gases dos tubos de escape dos carros que abrandam para espreitar estes espécimes raros na capital.
É nestes dias que a minha secretária excessivamente desarrumada (a mais desarrumada da área, já conferi) me irrita ao ponto de quase acreditar que alguém a desarruma todas as noites só pelo gozo de me chatear. Os jornais com 3 meses empilhados à esquerda parecem-me apenas potenciais formas de atear um fogo e as migalhas das bolachas que acabei de comer são motivo suficiente para dar um raspanete à senhora das limpezas que saiu daqui há uma hora...
Nestes dias mais ou menos, tudo o que eu quero é chegar a casa, tirar as botas, afundar-me no sofá e fingir que passei o dia inteiro assim. Mas, assim, não tinha visto as vacas e tinha perdido o acontecimento da semana em Lisboa...

Thursday, January 15, 2009

Sinfonia da melancolia

Passos.
Uma última palavra esvoaçante entre os braços.
Uma só, depressa
antes que, de repente, alguém apareça!
Antes que a luz descubra, por completo, os prédios e as casas
em frente dos quais as palavras se tornaram gestos
e os gestos ganharam asas.
Antes que o coração desta terra volte a bater
e a gente encha as ruas, caminhando sem se deter.
Sacos nas mãos, saltos nos pés, sonhos guardados
- quando é que nos tornámos tão estranhos e errados?
Antes que as pontes ameacem ruir,
e ninguém pare para as ver no momento de cair.
Antes que os destroços de pedra se misturem com os destroços de nós
e que o ruído de mil passos nos abafe e cale a voz.
Quando?
Quando é que cegámos por completo?
Cidades inteiras perdidas em cegueiras que passam por um defeito discreto.
Quando é que nos tornámos tão sós?
Quando é que todos os outros passaram a ser tão diferentes de nós?
Não são passos que escuto em torno de mim:
é a sinfonia de uma inteira melancolia feita de notas que são as gentes assim.





Thursday, January 08, 2009

Richness For Dummies




"There's plenty of money out there. They print more every day. But this ticket, there's only five of them in the whole world, and that's all there's ever going to be. Only a dummy would give this up for something as common as money. Are you a dummy?"

(Grandpa George em "Charlie and the Chocolate Factory", 2005)






Thursday, November 20, 2008

Pornografia Infantil, NÃO

Se o Bush criou o Eixo do Mal com países, os bloggers também podem renovar o conceito. Porque jamais o Mal (assim com maiúscula) foi exclusividade de uma nação, uma raça, uma língua ou uma religião. Essa coisa do Mal existe nos indivíduos, e nunca saberemos ao certo se resulta de uma distorção cerebral, ou de uma alma defeituosa. Ok, podre.O que sabemos é que o esse Eixo passa por estas palavras: angels, lolitas, boylover, preteens, girllover, childlover, pedoboy, boyboy, fetishboy ou feet boy.São os termos mais usados na pesquisa de pornografia infantil. Hoje a blogosfera adere a uma campanha para trocar as voltas a quem escreve estas palavras nos motores de busca. O objectivo é "entupir os motores de busca com os nossos posts para que no dia de hoje, o dia D, este crime tenha uma barreira a mais".Para mais esclarecimentos ir a http://margemdeerro.blogspot.com/2008/11/pornografia-infantil-no.html"Porque os blogs não têm de ser só “diários egocêntricos”.

( O Ponto do i)

eu junto-me. E tu?





Wednesday, November 12, 2008

Crescemos

Estamos a crescer. É irreversível, inegável, incontrolável. É o ciclo da vida, aquele de que fala a música do Rei Leão quando o pequeno Simba é balançado no topo do precipício pelo macaco mágico. Aos poucos, todos deixamos os livros para trás e afundamo-nos nas nossas cadeiras de rodinhas com que vaguemos, distraídos, por algum escritório. Às vezes, e é estranho, somos tratados pelo apelido. Dão-nos apertos de mão e tratam-nos por você. Nós comportamo-nos como vimos os crescidos fazerem. Às vezes. Ousamos um rodopio quando ninguém está a olhar, cantamos no corredor do supermercado em voz baixa, rabiscamos bonecos numa folha de papel quando temos uma conversa "séria" ao telefone.
Alguns de nós já tiveram filhos - eu sou mãe! Outros já compraram casas e discutem a pintura das paredes e as taxas euribor e coisas do género! Outras já têm um vestido de noiva guardado e vestem-no de vez em quando, enquanto dançam à frente do espelho. E ele já serve, não sobra nas mangas, os sapatos não caem quando tentam andar!
A maquilhagem fica-nos bem. Os saltos altos assentam-nos nos pés sem nos fazerem parecer despropositadas. A chave do carro, pronta a levar-nos até ao fim do mundo, fica tranquila, sobre a mesa, quando bebemos café.
Falamos dos empregos e, às vezes, tudo parece um filme. Tenho atrás de mim o mesmo cenário onde confessei o meu primeiro beijo, onde combinámos uma ida às matinés do Bauhaus (até à meia noite e com direito a dez sumos - o auge!), de onde partimos, a pé, para fugir a uma aula e dar um mergulho no mar do fim de Junho. E as mesmas pessoas - nunca nos apercebemos de como crescem aqueles que vemos quase todos os dias - que, para mim, continuam iguais.
Nós somos iguais. Só que mais crescidos... não é?

Thursday, November 06, 2008

madrugada

Quando o mundo adormece,
eu paro para ver.
Gosto de ser a única acordada
e saber
o que mais ninguém sabe,
e ter,
o que mais ninguém tem:
as cores que despertam, aos poucos, na rua.
As sombras bruxuleantes que dançam sob os candeeiros,
o cão que, coxeando, se arrasta para um canto.
O carro onde alguém suspira por alguém.
A estrela a que parece faltar uma ponta,
o baloiço onde se escreveram iniciais dentro de um coração,
a dançar, devagar, ao ritmo do vento.
Dum sentimento,
Dum momento
que ali se fez eterna música
que me murmura nas madrugadas.

Wednesday, November 05, 2008

Não importa que não faça sentido. Lançamos seixos à água na esperança de os ver saltar.

Monday, November 03, 2008

quando é outono

A areia fina entre os dedos, como quem traz fotografias. O cheiro a mar nos cabelos, como quem traz palavras escritas num guardanapo de papel. A pele onde o sal secou, como quem traz um sorriso prestes a surgir. As roupas ainda húmidas, como quem traz um segredo no bolso de trás.

Já tenho saudades da praia.

Wednesday, October 29, 2008

O incrível poder das telefonistas

Após mais uma dezena de telefonemas feitos para a central de táxis, dei por mim a imaginar o tipo de formação que as telefonistas devem receber a início. É que não é fácil uma pessoa demonstrar de forma tão elucidativa o quanto a aborrece falar com outra. Aqueles suspiros tão prolongados que estou sempre à espera de as ouvir cair para o lado, roxas, com falta de ar. Aqueles "hum hum" pronunciados pelo nariz (e imagino-os sempre a escapar das narinas com o fumo cinzento de um cigarro comprido e fininho) que nos dizem "não te estou a ouviiiir". Quantas horas de treino implicará toda esta aparelhagem de que é dotada cada telefonista? Quantos dias serão precisos até serem capazes de fazer com que nos sintamos a pessoa mais irritante à face da terra? Às vezes, quase que nos temos de desculpar por ligar.
- Mas isso é ao pé "daonde"?
- Olhe, eu não sei, só tenho a morada
PFFFF (mistura de suspiro com baforada de touro enraivecido)

Felizmente, as centrais de táxi ainda não implementaram as videochamadas, porque aí, meus amigos, tudo será muito pior. Desde olhares desdenhosos a abanares de cabeça milimetricamente estudados para nos fazerem sentir mais do que envergonhados por não sabermos de cor e salteado onde fica a Rua Nossa Senhora das Cabaças e ainda ousarmos (ousarmos!) pedir um táxi para nos levar lá.

E, quando alguma é simpática, aposto que deve ser imediatamente espancada, mal desliga o telefone! Afinal, há limites para tudo!

Wednesday, October 01, 2008

O hippie que gostava de lucky strikes...

“É strike. Como o Lucky Strike mas sem o Lucky: é assim que se diz greve em inglês.”
Desligou o telefone. A frase fez-me olhar outra vez para ele: de cabelo comprido, barba, bigode, óculos de sol à John Lennon. Um hippie com os seus cinquenta anos que ensinava greves em inglês pelo telefone, auxiliando-se de uma marca de tabaco, enquanto conduzia o táxi pela A5. No rádio tocava música clássica: ele ia tamborilando os dedos sobre o volante, num teclado invisível.
Pensei como seria há trinta anos. E como o seu passado se parecia reflectir no seu presente. Quase todos os hippies ficaram nas fotografias. Enterrados em baús de calças à boca de sino e camisas coloridas. Um bilhete de um concerto, alguns discos, pedaços de poemas escritos em pacotes de açúcar.
Queria perguntar-lhe como era o mundo quando ele tinha 23 anos, como eu. Que mais palavras se faziam a partir dos maços de tabaco: King’s, Double Happiness, Silk Cut... E desejar-lhe que a sua strike também fosse cheia de sorte, como a do maço de tabaco.

Mas limitei-me ao bom dia, depois de pagar.

Thursday, September 11, 2008

Só para vos dizer...

Há uma nova voz nessas ondas que enchem o céu, entopem os rádios, inundam os carros no trânsito. Sim, sou eu. Na TSF, às quintas-feiras, às 9h45. Vamos ouvir e rir!

Eu garanto que me rio sempre. Gargalhadas mesmo, quero buzinar e convidar os carros ao meu lado para fazerem o mesmo! Aquele "Laura Patrício", tão sério, tão crescido, ainda me parece uma brincadeira. E depois as palavras que no dia anterior foram gravadas entre gargalhadas e súplicas de oxigénio, frente a um microfone maior que a minha cara.

E então sigo, com o maior sorriso que os músculos faciais me permitem, como se estivesse num filme francês!

ahhhhh... :)

Saturday, August 30, 2008

Quando for grande

Um dia, quando for grande, vou voar.

Acredita.

Sunday, August 24, 2008

nunca ninguém sabe de mim

Perdoa-me o jeito meio sem jeito com que às vezes me expresso. É o tempo que me enrola os sentidos e me despe de sensibilidade e tacto. Não ligues às cores que não ligam umas nas outras, aos rasgões com que se enche o quarto, à desordem que se instalou em mim: eu sou meio assim, meia sem jeito, meia feita do nada. Esquece a menina das fotografias, tranças seguras em fitas vermelhas, sorriso manchado de gelado, um brilhozinho de cinema a espreitar no canto do olho: não sei dela. Procurei-a nos becos e nos bancos de jardim, liguei para os hospitais, para a polícia, li anúncios de jornais, e nada... é sempre assim:

nunca ninguém sabe de mim.

Monday, June 16, 2008

Hoje

Hoje pedi pela primeira vez um carro de aluguer completamente sozinha.
Hoje discuti o meu primeiro salário, que não chegou à conta porque andava perdido por ai numa realidade virtual qualquer...
Hoje saí de casa de sandálias e voltei a correr para calçar botas porque estava a chover. Quando cheguei à redacção estava sol.
Hoje sentei-me na esplanada à espera da minha amiga Inês para almoçar e congratulei-me por conseguir guardar um lugar tão disputado. Quando acendi um cigarro começou a chover.
Hoje raptei a ventoinha do editor e deixei que as duas hélices tipo saco de plástico fingissem que me arrefeciam.
Hoje descobri que o meu Banco pensa que sou menor, apesar de ter feito os 18 há mais de 5 anos. Além disso, também parecem pensar que sou um homem, visto que me dão sempre o título de Senhor.
Hoje liguei a uma amiga só para saber se ela estava bem e para ouvir uma voz familiar que me dissesse que sim, que está tudo bem.
Hoje fiz as palavras-cruzadas e descobri que Escavar não é Cavar: é Minar.
Hoje ouvi Svensson, o músico sueco que morreu a fazer mergulho, e pensei que às vezes morremos da forma mais inesperada. Sempre.
Hoje escrevi duas vezes no blog, o que não acontecia há meses.
Hoje olhei muitas vezes para o desenho da minha filha, ao lado do computador, em que tenho pernas que parecem chouriços e seguro um balão com um coração: pensei que as crianças são os seres mais perspicazes do mundo.
Hoje combinei as minhas primeiras férias de trabalhadora e reservei a minha primeira quinzena de liberdade: soube a mundo de crescidos.
Hoje respeitei o meu direito ao silêncio quando me apeteceu gritar e isso fez-me sorrir.
Hoje foi só mais um dia. Imaginei o que poderia escrever de uma vida inteira. Isso fez-me feliz.

Apesar de tudo

Apesar de tudo, há um sorriso quando a FCSH vem à conversa.

Seja com antigos colegas, recordando nomes sonantes que começam por M e acabam em ão (e pelo meio têm -our), ou ainda aquele que tinha nome de vila...
Seja com os senhores da central de táxis que se riem quando dizemos Faculdade de ciências sociais e humanas e dizem: "Ah, a novaaaa!" (o que é um pouco assustador, na verdade).
Seja com outros jornalistas, saídos das primeiras fornadas de licenciados em CC, que recordam semiótica com um sorriso que prova que não tiveram o prof que começa em M e acaba em ão (e que tem o tal -our a meio).

Críticas e censuras à parte, somos da Nova. Somos, para sempre, dessa universidade em que há uma população imensa de góticos e dreads que partilha o espaço da esplanada, em que há shows de reaggae espontâneos e mitos urbanos sobre alunos em pânico que se atiram das escadas (vá, confesso, este último foi mesmo criado por mim). Somos dessa "casa" em que os elevadores funcionam mal e quando funcionam às vezes param e deixam 20 pessoas do sexo feminino à beira de um ataque de claustrofobia à medida que se vão apercebendo que ninguém as vem salvar. Esse sítio onde as baguetes são sempre alternativa à cantina dos ricos e à dos pobres. Dizem que somos esquisitos (quantas vezes a frase, dita por alguém que me acompanhava à faculdade: "bem, a tua faculdade tem bué pessoal esquisito!") e nós encolhemos os ombros e sorrimos. Há a casa das cópias, as casas de banho de tectos inclinados e sem luz, os horários remexidos 50 vezes antes, a meio e depois das inscrições no início do ano lectivo, uns galos (sim, os animais, maridos das galinhas, pais dos pintinhos...) que nunca cheguei a ver mas que me garantiram que existem, de facto. Nós somos isso tudo, sim. Somos os tais que levaram com semiótica, pragmática e outras disciplinas com nomes de código e que superaram tudo isso.

É por isso que podemos dizer mal dela. Não é assim que funcionam as famílias? Nós podemos acusar, criticar, apontar o dedo. E se os outros decidirem atacá-la talvez alguns de nós se levantem em sua defesa.

Apesar de tudo (e este tudo é tão grandeeee).

"É orgia, é bacanal
é comuni-
é comunicação social"

Sunday, June 15, 2008

Ela

É mais fácil escrever sobre personagens imaginárias que sobre nós próprios. Os seus actos nunca vão além do papel, as suas palavras não podem extravasar a tinta de que são feitas, mesmo quando ressoam dentro do leitor que se esforça por lhes descobrir o ritmo certo, o sotaque adequado, a forma como os lábios terão pronunciado aquele último som. As personagens nunca morrem: adormecem para acordar, vezes sem conta, na memória de quem as conheceu. Ressuscitam de cada vez que alguém abre a primeira página do livro e lê: "Ele não sabia ler, nem escrever, mas aprendera que as coisas tinham nomes e que os nomes eram das coisas". É por isso que a minha vida está cheia de eles e elas, os e as, aquele e aquela. Ela sabe, sente e atormenta-se. Ela vive e a sua energia está espalhada em cada letra da sua (tua? minha?) fisionomia.

Não costumo chorar com os livros. Era a melhor forma de começar, mas seria mentira.

Ela não costuma chorar com os livros. Eles choram-na a ela, deitam-lhe lágrimas grossas sobre o rosto, carregam-lhe a garganta de alguns soluços. É raro, mas quando acontece ela deixa que eles a chorem toda, de uma vez, com o ar a atropelar-se entre os lábios e olhos turvos que impedem que veja a próxima palavra. Esforça-se por voltar a ver, ler, ser. Esforça-se por compreender. Abana a cabeça e suspira. Termina num só sopro: em vez de ler, devora. Come as palavras depressa e, tal como acontece com o comum guloso, sente-se mal disposta a seguir. Há um vazio feito de imensidão dentro dela, sente-se cheia de palavras, há letras que se acotovelam e sons que se sobrepõem como garras de metal. Emoções que se esmagam (do sim e do não, do bom e do mau), um medo que consegue filtrar os sonhos e que atormenta o sono.
Quando um livro é realmente bom, ela sabe que ele viverá para sempre num cantinho do seu ser. Que há frases sublinhadas que vai querer tatuar na pele, embora nunca o venha a fazer. Que há expressões que vai querer saborear todas as manhãs e outras que por mais que tente nunca a deixarão em paz. Que há um descompasso no coração que se deve a cada palavra que decorou, a cada personagem que amou e a cada descrição que foi capaz de ver com os olhos fechados.

Ela não costuma chorar com os livros. Eu sim.

Friday, June 13, 2008

O Sexo, a Cidade e a Aldeia (sim, as aldeãs também têm direito à vida)

Era completamente necessário. Absolutamente indispensável. Totalmente essencial. Ver “O Sexo e a Cidade” no dia seguinte à estreia era mais que uma forma de passar um bom momento: era uma questão de honra para quem cresceu a ver as quatro New York chicks (agora mais crescidinhas) desde a primeiríssima série.A geração dos 20 e poucos, a nossa, tem uma relação engraçada com elas. Suponho que a dos 40 também: afinal, cresceram juntas, lá foram aprendendo juntas e juntas descobriram pecados com nomes próprios – Jimmy Choo, Manolo, Prada...Nós, as dos 20 e picos, começámos a ver “Sex and the City” quando ainda não sabíamos o que era um nem o outro. Tudo era absolutamente encantador: a Carrie a assobiar para os táxis, os Cosmos que acompanhavam os detalhes mais sórdidos, a ingenuidade da Charlotte, quase tão grande como a nossa, as lágrimas, e lágrimas e lágrimas que se seguiam a cada ruptura com o Mr. Big...Sentámo-nos, armadas de pipocas e garrafas de água. O momento pedia sapatos de salto alto, agora que já temos idade para tal, micro-vestidos e talvez os famosíssimos Cosmos para acompanhar. Limitámo-nos aos jeans, tops, casaquinhos de malha... estamos em Oeiras e NY fica a alguns quilómetros (uns poucos...) de distância. Rimos, aguentámos as lágrimas, aceitámos o final mais que previsto: como não? Poderia acabar doutra forma?A pergunta, mais que típica, paira no ar: afinal, qual das protagonistas do Sexo e a Cidade é mais parecida connosco? Não haverá um bocadinho de todas elas em todas nós? Mas claro que sim! Só que há sempre uma que nos diz mais e fazendo a prova dos nove, tal como a Ale (www.l-d-v.blogspot.com), havia que tirar as dúvidas. Um quizz na net era a prova irrefutável (afinal, haverá algo mais científico e objectivo?): “your answers peg you as a Carrie-type, much influenced by the Air Sign qualities, associated with Gemini...”- e não é que até no meu signo acertaram?

Wednesday, June 04, 2008

A minha vida dava um filme indiano

Ok, talvez um indiano não, porque geralmente há sempre pessoas a dançar nesses filmes, com o taj mahal como pano de fundo, e tudo o que eu poderia oferecer eram bailaricos com o areeiro ao fundo e drogados a cruzarem as ruas a venderem pensos e lenços de papel.
Se calhar a minha vida dava mesmo era um musical: cantoria não falta, no carro, ao pc, mesmo durante a hora de almoço, indo contra todas e quaisquer regras de etiqueta!
No fundo, no fundo, eu acho mesmo é que a minha vida dava um drama. Ou uma comédia. Porque perder os documentos do carro no dia em que os recebi é mau. Ser parada pela polícia pela primeira vez em 4 anos precisamente nesse dia é pior ainda. Mas ser parada pela segunda vez (em quatro anos, não se esqueçam), e apanharem-me a falar através de aparelho sonoro durante o momento de condução do veículo... isso é VOODOO! Começo a considerar, seriamente, consultar uma bruxa, uma vidente, alguém com ligações místicas e poderosas a esse mundo do invisível.
E eu pergunto, no topo da minha pureza, quem me poderia desejar mal?...

Saturday, April 19, 2008

Ma, la, ca, sa

Pensava que me tinha esquecido de como se fazia. Disparate, estava tudo lá, as instruções escondidas a um recanto da memória com o aviso "Utilizar em caso de necessidade". Era só fazer como dantes, limpar o pó que cobria as pontas dos dedos, resgatar o cabelo ao seu descontrolo no alto da cabeça e estalar os dedos, como sempre, na busca da sílaba perfeita. O ma, o la, o ca, o sa... direitinhas, enfileiradas, escorrendo gota a gota pelos lábios ainda destreinados. A voz não era a minha: era aquela, a de sempre, a das noites sem horas e dos dias sem término previsto. Era a doce melancolia quem se escapava, novamente, por entre os portões da história do meu ser. E deixei-a dançar toda a noite, até lhe doerem os pés, até lhe pesarem as pernas. Rodopiou, saltou, bailarina desengonçada em caixinha de música anciã. Se a chuva caía lá fora, ainda melhor. Ainda melhor porque o sol nem sempre tem razão e naquele dia a chuva era o compasso alterado das minhas explicações. Não sabemos porquê, mas ela sim. Ela chove sempre por e para alguém, mesmo para aqueles que ainda ou já não são. Sem guarda-chuva, sombrinha nem nauseabundos tectos artificiais para me separar do mundo. Tudo se dilui nessa água inicial, tudo se compõe e estala em sinfonia. Dos pés com raízes que não vemos (elas estão lá, inscritas nas linhas que os tatuam à nascença) à cabeça de humano artifício, funde-se a luz com a cruz, a negridão com a compreensão, e somos, enfim, filhos das nossas próprias mãos.

Wednesday, April 16, 2008

Cinderela do mundo

Vá, eu confesso: há aqui qualquer coisa que mudou. E não foi a disposição das prateleiras nem a cor da colcha na cama. Fui eu. Euzinha, que de mim não enxergo mais do que os pés e as mãos, e costumo enfrentar o espelho de sobrancelha erguida, desconfiada: "mas quem és tu que és eu?" (são trocistas os espelhos, limitam-se a responder sempre o mesmo, no mais puro silêncio, e a repetir, ad infinitum, aquilo que lhes perguntamos...).
Às vezes queremos tanto mudar que, sem nos apercebermos, ficamos cada vez mais parecidos com nós mesmos. Outras, estamos tão distraídos, que a mudança acontece e pensamos que foi o mundo que mudou. Não, fomos nós. Não foram eles que deixaram de aparecer, foste tu que deixaste de lá ir... sim e mas... Não, o Sol não mudou de posição, foste tu que aprendeste a olhá-lo do ângulo exacto em que não te fere a vista.
E eu sei lá por onde começar. Se calhar por aquela manhã de Janeiro em que a aula não acabava nunca e eu tinha horas para... Não, foi mais cedo ainda. No Verão em que os dias foram tortuosamente longos e as noites assustadoramente calmas. Sim, foi aí.
E depois aquela manhã de Janeiro (sim, a tal) em que entrei na redacção com o estômago às voltas e escrevi a minha primeira peça. Para sair? Sim, para publicar. Quando? A emoção de espreitar as bancas à espera de 500 caracteres. 500 míseros caracteres com a pujança de uma edição inteira, com a importância de uma taça olímpica, lidos e relidos à exaustão. A revista trazida debaixo do braço, como um filho que protegemos da chuva: e voltamos a ler, em voz alta, primeiro a uns, depois a outros, sempre com a mesma emoção e excitação pueril na voz que se assemelha a soluços. (ai, a nossa, a tribo dos caracteres!)
E a primeira ida, menos de 3 semanas depois, à procura de um ar profissional que se desfaz na forma como olhamos, olhos grandes, olhos de mundo, olhos de quem dá nomes que ainda não foram inventados às coisas à nossa volta, olhos de quem nunca esteve ali, de quem nunca fez aquilo, e que tem sede de cada caracter de que se preenche o espaço.
Eu viajei, eu experimentei, eu voei de helicóptero, eu conduzi uma lancha no mar da Madeira, dormi em camas fofas de hotéis com pantufas macias e robes imaculados, eu comi pratos daqui e dali, conheci caras de cá e de lá, escutei as palavras simples, as meigas, as anónimas, as famosas, as duras, as prepotentes. E escrevi. Escrevi milhares, biliões de caracteres em busca dos sentidos das coisas que (vi)vi.
E compreendi que esta sede não acaba. Não é a inexperiência que nos dá olhos grandes, olhos de mundo. É a alegria de estar onde estamos, com quem estamos, nesse momento exacto. E é essa ânsia de contar a todos, com 500, 1000, 15000 caracteres, tudo aquilo que vivemos.
É por isso que sei que mudei. Agora, sou Cinderela do mundo: o meu lugar é aqui e ali, onde quer que o pé encaixe...

Sunday, April 06, 2008

despedidas

Nunca fui boa nas despedidas. Nunca soube jogar esse ping-pong de suspiros entrecortados por frases que ficam suspensas, cadentes das suas próprias interrupções. Nunca tive jeito para abraços demorados: a alma agita-se para se libertar e o corpo adormece e deixa de me pertencer. Não sei fazer essa troca de últimos afectos, essas vénias encenadas disfarçadas de instinto. Nunca fui boa a conter emoções: lágrimas e sorrisos fundem-se no rosto, torno-me um rio que flui para além de mim, uma forma disforme sem corpo (só alma!) para agir, só sentir. No fundo, no fundo, nunca me soube despedir. Nunca soube deixar para trás, guardei sempre pedacinhos de bilhetes nos bolsos, a página do jornal de um dia qualquer a ocupar espaço na minha vida como uma ausência presente que não incomoda: só existe e pronto. Os meus adeus terminam sempre num "até um dia" que ambos sabemos que não tem lugar nos nossos calendários. Mas, ao menos assim, não me despeço nunca. É que, infelizmente, nunca fui boa nas despedidas.

Monday, March 31, 2008

E no entanto...

Eles não sabem nada de mim, e no entanto gritam o meu nome, as sílabas enroladas nas consoantes como se me diluísse na própria palavra que me nomeia. Eles não sabem nada de mim, porque nunca souberam ver-me. Olharam e acharam que isso era suficiente. Eles nunca me souberam ler e por isso nunca me tiveram, nunca me entenderam. Eu nunca fui desse mundo porque esse mundo nunca soube ser meu. Eles falam em meu nome, do meu nome, pelo meu nome, e no entanto não compreendem que eu sou muito mais que um nome. Sou muito mais que um corpo, uma cara, um estado de espírito. Eu sou um turbilhão vivo, uma noite cerrada em que os segredos se escondem por detrás de cortinas fechadas e estores corridos. Nunca soubeste abrir a janela e deixar entrar a luz da noite, a única luz em que tudo é verdade pura, sólida negridão que se entranha nas veias. Nunca me tiveste. Nunca me conheceste. Nunca soubeste nada de mim...

e no entanto...

Thursday, March 06, 2008

bom dia bom dia

Afinal há sol. Sol e flores e uma brisa que de tão meiga chega a doer. Há estradas que não dão a lado nenhum, que existem para serem percorridas com pés de lã e saltinhos infantis. Há músicos sentados no passeio, sem chapéus onde deitar moedas, com notas de março que fazem lembrar o chilrear dos pássaros e os copos de cristal no segundo antes de se quebrarem. Há pedras partidas em pedaços, com formas que conheço dos sonhos que de vez em quando regressam quando já estavam, há muito, esquecidos. Há tempo de menos para coisas a mais. Há dezenas, centenas de sons que ecoam sem que os consiga isolar e dar-lhes um nome. E se eu pudesse... multiplicar o meu eu, desdobrar-me, desmontar-me, partir para diferentes destinos daqueles que não surgem nas revistas porque, na verdade, não têm mesmo nada para ver. E vê-los assim, no seu nada que é um todo ofegante, um todo que rasura a alma que não está habituada ao nada que se estende à vista. Sem óculos de sol, sem saltos altos. Os pés descalços e a relva macia que desperta para dizer bom dia. Bom dia mundo. Bom dia vida.

avião de papel

Um avião de papel voa baixinho, rente aos telhados vermelhos, sem rota definida nem hora de chegada. Ele nunca chega, aliás. Ele simplesmente vai. Longe, cada vez mais longe, até onde as asas de papel suportarem o vento. Desliza e abana, plana sem motivos. Só porque sim.

Apelo

Dia 14 de Março, sexta-feira, pelas 21 horas no largo 5 de Outubro em Oeiras (frente à igreja, na vila) vamos fazer uma vigília em memória/homenagem ao (Moko) Diogo Ferreira. Também será um protesto pela insegurança que sentimos actualmente no nosso concelho e no nosso país. Passa esta mensagem aos teus contactos pelos meios que dispões. Cabe-nos a nós mudar o mundo e temos de acreditar que é com pequenos gestos como estes, mas cheios de força, que ele avança.

A iniciativa não é minha, mas lá estarei. Não só pelo Moko mas por todos nós. Apelo, sinceramente, a todos aqueles que, mesmo não conhecendo o Moko, possam ir, que se desloquem até lá. Afinal, somos nós os homens e mulheres do amanhã não é? Vamos tentar fazer a diferença e criar um mundo melhor para nós. Por mais inútil que possa parecer é mudando uma pessoa de cada vez que se muda a humanidade... certo? Como diziam numa música "Eles têm as armas mas nós temos a voz"...

Por favor não deixem de aparecer. Pelo Moko, por todas as vítimas de violência, por todos aqueles que amam, para que não sejam eles, um dia, e por vocês mesmos. Obrigada

Wednesday, March 05, 2008

Até um dia

Não é adeus. Não se diz adeus a quem já mora dentro de nós. Não nos despedimos dos sorrisos que sobrevivem mesmo depois de se extinguirem.
Haja o que houver aí onde estás, espero que estejas em paz. Que a tua alma se encha de alegria quando vês as centenas de pessoas que tocaste e cuja vida revolucionaste com os teus gestos e palavras. Que a vida nem sempre é justa já todos o sabíamos. Como dói a injustiça, isso, vamos descobrindo aos poucos. Perguntam porque acontecem coisas más às melhores pessoas. Há quem diga que só essas vão ainda a tempo de ser salvas.
Não quero chorar: quero sorrir e gritar ao mundo que tive o privilégio de ter alguém assim na minha vida. E abaná-los pelos ombros e dizer: Chega! Chega de correr de um lado para o outro, discutir, cansar a cabeça com coisas sem importância. Aproveitem o dia, beijem quem amam, abracem quem querem, dancem à chuva se assim vos apetecer. Chega de violência, de intolerância, de rancores. Chega de ódios sem sentido, a vida é demasiado curta para isso. Curta mas grande, enorme, brilhante. Vivam cada dia como se fosse uma viagem única no mundo. Foi assim que fizeste. E, dessa forma, conquistaste a imortalidade dentro de cada um de nós.

Isto não é um adeus Moko. É até um dia. Vou sentir a tua falta**************

Thursday, February 28, 2008

o meu eterno sorrir

O meu sorriso não é prata nem ouro: é sempre a eterna inflexão de um momento de alquimia inesperada.São assim os sorrisos: estranhos à beira da estrada que se perdem de vista pelo caminho, pontos de luz que seguimos com os olhos e se extinguem entre o bater de asas de uma borboleta. Vivem do instante fugaz e a ele pertencem. Não se conhecem nunca, não se possuem nunca. Esgares oscilantes entre o contentamento e o desalento, jogos de luz e sombra que se traçam entre os cantos do rosto. E no instante em que víamos surgir um movimento familiar, ele desfaz-se no tempo, como uma página velha que se faz pó sob o toque do dedo, e tudo volta ao início. Aí reside a magia do eterno sorrir.

Monday, February 25, 2008

cantaremos

Sabes, por vezes escrevo coisas pelo simples prazer de escutar, dentro de mim, a harmonia da dança em que se envolvem, umas nas outras.
Sim, eu sei.
E sabes que, um dia, muito provavelmente, será tempo de escrever sobre coisas sérias e tristes, daquelas que fazem as pessoas ler as páginas cinzentas dos jornais.
Sim, provavelmente, é a vida.
Mas a vida de quem?
(silêncio)
A tua? A minha? A vida que temos ou a que escolhemos?
Se calhar... as duas?
Se calhar. Vou escrever. Queres cantar as palavras depois?
Cantaremos.
O que quisermos?
Até ao fim.

Saturday, February 16, 2008

dias maiores

houve dias maiores. Em que o sol nasceu mais cedo e tocou a terra batida dos caminhos onde cresceram flores exóticas nunca antes vistas. Em que o mar se envergonhou e recuou quilómetros, deixando à vista a areia molhada repleta de seres das profundezas. O céu estava parado, o vento não guiava as nuvens que se transmutavam de formas. houve quem dissesse que era o fim. Outros, poucos, acreditaram que era o início.

Friday, February 15, 2008

cansei (lenga-lenga) - vício da rima

cansei das manhãs,
do vão da escada,
das ruas de pedra,
da terra molhada,
da linha do horizonte,
de telescópios cansados,
de feridas abertas,
de olhos fechados,
de mapas escritos,
de caminhos desertos,
de sinais confusos,
de planos correctos,
das linhas da mão
do meu tornozelo
da cova no queixo,
do meu cotovelo,
das multidões apertadas,
da solidão absoluta,
dos gritos alucinados,
do silêncio à escuta,
da luz fluorescente,
do escuro sem vida,
do dia apagado,
da noite perdida,
do gigante feroz,
do anão revoltado,
da formiga contente,
do leão emproado,
da história sem fim,
do capítulo final,
da vida, da morte,
de tudo e tal.


é só vício de rima

O velho piano

O teclado era branco. Não, minto: as suas teclas estavam amareladas pelo tempo, como os sorrisos gastos dos velhos, mal preenchidos de dentes. Olhava-me com o ar descontraído de quem já não tem nada a provar, nada a mudar, de quem já escreveu a historia da sua vida, a fechou numa garrafa e atirou-a ao mar. os meus dedos eram demasiado pequenos, na altura. esticava-os com esforço para conseguir fazer os acordes perfeitos, doiam-me as articulações, metia-se-me a língua de fora como sempre o fazem as crianças quando querem conseguir coisas perfeitas.
um dia ele saiu, com toda a pompa e circunstância, pela janela do 12º andar. Estava velho, as cordas frouxas. Uma pequena quantidade de gente, que na altura me pareceu multidão, olhava-o de baixo, murmurava frases feitas, clichés. Pousei as pautas no chão e parti. Não sei se as levou o vento ou não.

as malhas das horas

às vezes as horas enrolam-se nos relógios. Tropeçam nos ponteiros e aí ficam, caídas, alguma meia rasgada "ai merda que já fiz uma malha!", a resmungar da sua má sorte.
a gente espreita, sem dar grande importância (já todos sabemos que se dermos muita importância à maioria das coisas elas ganham manias insuportáveis), vira um pouco os olhos para elas, morde o lábio de baixo à espera de ver mudar o dígito. Volta o rabugento para casa entra o novo, restabelecido, forte, decidido a alongar-se o máximo possível. Dá vontade de gritar : o tempo da educação física acabou, meu querido! Não te alongues que não vale a pena! Mas ficamos quietos, pelo sim pelo não, não và a hora levar a mal e deixar-se ficar, preguiçosa, só para chatear

Não fosse a noite cair

Andava em passos largos, não fosse a noite cair, de repente e sem aviso, e cobrir tudo de cinza. A gente nem sempre sabe quando está para chegar, empastando os nossos cabelos com nesgas de escuridão que escorrem para os olhos. Enfim, quase corria, demorando porém os pés nas pedras do chão. Tinha por elas um respeito imenso, quase religioso, calcando-as a medo, com as pontas dos pés. Dir-se-ia que saltitava, vista de trás. As índias velhas diriam que galopava, que procurava ser livre. Se lho dissessem ter-se-ia rido: "só procuro o caminho de casa, nada mais".
Ninguém em casa a esperava, na verdade. Só uma cadeira torta, uma perna mais curta, o forro rasgado. A cadeira da avó, coberta de pó (quanto tempo teria? 2 dias? 2 anos? 2 séculos?), um pó sagrado que vinha de quem lá se tinha sentado um dia. Talvez um historiador não resistisse a tocá-lo com as pontas dos dedos, levá-las à boca, beijá-lo, sentir na ponta da língua mil vidas passadas que se fundiam e confundiam ali, naquele pó. Mas era só a cadeira vazia, a cadeira da avó que era a do gato agora. A do gato surdo que ali afiava as unhas e se espantava sempre com o silêncio do tecido que se rasgava por debaixo das patas.

Tuesday, February 05, 2008

Quando foi?

Havia eu e ele. E o mundo, como pano de fundo, bandeira meia descolorida pelo sol, agastada pelas intempéries que, de vez em quando, insistem em suceder. Mas, enfim havíamos nós e a isso se resumiam os dias. Às horas que se precipitavam galopantes quando juntos, ou numa cadência de conta-gotas na ausência. Havia as estrelas, as do céu e as do mar, que espraivam os braços na areia molhada pela manhã ou se dispersavam na escuridão da noite, cada vez mais fortes, cada vez mais altas. Havia as estórias partilhadas, os segredinhos de algibeira contados a dois tempos, as palavras inúteis mas belas que se ofereciam como caixa de bombons quando não sobrava dinheiro depois do cinema. E, acima de tudo, havia nesse passado uma inocência assombrosa de menina, uma espécie de pacto com o mundo que prometia não destruir sonhos nem quebrar ilusões.
Até que um dia, sem saber bem quando (são datas que não se fixam em calendários), quebrou-se o pacto. Os olhos escureceram, alongaram-se os dias, curvaram-se os gestos. A isso obrigou o tempo, diriam os mais sábios, que aceitam o amanhã com paciência e sensatez. As meninas fazem-se mulheres, os sonhos fazem-se planos, as ilusões são esperanças e os amores são vulcões meios adormecidos. Um dia, podem despertar e destruir tudo em seu redor. Urge cumprir horários e regras, respeitar os códigos, dezenas, centenas de premissas irrevogáveis. O mundo já não é bandeira ao fundo, é palco principal cujo pano cai a qualquer momento. Quando cai, não resta senão levantá-lo de novo: doem os braços, afligem-se os dedos, partem-se unhas, às vezes. Ou deixamo-lo caído - nem sempre há tempo para o levantar - e partimos em digressão, à espera de um novo holofote mágico que nos encadeie e nos faça acreditar que ali, onde só há luz, está de facto a baleia do Pinóquio, que o engole num zumzum de mar.

Todas as meninas se fazem, mais dia menos dia, mulheres. Mas todas as mulheres guardam em si, mesmo que não o saibam, a menina que foram um dia.

Tuesday, January 15, 2008

Pouco normal

Existem algumas pessoas que, sem razão aparente, cruzam as nossas vidas. Aqueles com quem apanhamos o comboio ou por quem passamos na rua quase todos os dias. Anónimos muitas vezes mais familiares do que muitos conhecidos, reconhecemos-lhes os traços, aprendemos-lhes os nomes, descobrimos-lhes histórias por entres frases soltas. Como o Zé Mário. O rapaz de 29 anos, barba por fazer, que reclama da vida em voz alta quando vai no metro. Que fez o curso de informática e não lhe deram emprego: "os jovens precisam de emprego!", grita enquanto bate com a mão no vidro, revoltado. O Zé Mário tem uma doença, é óbvio, mas talvez isso o torne mais lúcido. Não engole a revolta, não cala a mágoa, não recalca o desespero. Ao contrário de nós, de lábios cerrados e testa franzida, o Zé Mário diz o que pensa, o que muitos de nós pensam, e faz rir alguns, mais jovens, e tremer outras, mais velhinhas.
"Mas que porcaria é esta?!", inquiria a plenos pulmões há uns poucos dias. E as velhinhas afastavam-se dele, chapéus-de-chuva na mão não fosse ele passar-se e saltar para cima delas. É que, infelizmente, hoje já não se diz o que se pensa. Hoje o normal é calar, aturar, deprimir, recalcar, envelhecer, amargurar. E é por ser tão fora do normal que o Zé Mário se tornou especial.

Monday, January 07, 2008

tudo isso eu serei

Todos esses sonhos que tenho guardados na gaveta, eu serei. Mesmo os de gaivota, conquistarei. Mesmo os de sereia, poderei. Na pérola onde as ostras têm o futuro, eu posso ver. Não tenho medo porque é assim. Quem sonha sempre pode sempre. Fim.

Agonia

Do tudo e do nada. Agonia da primeira entrevista, do primeiro contacto, das primeiras palavras. Agonia da hora de entrar e da hora de sair. Agonia que se prolonga pelo dia e que se vai esbatendo com o passar dar horas. Agonia de chegar sempre atrasada, que morre quando dizem que os jornalistas são, por norma, pessoas atrasadas (horariamente, como fiz questão de frisar cá em casa, justificando uma vida inteira de atrasos. Justificação essa recebida com a mesma incredulidade que provocaram as minhas descobertas sobre ser uma criança índigo - com problemas em cumprir horários - e ter o hemisfério esquerdo do cérebro mais desenvolvido - algo que também ajuda aos atrasos).
Passa a agonia e o gosto vai saltitando por entre os momentos de hesitação e gestos que se tornam hábitos. Dar o nome à entrada, lutar contra o rato (do pc), recusar os 30 000 panfletos que me tentam entregar pelo caminho, evitar a piscina que se cria ali, mesmo ao pé da minha secretária. Tudo isso vai se inscrevendo na pele como micro-tatuagem que não se vê.
- Achas que tenho ar de jornalista?
Ao que parece, os jornalistas não têm "ar". Têm caras e bocas como toda a gente e cabelos que se despenteiam e rímel que escorre quando chove e chapéus de chuva que reviram ao vento. Dizem eles, que não percebem nada disto.

Friday, January 04, 2008

desejos

Talvez dia 5 seja algo tarde para revelar os meus desejos para 2008. Ou talvez não. Acredito que, enquanto houver vida, nunca é tarde demais. Quero fugir a clichés e evitar os desejos de sempre. Esse é um dos meus desejos. Quero ser feliz com o que tenho, sempre com a ambição de ir mais além. Quero saber desfrutar de cada momento, por irrisório que pareça, como sendo único, pois é isso, que de facto, cada momento é. Quero que a minha filha seja uma criança de verdade, daquelas que sonham e conseguem construir castelos que voam, e fadas que respiram debaixo de água e mundos onde as pessoas comem algodão doce de manhã à noite, porque essa é a base da felicidade. Quero que as pessoas importantes para mim se sintam especiais, únicas e verdadeiramente essenciais na minha vida. Quero conseguir sorrir depois de um dia desgraçado e gritar: SOBREVIVI quando chegar a casa. Quero acabar a licenciatura e partir à descoberta da vida fora das paredes de um auditório. Quero experimentar o mundo, provar coisas novas, dançar a rumba, a salsa, o flamenco e rir até me doer a barriga.
No fundo, no fundo, quero ser feliz. Não é o que queremos todos?

Thursday, January 03, 2008

Dominar o mundo

Desde as 00h de 2008 que não conseguia parar de pensar em entrar com o pé direito. Infelizmente, também não conseguia para de me esquecer disso, resultando desta equação uma frustração incrível e suspeitas de Alzheimer prematuro. Hoje convenci-me de que, finalmentre, entraria com o pé direito. E cruzando a porta da redacção onde me estreei hoje como estagiária, dei um pulinho apoiada no pé direito, fazendo uma entrada que podia ter corrido mal caso o chão estivesse molhado, mas que me deu confiança para o ano inteiro. Entre beijinhos e apresentações, lá me fui apercebendo de como as coisas funcionam. Apercebi-me de que, se não levar um rato novo para a redacção muito em breve, vou acabar hospitalizada numa ala psiquiátrica. Apercebi-me, à medida que ia ouvindo conversas, que isto de ser jornalista de viagens tem os seus benefícios tais como massagens, noites e refeições totalmente à borlix. Também me apercebi, infelizmente, que os estagiários não devem desfrutar de todos esses benefícios, mas, enfim, quantos estagiários escrevem notícias logo no primeiro dia? Poucos, asseguro-vos. A maioria dos que conheci corrigia os textos dos outros. Por isso, estou contente. Como disse a uma amiga, saí da redacção com a sensação: "Ah! Sou jornalista e vou dominar o mundo!". Uma sensação que neste momento se assemelha a uma dor de cabeça pelas horas prolongadas em frente a um ecrã saído da Idade Média. Mas enfim, amanhã lá volto eu. E de rato novo na mala.