Friday, August 06, 2010

Há um ano atrás eu estava na merda. Não, não estava na porcaria, não estava chateada, não estava assim para o desanimada. Estava mesmo na merda, como só uma pessoa enterrada na merda até à ponta dos cabelos sabe que o está.
De um dia para o outro. Foi assim mesmo que me "dispensaram". E eu chorei, chorei e chorei. Porque nunca mais ia ser feliz. Porque era o trabalho da minha vida (convém dizer que foi o primeiro). E com a crise ia ficar desempregada para sempre e/ou pesar fruta no Continente. Fiquei despedaçada. Destroçada. Perdi peso (o que foi maravilhoso) e adiei o meu plano de deixar de fumar.
Um ano depois olho com incredulidade para o calendário: passou um ano e eu sobrevivi. E voltei a rir, e não trabalho no Continente e recuperei o peso (maldito!) e já sou uma pessoa dada a dietas novamente.
Continuo a achar que foi um dos trabalhos da minha vida. Ainda sinto aquele formigueiro nos pés de quem sobreviveu à força de viagens traçadas em letras e muitos quilómetros na estrada. Tenho saudades de não saber onde vou estar daqui a uma semana. Mas também percebi que sou muito mais que isso. Que eu era aquelas viagens. Que eu era aquelas palavras. Que era eu quem encontrava naquelas tardes de exílio onde procurava adjectivos perfeitos. E que não tarda nada volto a encontrar-me por aí.

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