Friday, March 19, 2010

Amores adolescentes

Dizem que não há amor como o primeiro. E, se calhar, porque ele é o último. O único em que acreditas com todos os centímetros da tua pele, o único em que tens um coração novinho em folha, polido e brilhante como um carrinho de brincar acabado de comprar, o único em que dizer "amo-te" não vem acompanhado de suores frios e equações matemáticas acerca da probabilidade de nos virmos a arrepender amargamente de termos aberto a boca.
Grandes debates precederam este post. Do que é o amor, do que é a paixão e se um pode existir sem o outro. E ele dizia que o amor se existe então é para sempre. Tem de ser para sempre. E eu dizia que não, que para ser real não tem de ser eterno. E ela exaltava a paixão, o formigueiro na barriga, o sorrisinho parvo, o telemóvel virado para baixo como se isso fizesse chegar as mensagens e os telefonemas.
E então, a conduzir para o trabalho, a pentear o cabelo, na hora do almoço - quando foi? - eu pensei: "Se calhar, só os amores adolescentes são verdadeiros". Sim, os ingénuos, os inexperientes, os descarados. Aqueles em que sabemos que vamos ficar juntos para sempre. Aqueles em que deixamos que ouçam todas as palavras que nos chegam aos lábios. Aqueles que, quando acabaram, nos fizeram chorar durante dias, semanas a fio, achando que o mundo ia desabar e levar-nos com ele - e quase queríamos que isso acontecesse porque a vida já não fazia sentido.
Depois do primeiro amor já não estamos novinhos em folha, é um facto. Mas o coração continua no mesmo lugar de sempre.
E só nos resta mesmo aprender a amar, até porque não temos grande escolha - seja para sempre ou não.

"The greatest thing you'll ever learn is to love and be loved in return"

1 comment:

Ale said...

ooooh! q amoroso! eu cá sou fã dos amores adolecentes, eu sou aliás, uma adolescente compulsiva! ;p