Monday, March 12, 2007

A magia das palavras

Trazes palavras vazias, muito embora eu insista que as palavras nunca são vazias. Trazes palavras com que argumentas o seu estado oco. A sua imperfeição arruina-te o discurso. Já te disse que as palavras são como pós mágicos que nos podem fazer voar. Se acreditares nelas. Teço palavras, porque o texto vem de têxtil, como aprendi um dia. Teço discursos e fio o pensamento com linhas coloridas. Achas que o laranja não combina com o verde, mas eu gosto de os entrelaçar, como amantes. Sopro algumas palavras que nunca chegarão aos ouvidos de ninguém, a não ser aos meus. Deixo-as dançarem um pouco nos meus ouvidos, deixo que me embalem o sono. Construo mundos de palavras, sílabas que se equilibram, umas sobre as outras, formando monumentos, fontes e estrelas. Falo baixinho para que as palavras não fujam e depois grito, de repente, e vejo-as correrem, espalharem-se pelo mundo como pequenas partículas invisíveis que nos arrepiam a pele.
Moldo as palavras como um pedaço de barro e esmago-as sobre a bancada, uma e outra vez. Aperto-as e estico-as, dou-lhes forma, idealizo um local perfeito para elas e deixo-as secar sem nunca as prender a um objecto.
Vivo escrava das palavras, das ideias, e conquisto-as para mim, a ferro e a sangue. Embebedo-me nas palavras e sonho com utopias, com magia, com sons esvoaçantes e conceitos afiados.
Já te disse que as palavras são os passos, as pessoas, os processos. Já te disse que as palavras são os medos, os momentos e a verdade. Porque mesmo a mentira é dita em palavras e as palavras nunca mentem.

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